Tomates foram geneticamente modificados para fornecer mais vitamina D

CNN , Katie Hunt
28 mai, 15:00
Tomates, um transgénico e outro não modificado

O peixe e os produtos lacticínios são as melhores fontes nutricionais de vitamina D, o que pode dificultar a necessidade de obter o suficiente do micronutriente para aqueles que têm uma dieta à base de plantas. A vitamina D ajuda a proteger os nossos ossos e a manter os músculos e os dentes saudáveis.

Recentemente, uma equipa de investigadores desenvolveu uma nova e potencial fonte vegan de vitamina D: o gene do tomate modificado com a tecnologia CRISPR-Cas9 para conter um precursor da vitamina D.

Se o processo for adotado comercialmente por agricultores e produtores, estes tomates poderão ajudar a resolver a insuficiência de vitamina D, que o estudo indica atingir mil milhões de pessoas mundialmente.

“Esta descoberta empolgante não só melhora a saúde humana, como também contribui para os benefícios ambientais associados a dietas mais baseadas em produtos vegetais, que são muitas vezes ligados à dificuldade em assegurar algumas vitaminas e minerais importantes encontrados e biodisponíveis em produtos animais”, disse Guy Poppy, professor de ecologia na Universidade de Southampton, ao Science Media Centre em Londres, que não esteve envolvido na investigação.

Os suplementos de vitamina D estão disponíveis em muitos países, mas a coautora Cathie Martin, professora no John Innes Centre em Norwich, Inglaterra, disse que comer um tomate é “muito melhor do que tomar um comprimido”.

“Creio que ter uma fonte alimentar (de vitamina D) na forma de uma planta implica também que se pode obter um benefício adicional ao comer tomates. Seja como for, não comemos fruta e vegetais em quantidade suficiente. O tomate também é uma boa fonte de vitamina C”, disse ela durante uma entrevista.

O estudo foi publicado, segunda-feira, na revista científica Nature Plants.

A vitamina do sol

A principal fonte de vitamina D para a maioria das pessoas encontra-se na dieta alimentar, mas o nosso corpo também é capaz de produzir o micronutriente quando a pele é exposta à luz UBV, daí que, por vezes, seja chamada de vitamina D do sol. O composto na pele que pode produzir vitamina D é conhecido como 7-DHC, ou provitamina D3, e também se encontra em folhas de tomateiro e frutos verdes não maduros.

Os investigadores bloquearam um gene nas plantas de tomate que normalmente converte a provitamina D3 em colesterol, o que permitiu a acumulação da provitamina no fruto maduro.

A planta de tomateiro à esquerda está geneticamente modificada

Para converter a provitamina D3 em vitamina D3 que auxilia o nosso corpo, os tomates foram tratados com luz UVB. O estudo concluiu que a provitamina D3 contida num tomate, uma vez convertida em vitamina D3, seria equivalente à quantidade de vitamina D3 contida em dois ovos médios ou em 28 gramas de atum.

Um estudo no Reino Unido está a avaliar se o cultivo de plantas de tomateiro ao ar livre, onde estariam expostas à luz solar natural, resultaria automaticamente na conversão de 7-DHC em vitamina D3. Espera-se que os primeiros frutos amadureçam até ao final de junho, disse Martin. Uma vez colhidos, os tomates também poderiam ser secos ao sol, eliminando a necessidade de tratamento com luz UVB, acrescentou ela.

O parlamento do Reino Unido aprovou uma nova legislação no início deste ano que visa facilitar os ensaios de colheitas modificadas por genes.

Outros vegetais

A técnica de bloqueio de genes, que os investigadores estão a disponibilizar gratuitamente com a publicação do artigo, poderia também ser aplicada a outras espécies de plantas solanáceas, tais como pimentão, pimenta, berinjela e batata, disse Martin.

De acordo com os investigadores, os cogumelos também podem ser uma fonte de vitamina D quando tratados com luz UVB ou cultivados na natureza. No entanto, estas plantas produziram vitamina D2, a qual o estudo afirmou ser “substancialmente menos bioeficaz” do que a vitamina D3, que provém da carne e dos lacticínios. Além disso, os suplementos de vitamina D3 normalmente não são vegan, salientou Susan Lanham-New, uma professora de ciências nutricionais da Universidade de Surrey, no Reino Unido, que não participou no estudo.

“A lanolina, que é a principal fonte (para D3), é extraída da lã de ovelha. A ovelha permanece viva durante e depois da extração, por isso não há problema para os vegetarianos. No entanto, há para os vegans, e essa é uma das características que torna este estudo tão extraordinário. É possível obter uma fonte D3 através de uma planta”, disse ela no briefing.

As folhas das plantas de tomateiro modificadas pelo gene também continham uma quantidade substancial de provitamina D, afirmaram os investigadores. Estes estavam a analisar formas de transformar este material residual em suplementos de vitamina D vegan. A equipa do estudo esperava que isto pudesse servir de incentivo aos agricultores para plantar e produzir os tomates biofortificados.

Os tomates modificados geneticamente têm um aspecto indistinguível e sabor idêntico ao dos tomates normais, disse o coautor Jie Li, um investigador de pós-doutoramento no John Innes Centre, e a modificação genética não afetou o crescimento, o desenvolvimento ou o rendimento do projeto.

Os cientistas que desenvolveram a tecnologia de modificação de genes CRISPR-Cas9 ganharam o prémio Nobel em 2020. A invenção está a ter um grande impacto na investigação biomédica, medicina clínica e na agricultura. Com a sua capacidade de precisão, a tecnologia pode atingir pontos pré-determinados em material genético, eliminando um gene em particular ou inserir novo material genético.

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