Luís Filipe Menezes defende que o Porto tem um "problema grave de mobilidade"
O presidente da Câmara de Gaia disse esta quarta-feira que o Porto "fez muito bem" em dar transportes grátis aos seus residentes, mas salientou que no seu concelho é necessário ter responsabilidade "e não arrasar o futuro da governação".
"O Sr. presidente da Câmara do Porto [Pedro Duarte, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL] há poucos dias definiu os transportes gratuitos no Porto. Ele fez muito bem. (...) Mas o Porto tem um problema grave de mobilidade. São milhares e milhares de automóveis oriundos de toda a área metropolitana e do resto do país a entrar na cidade", disse Luís Filipe Menezes, eleito pela mesma coligação, durante uma cerimónia na Afurada, para assinalar a retoma da travessia fluvial para o Cais do Ouro e a inauguração da Ribeira - Cais de Gaia.
Para o autarca gaiense, Pedro Duarte "está a tomar uma medida, como já tomou outras, para proteger a qualidade de vida no Porto", e, "graças a Deus para ele, ainda vai tendo orçamento para isto".
Gaia está "a caminho dos 350 mil, se calhar no fim deste mandato, a caminho dos 400 mil habitantes", disse Menezes sobre a realidade no concelho, considerando que os gaienses "querem estradas sem buracos, querem escolas requalificadas, querem equipamentos desportivos de qualidade, equipamentos culturais, eventos culturais", e lembrou a dimensão do município.
"De Lever a São Félix da Marinha são quase 40 quilómetros. E, portanto, nós temos que ser criteriosos. Eu não estou aqui para ganhar eleições daqui a três anos. Isto não me interessa. Interessa-me é, durante estes três anos, governar com sentido de responsabilidade e não arrasar o futuro da governação de Gaia. Eu isso não farei", exclamou.
O presidente da Câmara de Gaia reiterou ainda que pretende alargar o âmbito do cartão Gaia Amiga, que já dá descontos nos passes metropolitanos a pessoas com mais de 65 anos com Complemento Solidário para Idosos ou rendimentos até 750 euros, para o patamar do salário mínimo.
Quanto à gratuitidade da travessia fluvial, disse que para já será para os portadores do Gaia Amiga, estando a avaliar os custos da gratuitidade total, "primeiro para as freguesias ribeirinhas" e depois para todos os gaienses, com a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP).
Hoje, Luís Filipe Menezes disse ainda que a empresa que tem o serviço de autocarros Unir no concelho (Transportes Beira Douro, pertencente à Auto Viação Feirense) "não presta", dizendo que está "a trabalhar há muito" com a TMP, gestora do contrato, "para acabar com essa realidade".
"Nós não queremos esta empresa que está a trabalhar em Gaia. Não presta, não presta. O contrato foi mal feito, o contrato não serve os gaienses e os afuradenses sabem bem que não serve", disse, esperando que "daqui a pouco tempo, não muitos meses", possa existir um "transporte rodoviário decente em Vila Nova de Gaia".
