Novas linhas dos metros de Lisboa e do Porto sobrevivem a mais 580 milhões de custos

ECO - Parceiro CNN Portugal , Diogo Ferreira Nunes
11 mai 2023, 09:47
Metro de Lisboa

Governo mantém obras de expansão das redes dos metropolitanos de Lisboa e do Porto apesar dos efeitos da pandemia, da guerra e da inflação nos custos com matérias-primas, mão-de-obra e expropriações

Depois de uma década sem obras de fundo, os metros de Lisboa e do Porto estão a crescer à conta de muitos milhões de euros de investimento. A pandemia e a guerra na Ucrânia, no entanto, vieram trocar as voltas à calculadora e aumentaram em mais de 580 milhões de euros os custos com as empreitadas à superfície e abaixo do solo. Apesar das dificuldades, as máquinas estão a avançar no terreno, à boleia, sobretudo, das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Quando a expansão das linhas na capital e na Invicta foi anunciada, o orçamento total programado era de 1.351,1 milhões de euros. Chegados a maio de 2023, o orçamento cresceu em 582,4 milhões de euros. Entre o antes e agora, a expansão das redes passou a custar um total 1.933,5 mil milhões de euros, calcula o ECO a partir das informações disponíveis a nível oficial.

O maior aumento dos custos acontece numa linha que ainda não está em construção. Trata-se da ligação por metro ligeiro entre Loures e Odivelas, cujo primeiro orçamento, para efeitos de PRR, era de 250 milhões de euros. No entanto, no final do fevereiro, o Governo assumiu um aumento na fatura de 140 milhões de euros, mais 56%. O orçamento passou para 390 milhões de euros, “por causa da subida do custo dos materiais” e da construção de três estações subterrâneas, o que não estava inicialmente previsto no projeto, justificou, na altura, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro.

Para que as obras fiquem prontas até ao final de 2026, os concursos para a construção e o material circulante têm de de ficar tratados ainda em 2023. Caso este cenário não seja cumprido, “pode haver faseamento do projeto”. Isto é, “parte da obra pode ficar concluída dentro do PRR e outra mais tarde”. A Linha Violeta do Metro de Lisboa terá 19 estações e cerca de 13 quilómetros de extensão, ligando o Hospital Beatriz Ângelo ao Infantado. Como será um metro ligeiro, para aceder à restante rede do Metro de Lisboa, com veículos pesados, será necessário mudar de comboio na estação de Odivelas.

Mais no centro de Lisboa e com comboios mais pesados, também as obras da linha circular tiveram um agravamento significativo, de 210,2 milhões para 331.429.066 euros. Em causa está o prolongamento das linhas amarela e verde — que prevê ligar o Rato ao Cais do Sodré, com novas estações em Santos e na Estrela, e assim criar uma nova linha verde interligada. A obra deverá ficar pronta até ao final de 2024

A justificar o acréscimo nos custos de 121,2 milhões de euros está o “aumento abrupto dos preços das matérias-primas, dos materiais e da mão-de-obra, com especial relevo no setor da construção, o que tem gerado graves impactos na economia”. Além disso, verificaram-se “singularidades geológicas não detetadas nas sondagens efetuadas e desconformidades entre os levantamentos cadastrais e as prospeções que antecederam as obras que obrigam a proceder a desocupações temporárias, expropriações e reforços de construções existentes”.

Também o aumento dos custos dos materiais e da mão-de-obra foi a justificação para o aumento de 101,4 milhões nas obras de expansão da Linha Vermelha. O percurso entre o aeroporto da capital e São Sebastião vai ganhar três novas estações subterrâneas (Amoreiras, Campo de Ourique e Infante Santo) e uma estação à superfície (Alcântara). Em vez de 304 milhões, serão necessários 405,4 milhões de euros para a empreitada, que ficará pronta entre 2025 e 2026.

Aumentos também chegam ao Porto

Apesar de ter um sistema mais ligeiro, o metro do Porto também não escapou ao engordar do orçamento para que as obras não fiquem paradas.

A nova Linha Rubi, entre a Casa da Música e Santo Ovídio, deveria custar 299 milhões de euros. Só que no início desta semana o ‘cheque’ para a obra cresceu para os 435 milhões de euros. São mais 136 milhões de euros para a empreitada, garantindo, em princípio, que não vão faltar candidatos para construírem oito novas estações, distribuídas por 6,4 quilómetros à rede. As obras deverão arrancar ainda neste ano e terão de ficar prontas até ao final de 2026.

Em menor dimensão, também a Linha Rosa teve de aumentar o seu orçamento, dos 189 milhões para os 243,5 milhões de euros. O primeiro anel circular do Metro do Porto ligará a estação de São Bento (linha D) à da Casa da Música (A, B, C, E, F e H), passando por novas estações como o Hospital de Santo António e a Praça da Galiza. São 2,7 quilómetros que deverão começar a funcionar em 2025.

Também a Linha Amarela vai ficar mais cara do que quando foi posta em concurso público, por 98,9 milhões. No novo orçamento, são necessários 128,6 milhões de euros, para que os comboios cheguem às novas estações de Manuel Leão, Hospital Santos Silva e Vila d’Este.

Sem mexida de custos está o projeto do MetroBus, entre a Boavista e a Praça do Império. O autocarro a hidrogénio, com a frequência de um metropolitano, deverá ser posto em marcha em meados de 2024 por 66 milhões de euros.

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