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Lançaram uma "caça aos magrebinos" em Espanha. Agora é preciso "evitar uma desgraça terrível"

13 jul 2025, 17:07
Confrontos em Torre Pacheco (Olmo Blanco/Getty Images)

Autoridades pedem ao governo central um reforço urgente para combater os "chamamentos xenófobos" que acabaram com a acalmia de uma cidade à beira-mar

Torre Pacheco era uma cidade meio perdida na longa costa Mediterrânica de Espanha. Não vivem lá sequer 40 mil pessoas, o que no país vizinho faz deste um pequeno município na região de Murcia.

A acalmia inerente acabou no fim da semana que passou e as autoridades já temem que os confrontos possam levar a uma “desgraça terrível”.

Tudo isto depois de grupos de extrema-direita ter lançado uma ação contra jovens imigrantes que vivem na zona, depois de um homem de 68 anos ter sido agredido na quarta-feira naquela mesma localidade. A comunidade ainda convocou uma manifestação pacífica, mas as coisas acabaram por inflamar, o que levou a confrontos violentos entre ambos os lados.

Com duas noites seguidas de distúrbios, a Guardia Civil já destacou de forma permanente 75 agentes para garantir a ordem e evitar novos confrontos.

São ações levadas a cabo pelos grupos extremistas Deport Them Now e Desokupa, entre outros, que apelaram a uma "caça aos magrebinos”.

A delegada do governo de Murcia, Mariola Guevara, referiu a existência de “chamamentos xenófobos” que incluem a entrada na cidade de pessoas que vivem noutras localidades. E entraram só “para provocar distúrbios”.

“Acontece provocado por organizações antissistema que fizeram vir pessoas de fora de Torre Pacheco para gerar violência. Anunciaram nas redes sociais uma ‘caça’”, referiu.

“Queremos passar o nosso apoio total aos companheiros que atuaram na noite de ontem em Torre Pacheco e também aos vizinhos da localidade”, escreveu a Associação Profissional de Justiça da Guardia Civil (Jucil) na rede social X.

Perante o agravar da situação, as forças de segurança exigem ao ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, que faça alguma coisa. “Que dote a localidade com os meios e efetivos condizentes para evitar que se produza uma desgraça terrível”.

“Passaram 36 horas desde que começaram os distúrbios em Torre Pacheco. Esperamos que esta noite, 48 horas depois, Marlaska tenha feito o seu trabalho”, acrescentou a Jucil, numa clara rota de colisão com o governo central.

A Associação Unificada de Guardias Civiles condenou as “graves altercações” e “agressões a agentes”, referindo que se perdeu o “princípio da autoridade” na localidade murciana.

“O que se está a passar em Torre Pacheco não se pode normalizar”, referiu aquela associação, também no X. “Os agentes atuaram com profissionalismo numa situação limite, sem os meios ou o apoio adequado”.

E é por isso que se pede um “reforço urgente” com meios e equipamentos que possam garantir a segurança da população.

Para já há um detido e cinco feridos, mas as autoridades já trabalham para identificar mais suspeitos, recorrendo às redes sociais para tentarem perceber como terá surgido este movimento.

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