Tracking poll, 2.ª volta, dia 10: Seguro alarga distância para Ventura e lidera avaliação na resposta à tempestade

5 fev, 21:02

A sondagem diária mostra ainda que a maior parte dos portugueses avalia negativamente a resposta do Governo à crise provocada pela tempestade e entende que o Presidente da República deve exigir mais rapidez e eficácia ao Executivo liderado por Luís Montenegro

Ao décimo dia, a tracking poll dá conta de uma descida de André Ventura e de um reforço ligeiro das intenções de voto em António José Seguro. Os dados, sem distribuição de indecisos, mostram o candidato do PS agora com 53,5% (mais 0,3 pp) e o líder do Chega a cair 1,5 pp para os 28%. 

A sondagem diária feita pela Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF revela ainda um crescimento dos indecisos para os 8,9% (mais 1,1 pp) e também um pequeno aumento do número de inquiridos que admite votar em branco ou em nulo: são agora 9,6% (mais 0,1 pp). 

Seguro mantém-se também como o candidato em que mais portugueses acreditam que vá vencer a segunda volta das eleições marcadas para este domingo. O ex-líder do PS é o favorito para 91% dos portugueses (mais 1 pp), independentemente da sua escolha em quem vão votar. Apenas 5% considera que Ventura vai ser o novo Presidente da República (menos 1 pp)

António José Seguro é o favorito tanto por homens e mulheres, como em todas as classes sociais, idades e regiões. Mas onde o candidato tem mais força, atualmente, é junto dos mais idosos (é a escolha de 59,7% dos eleitores com mais de 55 anos), das classes mais altas (60,1%) e das mulheres (59,1%). 

Por outro lado, onde a candidatura de Ventura tem mais adesão é nos eleitores do sexo masculino (33%), nos que têm idades entre os 35 e os 54 anos (32%) e naqueles que pertencem a classes mais baixas (33,3%). 

Os dados da sondagem desta quinta-feira continuam a mostrar uma grande firmeza nas intenções de voto: 97,5% daqueles que votam Seguro já decidiram que não vão mudar a sua escolha no domingo, sendo que apenas 1,4% consideram que ainda podem alterar a sua decisão. No caso de Ventura, o voto é definitivo para 93,4%, com 4,8% dos eleitores ainda a admitirem uma possível mudança no sentido de voto. 

Também é certo que a grande maioria dos inquiridos vai votar no domingo: 85% têm a certeza, 7% dizem ser muito provável e apenas 3% já decidiram que não vão às urnas.

Entre aqueles que indicaram ir votar em Seguro, 61,7% dizem que o fazem por convicção e 34,6% referem que o seu voto é para impedir Ventura de vencer as eleições. Do lado oposto, 71,8% votam em Ventura porque consideram ser o candidato com melhores qualificações para suceder a Marcelo, sendo que 20,3% admitem votar no líder do Chega para impedir Seguro em Belém. 

Entre os votantes de João Cotrim de Figueiredo na primeira volta, 40,7% declaram agora intenção de votar em Seguro, contra 19,3% que optam por Ventura, enquanto mais de um quarto (26,7%) admite votar em branco ou nulo. Já entre os eleitores de Henrique Gouveia e Melo, 57,6% transferem o voto para Seguro e 16,3% para Ventura, com 18,5% a manterem-se indecisos. Tendência semelhante verifica-se nos apoiantes de Luís Marques Mendes, dos quais 60% seguem para Seguro e 15,6% para Ventura.

Já quando se cruza com o voto nas Legislativas de 2025, os dados mostram que António José Seguro está a beneficiar de um apoio transversal, captando 60,6% dos eleitores da AD, 81,8% dos votantes do PS e 65,1% dos eleitores de outros partidos, enquanto André Ventura concentra quase exclusivamente o voto do CHEGA, com 93,9%. Ventura recolhe também 15% dos eleitores da AD e 3,7% dos votantes do PS. 

Maior parte vê como negativa ação do Governo durante a tempestade

Outro dado que a tracking poll tem vindo a medir prende-se com a forma como os portugueses avaliam a resposta do Governo à situação causada pela tempestade que afetou várias zonas do país. A pluralidade dos inquiridos faz uma leitura negativa da atuação do Executivo liderado por Luís Montenegro: 29% classificam a resposta como negativa, valor que se mantém inalterado face ao dia anterior, a que se juntam 15% que a consideram muito negativa (mais 1 pp).

Do lado oposto, 22% avaliam a atuação do Governo como positiva (mais 1 pp) e apenas 2% como muito positiva, percentagem que se mantém estável. Já 24% dos inquiridos entendem que a resposta do Executivo não foi nem positiva nem negativa (menos 1 pp).

Também segundo a sondagem desta quinta-feira, quando a avaliação é feita em termos comparativos com crises anteriores, a maioria dos portugueses considera que o Governo está a responder de forma semelhante a situações passadas. São 54% os inquiridos que partilham esta leitura, menos um ponto percentual do que no dia anterior.

