Na derradeira sondagem diária antes das eleições de domingo, Seguro consegue o maior aumento, sem distribuição de indecisos, desde o início da campanha. Maior parte dos eleitores não vê como provável mudança no sentido de voto, mas ganha peso a lógica de voto estratégico, com um crescimento dos que admitem votar sobretudo para impedir a vitória do outro candidato. Neste último dia de campanha, a tracking poll da Pitagórica para a TVI e CNN Portugal,JN e TSF tem 810 entrevistas, para uma margem de erro de 3,51%, e revela intenções de voto com e sem distribuição de indecisos
Os dados da última tracking poll antes de os portugueses elegerem o novo Presidente da República mostram uma nova subida de António José Seguro nas intenções de votos que, com distribuição de indecisos, já chega aos 67,8% - mais 2,2 pontos percentuais do que na quinta-feira. Em sentido inverso, André Ventura volta a registar uma descida, deslizando para os 32,2%.
Depois de distribuídos de forma proporcional os votos brancos, nulos e os indecisos, a candidatura de Seguro apresenta um intervalo máximo de 71,4% e um mínimo de 64,2%. Já o líder do Chega alcança, no máximo, os 35,8% e, no mínimo, os 28,6%.
Por outro lado, sem distribuição de indecisos, o candidato apoiado pelo PS fixa-se esta sexta-feira nos 56,7% (mais 3,2 pp), refletindo o maior aumento de intenções de voto desde o início da campanha para a segunda volta. Já Ventura sofre a sua segunda maior queda desde 29 de janeiro (menos 1,1 pp) e recua para os 26,9%. O número de indecisos também volta a registar uma queda para os 7,4% (menos 1,5 pp).
No que diz respeito ao clima eleitoral, mantém-se uma confiança quase absoluta entre os inquiridos na sondagem diária da Pitagórica na vitória de Seguro: 91% dizem que, independentemente em quem vão votar, o ex-líder socialista vai substituir Marcelo em Belém. Apenas 5% dizem estar convictos de que Ventura vai liderar a segunda volta e 4% não sabem ou não querem responder.
Seguro mais forte entre as mulheres, Ventura com maior apoio masculino
Os dados mostram que António José Seguro tem os seus melhores resultados entre as mulheres, os eleitores mais velhos e as classes médias-altas. No último dia, o apoio feminino atinge 61,0%, contra 51,9% entre os homens. Entre os eleitores com 55 ou mais anos, Seguro fixa-se nos 61,7%, mais +12,2 pp do que no grupo dos 35–54 anos (49,5%), que continua a ser o seu segmento mais frágil.
A candidatura de António José Seguro regista também maior adesão na região Centro (62,6%) e entre as classes com maiores rendimentos (62%). Já no caso de Ventura, a candidatura do líder do Chega tem mais força sobretudo entre os homens (30,9%), nos eleitores com idades entre 35-55 anos (31,2%) e de classes mais baixas (32,6%). Territorialmente, o desempenho mais forte de Ventura surge fora dos centros urbanos (30,4%) e no norte do país (27,7%).
A firmeza de voto continua também a ser alta em ambos os candidatos, mas com cenários diferentes. Entre os eleitores de Seguro, 96,7% dizem que o voto é definitivo - o que traduz uma ligeira descida desde quinta-feira (menos 0,8 pp). Por outro lado, 2,1% admitem ainda poder mudar de ideias (mais 0,7 pp) e 0,7% dizem estar muito indecisos.
Apesar de a maioria dos eleitores de Ventura também declarar o voto como definitivo (90,8%), esse valor diminuiu (menos 2,6 pp) desde quinta-feira. Ao mesmo tempo, cresceu também o número daqueles que sugerem ainda vir a mudar a intenção de voto (mais 1,8 pp), fixando-se agora nos 6,6% e dos que se dizem muito indecisos (1,5% - mais 0,6 pp).
