EUA: jovem foi com o pai comprar a arma e publicou foto no Instagram antes de matar quatro estudantes

Agência Lusa , MJC
3 dez 2021, 23:33
Ethan Crumbley, responsável pelo tiroteio
Ethan Crumbley, responsável pelo tiroteio

Pais acusados de homicídio involuntário. A procuradora considerou que, ao permitirem o acesso à arma, as ações dos pais de Ethan Crumbley, de 15 anos, foram "muito além da negligência"

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Uma procuradora-geral do Estado norte-americano de Michigan acusou na sexta-feira de homicídio involuntário os pais de um jovem de 15 anos suspeito de efetuar vários disparos numa escola, que causaram a morte a quatro estudantes.

Jennifer e James Crumbley foram alvo de quatro acusações de homicídio involuntário e, caso sejam condenados, podem enfrentar até 15 anos de prisão, noticia a agência AP.

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Segundo a lei do Estado de Michigan, uma acusação por homicídio involuntário pode acontecer caso os procuradores acreditem que alguém contribuiu fortemente para uma situação que causou ferimentos ou morte.

"Essas acusações têm como objetivo responsabilizar os indivíduos que contribuíram para esta tragédia e também enviar a mensagem ao público de que os proprietários de armas têm uma responsabilidade", disse McDonald em conferência de imprensa.

“Embora tenha sido o atirador quem entrou na escola e puxou o gatilho, há outros indivíduos que contribuíram para os eventos de 30 de novembro e é minha intenção responsabilizá-los também”, disse.

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"Ações dos pais vão muito além da negligência"

James Crumbley comprou a pistola semi-automática Sig Sauer 9 mm usada pelo filho quatro dias antes do tiroteio. Ethan estava com o pai no momento da compra numa loja de armas de fogo local e o adolescente postou uma foto da arma na sua conta do Instagram, escrevendo "acabei de ganhar a minha nova beleza hoje" e depois pôs um emoji de coração.

“Os pais eram as únicas pessoas em posição de saber o [seu] acesso às armas”, tinha referido na quinta-feira a procuradora-geral do condado de Oakland, Karen McDonald. A arma “parece ter estado disponível sem qualquer dificuldade para aquele jovem”, acrescentou.

Os pais raramente são acusados nos Estados Unidos em tiroteios envolvendo os seus filhos, mesmo quando a maioria dos menores tem acesso às armas na sua casa ou de um parente, segundo explicam os especialistas.

Não existe nenhuma lei no Michigan que exija aos proprietários de armas que as mantenham protegidas do alcance das crianças.

No entanto, Karen McDonald destacou que considera haver matéria para abrir um processo de acusação.

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“As ações dos pais vão muito para além da negligência. Obviamente estamos a acusar em toda a sua extensão o atirador, mas existem outros indivíduos que devem ser responsabilizados”, salientou a procuradora-geral numa entrevista na quarta-feira à rádio WJR-AM.

Jovem atirou entre 15 e 20 vezes

Ethan Crumbley, de 15 anos, está acusado, como um adulto, de duas dúzias de crimes, incluindo homicídio, tentativa de homicídio e terrorismo, na sequência do tiroteio ocorrido na terça-feira na Oxford High School em Oakland County, cerca de 50 quilómetros a norte de Detroit.

Quatro estudantes morreram e outras sete pessoas ficaram feridas, sendo que três destas estão internados em hospitais em situação considerável estável.

Na terça-feira o suspeito foi detido após o tiroteio e recusou-se a explicar a motivação para o ataque.

Mais de uma centena de telefonemas para o número de emergência foram gravadas, já que o atirador disparou entre 15 a 20 vezes com uma pistola semiautomática em questão de minutos.

Poucas horas antes do tiroteio os pais do suspeito tinham estado na escola em reunião devido ao comportamento do filho na sala de aula.

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O jovem continuou na escola naquele dia, e terá saído de uma casa de banho para efetuar os disparos. O suspeito não mostrou resistência aos agentes que o detiveram de arma na mão.

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