Segredo de justiça no acidente de Sara Carreira: "proteger" investigação, ou "vedar" o acesso?

6 dez 2021, 22:30

O acidente de viação que resultou na morte da Sara Carreira decorreu há um ano e o processo continua em segredo de justiça, apesar do pedido da família de levantar este sigilo

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No dia em que se assinalou um ano do acidente que provocou a morte de Sara Carreira, de apenas 21 anos, Tony Carreira teceu duras críticas à Justiça portuguesa pela "investigação demorada" sobre as causas do acidente que ocorreu na A1, no distrito de Santarém, na noite de 5 de dezembro.

Numa publicação divulgada na rede social Facebook, o cantor português começou por lembrar que o processo sobre o acidente rodoviário que vitimou mortalmente a sua filha está em segredo de justiça, algo que, sublinha, "não é normal" num acidente de viação, mas que, segundo lhe fora transmitido, "ajudaria a proteger a investigação".

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Segundo Tony Carreira, o segredo de justiça "só serviu para 'esconder' uma investigação demorada" e sobre a qual diz ter "pouquíssima informação". O cantor contou que, por essa razão, tentou pedir o levantamento deste, por sentir que lhe "vedava" o acesso que pretendia às informações do processo.

O processo mantém-se, contudo, em segredo de justiça, o que não impediu a divulgação de "muitas notícias sobre o caso, com informações detalhadas" sobre o que aconteceu, apontou o cantor, referindo-se às mais recentes notícias que dão conta das conclusões do relatório final da GNR, que já fora, aliás, entregue ao Ministério Público.

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Perante as notícias, Tony Carreira acusou a Justiça portuguesa de estar "doente" e dar "cada vez mais motivos a todos os que não acreditam nela".

"Enquanto pai, pergunto à Exma. Sra. Procuradora: o segredo de justiça é só para alguns? Se as informações que vieram a público forem verdadeiras então, mais uma vez, a nossa justiça fica manchada por ser justiça só de alguns", apontou.

 

Relatório responsabiliza namorado de Sara Carreira e outros condutores

Na passada quinta-feira, o Jornal de Notícias avançou que o relatório final do inquérito realizado pela GNR sobre o acidente, que já foi, aliás, entregue ao Ministério Público, concluiu que Ivo Lucas, namorado de Sara Carreira que conduzia a viatura no momento do acidente, seguia a 128 quilómetros por hora num piso escorregadio, uma velocidade que as autoridades consideraram excessiva tendo em conta as condições climatéricas na altura. 

O mesmo relatório atribuiu ainda responsabilidades aos condutores dos dois veículos (onde se inclui a fadista Cristina Branco) que embateram antes do capotamento da viatura onde seguia Sara Carreira e Ivo Lucas, e que, segundo o documento, deveriam ter sinalizado o acidente. Ainda assim, é atribuída maior responsabilidade a Ivo Lucas, uma vez que ficou concluído que, na altura do choque, não estava a chover e havia visibilidade suficiente para evitar a colisão - como, aliás, aconteceu com outros veículos, que conseguiram passar pela zona do acidente e evitaram o embate.

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Em dezembro de 2020, Sara Carreira morreu numa colisão que envolveu quatro veículos ligeiros e que ocorreu na autoestrada A1, junto à saída para o Cartaxo, no sentido Porto-Lisboa. O óbito foi declarado no local, registando-se ainda três feridos que foram transportados para o Hospital de Santarém. Ivo Lucas, que terá sido constituído arguido por homicídio negligente, arriscando uma pena de até cinco anos de prisão, ficou gravemente ferido, com uma fratura exposta no braço.

O Ministério Público irá agora analisar a responsabilidade penal dos três condutores envolvidos, tendo em consideração o relatório apresentado pelas autoridades.

Tony Carreira diz estar a viver "situação desumana"

Já em outubro passado, em entrevista com José Alberto Carvalho, na TVI, que pertence ao mesmo grupo da CNN Portugal, Tony Carreira lamentou a demora do processo relacionado com o acidente da filha, sobre o qual ainda não tinha respostas. "Ainda não sei nada do inquérito, ainda não sei o que aconteceu, e acho que é desumano", confessou, acrescentando que a perda da filha é algo que "jamais" irá superar.

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"Agarro-me àquilo que posso. Se vejo passar uma borboleta, que é um símbolo da minha filha, quero acreditar que é um sinal dela. Agarro-me a certas coisas que pontualmente me fazem bem, e é claro que tenho momentos em que caio", admitiu.

Rogério Alves diz não haver justificação para manutenção do segredo de justiça

O ex-bastonário da Ordem dos Advogados considerou, esta segunda-feira, que não existe qualquer justificação para que se mantenha o segredo de justiça neste caso, sobretudo quando está envolvida a perda de uma filha.

"É muito difícil compreender como é que decorrido um ano é necessário manter o segredo de justiça. Além disso, é também muito difícil compreender porque é que não é dada nenhuma justificação - estamos a falar de um caso de um pai e uma mãe que perderam uma filha", salientou Rogério Alves, em declarações à CNN Portugal.

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