A tracking poll feita para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF aponta ainda para um nível de mobilização eleitoral muito elevado e estável. A percentagem dos inquiridos que afirma que “de certeza que vai votar” mantém-se dominante, fixando-se nos 84%. Em paralelo, cresce marginalmente o grupo que considera “muito provável” ir votar (8%), ao passo que 3% consideram apenas a ida às urnas como “provável”. Os níveis de abstenção assumida continuam baixos, com apenas 3% a declarar que de certeza não vai votar.
Ainda que a opinião predominante seja de votar no nome com que se concorda mais, nas últimas 24 horas registou-se um crescimento do número de inquiridos que admite votar num candidato para impedir o outro de chegar a Belém. No caso de Seguro, são já 36,4% (1,8 pp) aqueles que têm esta opinião e, no caso de Ventura, esse número chega aos 23,2% (mais 2,9 pp do que na quinta-feira).
Entre os inquiridos da sondagem diária, continua-se também a favorecer a atitude de António José Seguro face à tempestade que levou à declaração de estado de calamidade em grande parte do país. 47% consideram que o ex-líder socialista foi o candidato com a postura mais adequada (+1 pp). Já André Ventura recolhe 15% (+1 pp), mantendo-se a larga distância. Por outro lado, 8% continuam a considerar que ambos tiveram uma atitude adequada, enquanto 16% entendem que nenhum correspondeu às expectativas (+1 pp face a quinta-feira).
Seguro continua a liderar avaliação durante a tempestade
Já a transferência de voto da primeira para a segunda volta mostra que António José Seguro beneficia de uma captação transversal dos eleitorados derrotados na primeira ronda. Para além de uma retenção muito elevada do seu próprio eleitorado (91,5%), Seguro atrai 46,2% dos votantes de João Cotrim de Figueiredo, 59,3% dos de Henrique Gouveia e Melo e 63,2% dos eleitores de Luís Marques Mendes.
Já André Ventura apresenta uma lógica de transferência mais fechada. O líder do Chega retém 96,2% do seu eleitorado, mas capta apenas parcelas minoritárias dos restantes candidatos: 21,3% dos votantes de Gouveia e Melo, 16,7% dos de Cotrim Figueiredo e 14,2% dos de Marques Mendes.
Nos vários cenários de crise institucional, social e económica, António José Seguro mantém a vantagem para Ventura. Em situações de falha grave de serviços públicos, de tensão social causada pelo aumento do custo de vida ou de impacto económico de uma crise internacional, Seguro é apontado como o mais preparado por 66% a 67% dos inquiridos, registando descidas de −1 pp nos últimos dias. Já André Ventura surge sistematicamente atrás, com valores entre 19% e 21%.
O mesmo padrão repete-se nos cenários de coordenação institucional e pressão sobre o Governo em contexto de crise. Quando questionados sobre quem teria mais capacidade para exigir responsabilidades ou forçar uma resposta rápida do Executivo, Seguro lidera com 62% e 52%, respetivamente, apesar de novas descidas de -1 pp no último dia. Ventura estabiliza ou cresce ligeiramente nestes contextos (26% a 36%.
Seguro continua também a ser visto como o candidato mais capaz de recuperar a confiança nas instituições (66%, apesar de uma descida de −2 pp) e como o mais independente dos partidos políticos (61%, −1 pp). Ventura recua ligeiramente também neste último indicador (17%, −1 pp), ao mesmo tempo que cresce a fatia dos que consideram que nenhum dos dois será verdadeiramente independente (+2 pp).
Quanto ao impacto do resultado eleitoral no país, mantém-se dominante a ideia de que “depende de quem ganhar” (45%). O número de pessoas que acredita que o país irá ficar mais dividido estabilza-se nos 24% e diminui a perceção de que o país ficará mais unido (21%, −2 pp do que na quinta-feira).
Ficha técnica
Durante 3 dias (03, 04 e 05 de fevereiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN as seguintes amostras: • 3 de fevereiro: 202 entrevistas; • 4 de fevereiro: 203 entrevistas • 5 de fevereiro: 405 entrevistas. Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores).
O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 810 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±3,51%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1602 tentativas de contacto, para alcançarmos 810 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 50,56%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.