Espanhóis constroem Madrid-Lisboa em bitola europeia
Espanha vai construir os troços em falta da linha Madrid-Lisboa em bitola europeia, ou seja, com a mesma largura de carris dos comboios franceses, de toda a Europa Central e, em breve, da Ucrânia e dos países bálticos.
O Governo da AD decidiu seguir as políticas dos governos de António Costa: adjudicou já os primeiros troços da linha Porto-Lisboa em bitola ibérica e mantém a intenção de fazer o mesmo nas linhas Lisboa-Madrid e Porto-Vigo.
O ministro das infraestruturas garante que “a opção pela construção em bitola ibérica não inviabiliza a futura migração para bitola europeia de toda a linha, assim que ocorra uma migração das linhas espanholas na fronteira”. Os peritos em ferrovia contestam esta política, que implicará interromper o tráfego durante vários meses.
A solução “provisória” será instalar “intercambiadores”, aparelhos que permitem aos comboios de passageiros mudar de bitola em pleno andamento. No caso da linha Lisboa-Madrid, esse aparelho ficará colocado em Plasencia.
Comboios de baixo custo não passam a fronteira
O problema é que as linhas com duas bitolas não podem ser percorridas pelos comboios “standard”, usados na Europa, em bitola europeia, que revolucionaram o mercado espanhol com alta velocidade ferroviária a preços baixos.
“Não faz sentido construirmos linhas de alta velocidade com uma tecnologia que vai ser descartada a seguir, quando Espanha já está a construir todas as novas linhas com a tecnologia definitiva, que permite a ligação à Europa. Na prática, isto isola Portugal do centro da Europa o que tem consequências nefastas para as empresas e a economia”, critica Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico, que tem sido um dos porta-vozes das múltiplas associações empresariais e engenheiros que protestam contra esta política. “Portugal escolheu ficar de fora da rede europeia de alta velocidade, com a exceção da Galiza, que é temporária”, conclui.
