Harry e Meghan "viciados em drama" e um empregado que apertava a pasta de dentes ao príncipe Carlos. The Palace Papers, o livro que expõe a família real britânica

3 mai 2022, 22:00
Harry e Meghan com a rainha e a família real

Um casal viciado em drama, uma relação de irmãos praticamente inexistente e um príncipe com excentricidades até agora desconhecidas são alguns dos temas abordados por Tina Brown

O novo livro de Tina Brown, antiga editora executiva da Tatler, Vanity Fair e The New Yorker, trouxe a público novas realidades sobre a família real britânica e, segundo a imprensa internacional, ninguém foi deixado de fora no "The Palace Papers - Inside the House of Windsor, the Truth and the Turmoil" (Os Segredos do Palácio)", para o qual entrevistou mais de 120 pessoas ligadas aos membros da realeza.

Publicado a 26 de abril, o livro fala da relação dos príncipes William e Harry, das excentricidades do príncipe Carlos, do afastamento dos duques de Sussex da realeza e do seu "vício em drama", do escândalo do príncipe André, entre outros temas.

Em entrevista à revista Time, a autora do livro explica que a parte mais difícil de ter acesso foi a história de Meghan e Harry, não por as pessoas não quererem falar, mas por causa da pandemia.

"A história da Meghan e do Harry explodiu enquanto eu escrevia. E isso passou por muitas pessoas realmente dispostas a conversar, mas depois houve períodos em que todos estavam completamente confinados. Então, diria que foi a história mais difícil de uma maneira estranha", afirmou.

Meghan e Harry, o casal "viciado em drama"

Para Tina Brown, Meghan Markle não conseguiu adaptar-se à realeza porque, ao assumir a relação com Harry, ganhou fama, mas teve de perder "palco".

"Ao converter-se numa estrela cada vez maior na cena internacional, [Meghan] devia encolher-se e perder a voz, ao mesmo tempo, para atender às exigêncais do serviço da coroa", escreve Brown.

Meghan Markle e príncipe Harry

Perante este cenário, a autora diz que Meghan acabou por tornar-se na aliada perfeita para o príncipe Harry, cuja vida sempre foi marcada pela rebelião, dramas, escândalos e stress.

"A nova cumplicidade pedia que Meghan enfrentasse todas as regras que ele combatia há anos. Agora eles eram camaradas de armas. Um dos assessores descreveu-me essa postura de confronto contínuo como um "vício mútuo em drama"", acrescenta a autora no livro, dizendo ainda que Harry “é tão emocionalmente carente que foi completa e totalmente dominado por Meghan e toda a sua personalidade mudou”.

A autora chega mesmo a comparar os duques de Sussex aos duques de Cambridge. Em entrevista ao The Telegraph, Tina Brown diz que enquanto "William e Kate se acalmam, os Sussex atiçam-se'".

A relação entre William e Harry

O livro aborda ainda a "relação fraternal muito má" entre os irmãos. Em entrevista ao jornal The Washington Post, a autora explica que os dois irmãos "eram muito próximos em crianças" e que depois da morte da mãe "criaram uma bolha juntos". No entanto, os ciúmes entre os dois irmãos eram uma realidade, com Harry a considerar que William recebia as melhores tarefas públicas, uma vez que "o futuro rei é sempre responsável pelos patronatos mais interessantes".

No entanto, a autora descreve que os irmãos cresceram juntos, cúmplices, e que Harry sempre teve uma boa relação com a cunhada Kate - que considerava uma irmã - mas que, depois do casamento do irmão, se mostrou "desesperado por casar" e chegou mesmo a achar que "ficaria solteiro para sempre".

William, Kate e Harry assistem a prova equestre em Greenwich Park em julho de 2012 (Foto: Reuters)

A relação entre os dois terá começado a deteriorar-se quando Harry começou a namorar com Meghan e William tentou chamar o irmão à realidade, questionando-o sobre as suas certezas e pedindo-lhe que "tivesse calma". A autora explica que o duque de Sussex não terá visto com bons olhos os avisos do irmão e que os dois se terão começado a afastar e que, atualmente, a relação entre ambos praticamente não existe.

