Dois "turistas" contam as experiências positivas no Titan: "Eu queria encontrar o Titanic desde os 12 anos"

CNN Portugal , CNC e ARC
21 jun 2023, 21:16

As opiniões dividem-se: alguns acreditam que viajar no Titan foi a experiência de uma vida, enquanto outros dizem que a estrutura do submersível parecia "improvisada"

Alan Estrada mergulhou até às profundezas do oceano no Titan há um ano e nunca se sentiu “inseguro”. Já Renata Rojas, mesmo após várias expedições às ruínas do Titanic canceladas, finalmente cumpriu o seu sonho, em 2022. A viagem no submersível - agora desaparecido, com cinco pessoas no interior - foi um sucesso para estes dois, ao contrário de vários relatos que têm surgido.

O youtuber e ator mexicano Alan Estrada estava consciente dos perigos que corria desde o início. Ao embarcar, sabia que a probabilidade de existir uma “falha” era elevada. Ainda assim, assinou um documento em que se responsabilizava pelos perigos que corria e fez as oito horas de viagem até aos restos do Titanic.

Um dos riscos que sabia correr é a impossibilidade de abrir o submarino a partir do interior, conta. “É preciso abri-lo” do exterior, o que é uma “operação complexa”, como tem relembrado nas redes sociais, no contexto dos recentes acontecimentos.

“Valia a pena o risco para ver o Titanic”, garante o youtuber conhecido pelo canal “Alanxelmundo”. A viagem realizada há um ano decorreu sem percalços. “Saber que tão poucas pessoas estiveram naquelas profundezas, diante daquele naufrágio, o mais famoso do planeta, é muito especial”, afirma. 

Renata Rojas, de 50 anos, foi também uma das passageiras do Titan, em julho de 2022. A mulher, que trabalha no banco Sabadell, foi uma das “especialistas de missão” e uma dos três civis que podia pagar o preço da viagem.

Quando decidiu entrar na universidade, inicialmente estava inscrita no curso de oceanografia, devido ao seu desejo de algum dia vir a encontrar o Titanic.  "Eu queria encontrar o Titanic desde os 12 anos", diz ela ao The Independent. "Queria começar a fazer oceanografia, ser oceanógrafa e ir procurar o Titanic".

No entanto, pouco tempo depois de ser aceite no curso, o Titanic foi descoberto, em 1985, e Renata Rojas acabou por mudar de curso e fazer carreira como banqueira. Apesar de ter mudado de vida, Renata nunca esqueceu a sua paixão pelo Titanic. Quando se soube que existia um submersível capaz de levar turistas às ruínas da embarcação, Renata Rojas, de acordo com o The Independent, fez uso de todos os seus contactos para conseguir participar na expedição, até que, finalmente, em 2022, cumpriu o seu sonho.

A banqueira retrata a viagem no Titan: “Estávamos a descer rapidamente. Tudo voava pela janela. Mas estávamos a fazer algumas experiências - apagando e acendendo as luzes para ver como reagia a vida fora do submarino. À medida que nos aproximamos do fundo, o piloto começa a precisar de ajuda. É preciso acionar algum do [equipamento] para abrandar a descida; não queremos bater no fundo", disse.

"Não me senti uma turista, senti-me mais como uma fundadora de uma expedição científica. Se quisermos ser turistas e não participar em nada, podemos fazê-lo, mas a OceanGate promove uma expedição, uma oportunidade em que podemos fazer parte da equipa que quisermos; desde tirar fotografias, vídeos, artigos, ou participar na parte operacional ou científica”, contou à Escapada H.

A mulher contou, num artigo à CBS News, que já tinha marcado a viagem três vezes, todas canceladas. “Todas as expedições têm os seus desafios, todas elas. Nunca participei numa expedição em que as coisas não tivessem de ser ajustadas, adaptadas, alteradas ou canceladas no final do dia. Estamos à mercê das condições climatéricas".

Perder a comunicação? Normal

Também David Pogue, correspondente da “CBS sunday morning”, participou numa das viagens organizadas pela OceanGate às ruínas do Titanic. Pogue conta a sua experiência num artigo e, numa entrevista à BBC, afirma ainda que escapar do Titan sem ajuda é impossível. David Pogue explica que a equipa no exterior fecha a cápsula principal com recurso a 17 parafusos, após a entrada da tripulação.

Pogue admite num artigo da CBS News que estava nervoso, particularmente após ler o acordo de responsabilidade entregue pela empresa à tripulação, onde se podia ler: "Esta embarcação experimental não foi aprovada nem certificada por nenhum organismo regulador e pode provocar lesões físicas, traumas emocionais ou a morte."

Também no mesmo artigo, confessa que não conseguiu evitar achar que muitos dos elementos que compõem o Titan “pareciam improvisados, com componentes prontos a usar": "A pilotagem da embarcação é feita com um comando de videojogo.”

Pogue relatou ainda que o submersível ficou perdido durante duas horas e meia.

“Neste mergulho, as comunicações falharam de alguma forma. O submarino nunca encontrou o naufrágio”, pode ler-se.

Pogue afirma ainda que, durante uma das viagens, o submersível perdeu-se e a empresa cortou a ligação à internet.

Já Mike Reiss, um escritor de comédia televisiva que trabalhou nos The Simpsons e que também participou numa viagem do Titan, em 2022, contou à BBC que o submersível desceu às profundezas do oceano muito rapidamente, fazendo uso de pequenos ventiladores. Ele afirma que durante todas as suas três viagens a comunicação também se perdeu durante os mergulhos, incluindo o da visita ao Titanic.

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