Tracking Poll CNN: grande empate a cinco liderado por Seguro e Gouveia e Melo. Mendes cai para trás de Cotrim

5 jan, 20:15

Na primeira sondagem após os últimos debates televisivos de dezembro, Seguro e Gouveia e Melo estão separados por 0,1 pontos percentuais. Marques Mendes cai para quinto lugar e fica atrás do candidato da Iniciativa Liberal. Número de indecisos desce consideravelmente. Mas a "dupla" mais esperada para uma segunda volta é composta por Mendes e Ventura

No arranque da campanha eleitoral para as Eleições Presidenciais de 18 de janeiro, há empate técnico entre cinco candidatos, mas é António José Seguro quem parte em vantagem, segundo a tracking poll feita pela Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF. O candidato apoiado pelo PS reúne 19,3% das intenções de voto após distribuídos os indecisos, mas a margem para o segundo lugar é ínfima. 

Com 19,2% das intenções de voto, Henrique Gouveia e Melo aparece em segundo lugar, numa subida acentuada face à última sondagem da Pitagórica, que dava ao antigo coordenador da task-force de vacinação contra a covid-19 15% das intenções de voto, tal como o quarto lugar. É, de resto, a maior subida face ao último estudo de opinião (cresce 4,2 pp).No entanto, a subida não chega para que o almirante recupere os níveis de apoio que a sua candidatura tinha em outubro: 27,7%.

 

 

Nesta batalha pelo primeiro lugar, Seguro tem conseguido captar melhor o voto dos eleitores do sexo feminino (16,6% vs. 15,9%) e dos jovens (11,3% vs. 9,3%), mas ambos ficam empatados nas preferências dos eleitores acima dos 55 anos. O almirante tem levado a melhor entre os eleitores masculinos, os que têm idades entre os 35 e os 55 anos e aqueles que vivem no centro do país e na Grande Lisboa. Seguro surge mais forte a Norte (18,5% vs. 16,4%).

Atrás de Gouveia e Melo, surge a candidatura de André Ventura. A duas semanas das eleições, o líder do Chega consegue 18,9% das intenções de voto, registando uma perda de 0,2 pp face à última sondagem da Pitagórica. Já João Cotrim de Figueiredo é aquele que consegue o segundo maior aumento desde os resultados do barómetro de dezembro: sobe 3,1 pp e alcança o quarto lugar.

No duelo entre Cotrim e Ventura, o fundador do Chega conquista a preferência da maior parte dos segmentos, mas perde com o candidato da Iniciativa Liberal no voto feminino (13,1% vs. 15,2%) e, especialmente, no voto mais jovem, onde Cotrim Figueiredo chega aos 26,3% e Ventura não vai além dos 16,5%. De resto, o liberal obtém vantagem entre os eleitores da Grande Lisboa e do Norte do país e entre aqueles que têm maiores rendimentos - 12,65% vs 22,6%.  Já Ventura consegue melhores resultados no voto masculino, em eleitores a partir dos 35 anos e, especialmente, entre as classes mais baixas onde a diferença chega a ser superior a 10 pp. (19,1% vs.8,9%).

 

 

A maior queda desde a última sondagem é a de Marques Mendes. O candidato apoiado pelo PSD que, entre novembro e dezembro, nunca deixou de ser aquele mais bem colocado nas sondagens para substituir Marcelo Rebelo de Sousa, deu um tombo no início do ano. Está em quinto lugar, caiu 5,3 pp e está ainda muito longe dos resultados obtidos por Cotrim Figueiredo (15,4% vs. 18,0%). 

No confronto direto com Cotrim, Marques Mendes só obtém vantagem em quatro segmentos do eleitorado: nos eleitores com 55 anos ou mais (15,4% vs. 9,1%), naqueles que habitam no Norte (15,0% vs. 14,0%) e nos cidadãos de classe média e de classe baixa, com maior diferença nas preferências dos que têm menos rendimentos (14,0% vs. 8,9%).

Esta é também a primeira sondagem desde que o candidato do PSD decidiu revelar a lista de clientes daquela que era a sua empresa de consultoria familiar, LS2MM. É também o primeiro estudo desde o debate entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, onde o antigo advogado e comentador foi acusado de ser um "lobista" e "facilitador de negócios". 

Ainda assim, o top 5 de candidatos encontra-se todo dentro da margem de erro, que tem um valor máximo de ±4,06%. Já o número de indecisos está, neste momento, nos 13,7% - menos 3,5 pp do que em dezembro.

Já fora desta margem encontram-se as candidaturas de Catarina Martins que, após uma subida de 0,2 pp face às últimas sondagens, chega à sexta posição, obtendo a preferência de 2,9% dos eleitores inquiridos no estudo de opinião. A eurodeputada fica, assim, melhor posicionada do que António Filipe (2,8%) e do que Jorge Pinto (1,8%). 

Destaque ainda para o músico Manuel João Vieira que ocupa o último lugar, mas que registou um crescimento de 0,4 pp face à última sondagem, concentrando na sua candidatura 1,5% das intenções de voto.

Dinâmica de vitória beneficia Marques Mendes

Certo é que, embora Marques Mendes tenha vindo a registar uma queda a pique face aos resultados da última sondagem de dezembro, a maior parte (32%) dos eleitores inquiridos pela Pitagórica continua a acreditar que o candidato apoiado pelo PSD é aquele que tem maiores possibilidades de chegar a uma segunda volta. Já para 22% dos inquiridos é Ventura o nome mais provável de vr a disputar uma segunda volta. 

Apenas 11% dos eleitores acredita que António José Seguro, o candidato que reúne a maior parte das intenções de voto, vai passar a uma segunda volta - um valor menor dos que acham que Gouveia e Melo vai ficar entre os primeiros dois classificados (15%). 

Segundo a mesma sondagem, só 5% dos eleitores acredita que Cotrim tem hipóteses de chegar a uma segunda volta.

A amostra para estes dados da tracking poll foi recolhida no início do ano e, por isso, já após os debates televisivos durante a pré-campanha. E, ainda que Seguro surja à frente nas intenções de voto, para a maior parte dos inquiridos (17%) pela Pitagórica foi Cotrim de Figueiredo quem teve uma melhor prestação mediática. Por outro lado, Gouveia e Melo foi o candidato que menos eleitores acharam ter tido o melhor desempenho mediático (7%). Ainda assim, 19% disseram não ter assistido a nenhum debate ou entrevista e 11% não sabe ou não quis responder.

Ficha técnica

Durante 3 dias (2, 3 e 4 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais), de forma a garantir uma subamostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores).

O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo resultou numa amostra de 608 entrevistas que, para um grau de confiança de 95,5%, corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de telemóvel, mantendo a proporção dos três principais operadores móveis.

Sempre que necessário, foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas foram recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos.

Foram realizadas 1244 tentativas de contacto para alcançar 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,87%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social, que os disponibilizará para consulta online.

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