O fenómeno é real e a sua explicação prende-se na forma como o metal reage quando aquece
A onda de calor que atingiu França fez circular nas redes sociais uma curiosidade sobre um dos monumentos mais icónicos do mundo. Terá a Torre Eiffel ficado 10 centímetros mais alta devido às elevadas temperaturas?
@elchindaily 🇫🇷 The Eiffel Tower Grew 10 cm Because of the Heat! 😳 France's extreme heat caused the Eiffel Tower to temporarily grow by about 10 centimeters (around 4 inches). As temperatures rise, the iron in the tower expands, making the landmark slightly taller. When the weather cools down, the metal contracts and the tower returns to its normal height. It's a real scientific effect—not damage or a permanent change. #EiffelTower #France #HeatWave #Science ♬ original sound - elchindaily
A resposta não é linear, segundo explica o canal brasileiro g1. Acontece que a expansão da estrutura da Torre Eiffel devido ao calor é um fenómeno físico real e esperado. E um aumento na ordem dos 10 centímetros é, também ele, possível em dias de temperaturas muito elevadas. Mas, não existe uma medição oficial que confirme que a torre tenha crescido exatamente esse valor durante a atual onda de calor na Europa.
O fenómeno é conhecido como dilatação térmica. Quando um material aquece, as suas partículas passam a movimentar-se com maior intensidade e ficam, em média, ligeiramente mais afastadas. Numa pequena peça de metal, a alteração é praticamente impercetível, mas numa estrutura com centenas de metros, a acumulação dessas pequenas variações pode traduzir-se numa diferença de vários centímetros.
A Torre Eiffel tem cerca de 330 metros de altura e é construída sobretudo em ferro pudlado, um material muito utilizado também em pontes e carris no século XIX. Tal como acontece com outros metais, o ferro expande-se quando aquece e contrai-se quando arrefece - ou seja, em períodos de frio, a torre pode também ficar ligeiramente mais baixa.
Mas de onde surgem os 10 centímetros? O físico Acauan Figueiredo, professor do Curso Anglo, um instituto de educação brasileiro, explicou ao g1 que um cálculo simplificado da dilatação térmica tem em conta três fatores. Em primeiro lugar, a dimensão inicial da estrutura; em segundo a variação da temperatura e, por fim, o coeficiente de dilatação do material.
Há que ter também em conta outro detalhe. Neste caso, a temperatura do metal pode ser muito superior à temperatura do ar e, num dia de calor intenso e exposição direta ao sol, uma das faces da Torre Eiffel pode atingir cerca de 60 graus, mesmo que os termómetros em Paris registem valores inferiores.
O professor e físico Acauan Figueiredo aplicou esta fórmula, partindo de uma temperatura inicial de aproximadamente 25 graus, e chegou a uma expansão de aproximadamente 13 centímetros. Pelo que “macroscopicamente, nós conseguimos observar esse maior espaçamento pela dilatação, ou seja, pelo aumento da dimensão daquele corpo à medida que a temperatura aumenta", disse ao canal brasileiro.
Ainda assim, refere, é impreciso afirmar que a Torre Eiffel ficou exatamente 10 centímetros mais alta durante esta onda de calor. Na verdade, a estrutura expandiu-se com o aumento da temperatura e que essa dilatação pode atingir vários centímetros em dias particularmente quentes.
A própria administração da torre referiu em 2021 que as variações de temperatura podem alterar as dimensões da estrutura, mas que estas mudanças são naturais, previstas pelos engenheiros e que não representam qualquer risco para a torre.
Mas determinar exatamente quanto cresceu a Torre Eiffel durante a onda de calor, que levou Paris a máximas de 40 graus, é uma tarefa bastante complexa, desde logo porque a estrutura é composta por milhares de peças, plataformas, arcos, vigas que aquecem de forma diferente perante a exposição ao sol.
Por outro lado, o vento, a circulação do ar, a posição do sol e a perda de calor influenciam também o comportamento da estrutura.
Assim, a Torre Eiffel pode, de facto, ficar cerca de 10 centímetros mais alta devido ao calor, mas esse número é uma estimativa fisicamente plausível, não se tratando de uma medição oficial realizada durante a atual onda de calor.
