Os EUA estão a ponderar o fornecimento destes mísseis a Kiev. Moscovo não gosta
Vários meios de comunicação internacionais reportaram que Volodymyr Zelensky pediu a Donald Trump, durante o seu encontro da passada terça-feira nas Nações Unidas, o fornecimento de mísseis Tomahawk à Ucrânia.
O presidente dos EUA tem negado até agora todos os pedidos ucranianos para o envio de mísseis de longo alcance, mas, este domingo, o vice-presidente JD Vance admitiu que os EUA estão a avaliar pedidos de vários países europeus para o fornecimento destes equipamentos a Kiev. "Estamos certamente a analisar uma série de pedidos dos europeus", disse Vance à Fox News.
Que mísseis são estes?
Os mísseis Tomahawk são mísseis de cruzeiro, subsónicos e de longo alcance. São mísseis terra-terra, que podem ser lançados a partir de navios e submarinos contra alvos em terra e no mar.
Os Tomahawk usam uma combinação de vários sistemas – GPS, INS (Inertial Navigation System), TERCOM (Terrain Contour Matching) e DSMAC (Digital Scene-Matching Area Correlation) – para escapar aos radares e atingir o alvo com a maior precisão possível.
“O que é importante [saber] sobre os Tomahawks é que eles não vão necessariamente do ponto A ao ponto B em linha reta. Eles seguem uma rota de circumnavegação para que não possam ser abatidos”, explicou à CNN James “Spider” Marks, major-general na reforma do Exército dos EUA.
Estes mísseis começaram a ser desenvolvidos nos 70 pela General Dynamics e entraram ao serviço das Forças Armadas Americanas em 1983. Atualmente, e desde 1994 são produzidos pela Raytheon Missiles and Defense, um dos quatro departamentos da RTX. Entre 1992 e 1994, a McDonnell Douglas, atual Boeing Defense, Space & Security, também produziu algumas unidades.
Os Tomahawk foram utilizados pela primeira vez na Guerra do Golfo, em 1991, e desde então já foram usados em inúmeros teatros de guerra, como Iraque, Síria, Líbia e Sérvia. Mais recentemente, em junho deste ano, 30 Tomahawks foram utilizados pelos EUA durante o ataque às infraestruturas nucleares iranianas de Natanz e Isfahan.
Porque é que a Ucrânia os quer?
Uma das grandes vantagens destes mísseis é o seu alcance. Dependendo das suas especificações, estes mísseis têm um raio de alcance entre 1600 e 2500 quilómetros, o que faria, por exemplo, que Moscovo fosse um potencial alvo das forças ucranianas.
O raio de ação dos Tomahawk é muito superior aos restantes mísseis no arsenal da Ucrânia: os Storm Shadow têm um alcance de cerca de 250 quilómetros, dependendo do modelo, enquanto os ATACMS não passam dos 300 quilómetros.
Estando à disponibilidade da Ucrânia, abrem-se novas opções de ataque para as forças de Kiev, desde logo o ataque às bases aéreas que a Rússia utiliza para atacar o país invadido. Será também possível aumentar o número de alvos militares, como paióis ou outras infraestruturas militares, ao alcance da Ucrânia.
O cenário não agrada à Rússia, que já comentou a possibilidade de estes mísseis acabarem em mãos ucranianas. “Moscovo ouviu as declarações de Washington sobre possíveis entregas de mísseis Tomahawk à Ucrânia e está a analisá-las cuidadosamente. É importante compreender quem irá dirigir e lançar os mísseis Tomahawk a partir do território ucraniano — os americanos ou os próprios ucranianos”, disse esta segunda-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela Reuters.