Armas de fogo matam 52 pessoas por dia nos Estados Unidos. O país tem um problema cada vez maior com armas de fogo

25 mai, 13:40
Bandeira a meia haste na Casa Branca após mais um tiroteio nos Estados Unidos. Fonte: Stefani Reynolds / AFP

Durante os primeiros quatro meses do ano, mais de seis mil pessoas morreram nos Estados Unidos devido a incidentes com armas de fogo. Mais de 173 tiroteios em massa ocorreram neste período. O problema das armas de fogo no país em dois mapas

Os Estados Unidos têm um problema com armas de fogo. Esta madrugada, depois de mais um tiroteio em massa, Joe Biden foi o rosto da frustração perante uma realidade infelizmente característica dos Estados Unidos: "O que me deixou estupefacto é que este tipo de tiroteios em massa raramente acontecem em qualquer outro lugar do mundo".

De acordo com uma contagem do Gun Violence Archive, um instituto que reúne os dados dos incidentes com armas nos Estados Unidos, só este ano e até ao início do mês de maio, as armas de fogo mataram 6 296 pessoas naquele país. São mais de 52 pessoas por dia.

Em 2022, e até ao dia 24 de maio, foram registados 212 tiroteios em massa, assim classificados quando mais de quatro pessoas morrem num único incidente. Dentro desta contabilidade negra, dois tiroteios destacam-se apenas nos últimos dias: o desta terça-feira numa escola primária em Uvalde, no Texas, onde morreram 19 crianças e dois adultos, e o tiroteio num supermercado em Buffalo, no dia 18 de maio, que matou 10 pessoas.

Menos de meio ano de mortes por armas de fogo nos Estados Unidos. Os dados vão de 1 de janeiro a 24 de maio. Fonte: Gun Violence Archive
Tiroteios em massa realizados entre 1 de janeiro e 24 de maio. São considerados tiroteios em massa quando resultam na morte de pelo menos quatro pessoas. Fonte: Gun Violence Archive

Um problema norte-americano

Esta proximidade com as armas é única no mundo. Uma comparação realizada pela BBC entre a proporção de homicídios realizados com armas em vários países, revelou uma percentagem muito maior nos Estados Unidos. Nesse país, 79% dos homicídios realizados em 2020 envolveram armas de fogo, enquanto que no Canadá, por exemplo, esta percentagem foi de 37%. Na Austrália e no Reino Unido esta percentagem foi de 13 e 4%, respetivamente.

As armas fazem parte do dia a dia dos americanos. Um estudo do Pew Research Center publicado em 2017 sobre o problema das armas nos Estados Unidos revelava que pelo menos dois terços dos americanos viveram ou vivem numa casa com uma arma. E dez em cada de norte-americanos terá disparado uma arma alguma vez na sua vida.

E fazem também parte da cultura: o direito ao uso e porte de arma está previsto na Segunda Emenda da Constituição, escrita em 1787. Até agora, todas as tentativas para alterar este direito esbarraram nos legisladores. Nos últimos anos, as armas têm matado cada vez mais pessoas nos Estados Unidos.

Conseguirá Joe Biden inverter esta tendência? O presidente norte-americano fez esta noite um apelo emocionado para que se enfrente de uma vez por todas o lóbi das armas no país: "Porque é que estamos dispostos a viver com esta carnificina? Porque é que continuamos a deixar que isto aconteça?"

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