A surpreendente descoberta dos mergulhadores em redor dos destroços do Titanic - e que pode revelar um mistério no fundo dos oceanos

CNN , Taylor Nicioli
12 nov, 19:00
Os destroços do Titanic. Crédito: Xavier Desmier/Gamma-Rapho/Getty Images

Os destroços do Titanic repousam partidos em dois no fundo do Oceano Atlântico Norte, decompondo-se lentamente a quase 4000 metros abaixo da superfície, mas não estão sós. Um sinal de sonar detetado há 26 anos revelou, agora, que há muito mais nesta área subaquática, do que se pensava.

P.H. Nargeolet, um piloto veterano do submarino Nautile e mergulhador do Titanic, captou inicialmente o sinal com equipamento de ecossonda em 1996, mas a sua origem permaneceu desconhecida.

Numa expedição aos destroços do navio naufragado, no início deste ano, Nargeolet e outros exploradores foram até à localização previamente registada do sinal, para procurar o misterioso objeto que o poderia representar. Dada a magnitude do sinal, Nargeolet acreditara estar a olhar para outro navio naufragado – em lugar disso, encontrou um recife rochoso, constituído por diversas formações vulcânicas e abundante de lagostas, peixes de águas profundas, esponjas marinhas e variadas espécies de coral que poderiam ter milhares de anos.

“É biologicamente fascinante. Os animais que aí vivem são muito diferentes dos animais que encontramos a viver nas zonas abissais”, disse Murray Roberts, um professor de Biologia Marinha Aplicada e Ecologia na Universidade de Edimburgo, na Escócia, e um dos investigadores da expedição.

“Nargeolet fez um trabalho científico verdadeiramente significativo. Ele pensou que se tratava de um navio naufragado, mas a meu ver a descoberta revelou-se ainda mais espantosa.”

A planície abissal é um termo usado para descrever o leito do oceano a uma profundidade de 3000 a 4000 metros, e que constitui cerca de 60% da superfície da Terra, segundo Roberts. É imaginado como um fundo oceânico lamacento e incaracterístico, sem grande estrutura. Em raras ocasiões, mergulhadores observaram formações rochosas nessa planície. Desde a recente descoberta nas proximidades do Titanic, Roberts acredita agora que tais características podem ser mais comuns do que se pensava.

As áreas rochosas podem também ajudar a explicar as distâncias que esponjas e corais atingem no fundo oceânico, o que foi sempre um mistério para os cientistas. No ambiente lamacento em que são tipicamente observados, há poucas superfícies duras onde essas espécies se agarrarem, para se poderem desenvolver e reproduzir.

“Por vezes, surgem em lugares onde pensamos: mas como é que chegaram aqui? Não vivem o suficiente para chegar aqui”, disse Roberts. “Mas se existirem mais destes lugares rochosos, destes trampolins, do que imaginávamos, penso que isso pode ajudar a compreender a distribuição destas espécies no oceano.”

Os investigadores estão presentemente a trabalhar na análise de imagens e vídeos captados no recife, durante os mergulhos, com vista a partilhar as suas conclusões e aprofundar o conhecimento global da comunidade científica relativamente à vida no fundo dos oceanos. Roberts espera também conseguir ligar esta descoberta a um projeto mais vasto sobre o ecossistema do Oceano Atlântico, designado iAtlantic, permitindo um estudo mais aprofundado e uma melhor proteção do frágil ecossistema do recife.

Há um outro sinal de sonar próximo do Titanic, que Nargeolet espera poder identificar numa futura expedição. Foi detetado na mesma pesquisa feita anos atrás, entre os destroços do Titanic e o recife recentemente descoberto – agora designado a Crista Nargeolet-Fanning em sua homenagem e do especialista da missão de expedição de 2022, Oisín Fanning. Nargeolet prevê que o que quer que seja descoberto será ainda mais extenso que este recife.

A OceanGate Expeditions e a sua fundação – que, a par de Fanning, disponibilizaram o apoio financeiro para o mergulho de Nargeolet no corrente ano – prosseguirão o seu trabalho de pesquisa longitudinal do Titanic e áreas circundantes, em 2023.

“A vida marinha era magnífica. Foi verdadeiramente inacreditável, pois nunca esperei ver tal coisa na minha vida”, confessou Nargeolet. “Será uma felicidade, continuar a pesquisar em torno do Titanic.”

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