Entre os que entendem que a resposta do Executivo liderado por Luís Montenegro está a ser pior do que em crises anteriores, a percentagem sobe para 19% (mais 1 pp), enquanto 18% consideram que o Governo está a responder melhor, também com um acréscimo de um ponto percentual.

Já quando a questão incide sobre a atitude do Presidente da República face à atuação do Governo durante a tempestade, a maioria dos portugueses entende que Marcelo Rebelo de Sousa deve assumir uma posição mais exigente perante o Executivo. Segundo a sondagem, 67% dos inquiridos consideram que o chefe de Estado deve exigir mais rapidez e eficácia ao Governo, valor que representa uma subida de um ponto percentual face ao dia anterior.

E uma minoria defende uma postura de apoio público à ação governativa: são 15% os que entendem que o Presidente deve respaldar o Executivo, percentagem que se mantém inalterada. Já 13% consideram que Marcelo Rebelo de Sousa deveria manter-se mais discreto e institucional, um ponto percentual abaixo do registo anterior. 

A maior parte dos inquiridos considera também que António José Seguro foi quem teve a atitude mais adequada face à crise gerada pela depressão Kristin: 46% dizem que o candidato socialista esteve melhor, mais um ponto percentual do que no dia anterior. Enquanto André Ventura é referido por 14% dos inquiridos como tendo tido uma melhor prestação, valor que se mantém inalterado. 

Para 15% dos inquiridos nenhum respondeu de forma satisfatória à situação, enquanto que, para 8%, ambos mostraram-se à altura da circunstância - percentagens que também não registam variação.

Qual o melhor líder numa crise?

Perante um cenário de falha grave de serviços públicos essenciais, como saúde, transportes ou energia, a maior parte dos inquiridos considera que António José Seguro estaria melhor preparado para intervir enquanto Presidente da República. São 67% os que apontam o candidato socialista (mais 1 pp), contra 19% que escolhem André Ventura (menos 1 pp). As restantes opções recolhem valores residuais, com 7% a considerarem que nenhum estaria preparado e 6% sem opinião formada.

Num contexto de falhas de coordenação entre autoridades numa emergência nacional, Seguro volta a surgir destacado como o candidato com maior capacidade para exigir responsabilidades e melhorar a resposta do Estado, com 63% das respostas (mais 1 pp). Ventura é escolhido por 26% (menos 1 pp), mantendo-se marginais as respostas que apontam ambos ou nenhum, há 6% de indecisos.

Também num cenário de forte tensão social e protestos provocados pelo aumento do custo de vida, a vantagem de Seguro é clara. O candidato socialista reúne 68% das preferências (mais 1 pp), enquanto Ventura desce para 19% (menos 1 pp). Apenas 1% considera que ambos estariam preparados e 6% entende que nenhum teria condições para intervir de forma eficaz.

Já numa situação em que o Governo demorasse a reagir a uma crise grave, o diferencial entre os dois candidatos estreita-se. Ainda assim, Seguro mantém a dianteira com 53%, valor estável face ao dia anterior, enquanto Ventura sobe um ponto percentual para 36%. As opções “ambos”, “nenhum” e “não sabe/não responde” permanecem residuais.

Num eventual cenário de crise internacional com impacto direto na economia portuguesa, a perceção dos inquiridos volta a favorecer claramente Seguro, apontado por 67% como o candidato mais bem preparado para defender os interesses do país. Ventura recolhe 20%, não se registando variações face ao dia anterior.

Por fim, perante um aumento da desconfiança dos cidadãos nas instituições políticas, a maioria dos portugueses considera que Seguro estaria melhor colocado para recuperar a confiança dos eleitores. São 68% os que o indicam, contra 20% que escolhem Ventura, mantendo-se praticamente inalteradas as restantes opções e confirmando uma avaliação consistente da capacidade institucional atribuída a cada candidato.

Seguro é visto como mais independente dos partidos

No que diz respeito à independência face aos partidos políticos, a maioria dos portugueses considera que António José Seguro será o candidato mais autónomo no exercício do cargo de Presidente da República. Segundo a tracking poll, 62% dos inquiridos apontam o antigo líder do PS como o mais independente, valor que sobe um ponto percentual face ao dia anterior e que se tem mantido de forma consistente acima dos 60% ao longo da série. André Ventura recolhe 18% das respostas, menos um ponto percentual, enquanto 4% consideram que ambos seriam igualmente independentes.

Em sentido inverso, cresce ligeiramente a perceção de que nenhum dos dois candidatos seria verdadeiramente independente dos partidos: 13% partilham esta opinião (mais 1 pp). O número de inquiridos que não sabe ou não responde recua para os 3% (menos 1 pp).

Quanto ao estado do país após a eleição, prevalece a incerteza. A maior parte dos inquiridos (45%) considera que o grau de união ou divisão nacional dependerá de quem sair vencedor das presidenciais, valor que sobe um ponto percentual. Apenas 23% acreditam que o país ficará mais unido (menos 2 pp), enquanto 24% antecipam um país mais dividido (menos 1 pp).
 

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