Outra das razões para que William e Harry quase não se falem é, segundo Tina Brown, em entrevista ao The Telegraph, a questão de quem fez chorar quem no casamento dos duques de Sussex. A autora diz que o facto da questão ter sido abordada de forma tão "catastroficamente rude" na entrevista com Oprah Winfrey fez com que "todos ficassem genuinamente irritados" com o casal.

Príncipe André, o protagonista do mais recente escândalo

Sobre o príncipe André, Tina Brown decidiu trazer para o livro o escândalo que envolvia Jeffrey Epstein e revelar que o bilionário achava que o filho da rainha era "um idiota".

"Em privado, Epstein dizia a toda a gente que André era um idiota, mas - para ele - era útil. Um membro da realeza sénior, mesmo que arruinado, é sempre um poderoso íman no exterior", escreve a autora.

Brown diz ainda que o duque de Iorque gozou durante vários anos da sua posição na realeza para agir com "autoconfiança arrogante e ignorância incontestada”, apesar de estar falido e de ser facilmente enganado, como aconteceu com Epstein, que o usava para negócios em "mercados internacionais obscuros", dizendo que era seu consultor.

"Epstein fez Andrew sentir que se tinha juntado a um grande momento. Os negócios, as miúdas, o avião, o brilhante mundo de Nova Iorque, onde ele não era visto como um homem adulto ainda dependente dos cordões da Bolsa Privada da mãe ou na dura hierarquia do Palácio", escreve Brown.

As excentricidades do príncipe Carlos

A parte do livro dedicada ao príncipe Carlos fala sobre o esperado - a "lenta e enlouquecedora" sucessão ao trono e o papel de Camilla na vida do príncipe -, mas também do inesperado - as excentricidades do filho mais velho da rainha.

"Camilla jogou o jogo longo com Carlos. Foi brutal, Camilla foi tão insultada. (...) O lema da família é: "Não te lamentarás", e Camilla viveu de acordo com isso. Imagine-se se Camilla desse uma entrevista à Oprah sobre como foi chamada em vida, embora ela nunca o fizesse. E, ao que parece, a definição de sucesso na monarquia é que se tem que estar disposto a jogar a longo prazo. O que é interessante sobre a rainha ter afirmado que Camilla será rainha, assim como a clara aprovação por Kate, é que a rainha está a começar a ver que a adequação para ser da realeza não é necessariamente sobre pedigree. É: tem as qualidades para jogar o jogo longo? Kate e Camilla também", afirma a autora, acrescentando que, quando Isabel II morrer, é provável que "Harry volte para casa" e que "Carlos e William usem esse momento para o irem buscar".

Príncipe Carlos e Camilla Parker-Bowles

A autora revela que o filho mais velho da rainha chegou a ter um empregado para lhe apertar o tubo da pasta de dentes. Sim, Michael Fawcett, já reformado, era responsável não só por essa tarefa, mas por outras tão insólitas como essa.

Isto porque era preciso supervisionar "a parafernália que o chefe levava como o comboio de bagagem de uma corte itinerante Tudor", escreve Brown, enumerando que isto incluía "a cama ortopédica do príncipe, a tampa da sanita, o papel higiénico Kleenex Velvet e dois quadros de paisagens escocesas. E desengane-se quem pense que estes artigos apenas acompanhavam o herdeiro ao trono em viagens longas. 

"Quando viajava para ficar nas casas de campo de amigos, um camião chegava no dia anterior com a cama, mobília e até fotografias, com o empregado Michael Fawcett a assegurar-se que tudo seria colocado no quarto do anfitrião", lê-se no livro.

Para além dos bens, o príncipe Carlos enviava ainda as preferências de menu de véspera que, segundo Tina Brown, incluiam trazer também o copo em que beberia o martini pré-preparado sempre que lhe apetecesse. Mas teria de ser preparado pelo oficial de segurança no local e servido por um mordomo, claro.

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