Insistia com a mulher grávida para beber água. Afinal, estaria a colocar lá medicamentos para ela abortar

15 nov, 14:15
Grávida

A denúncia foi feita pela própria mulher, que experienciava cólicas e hemorragias após beber os copos de água oferecidos pelo marido

Um homem do estado do Texas, nos Estados Unidos, vai a julgamento por alegadamente ter tentado terminar a gravidez da esposa sem o seu conhecimento. De acordo com documentos do tribunal, obtidos pelo The Guardian, Mason Herring é acusado de dois crimes: "agressão a uma mulher grávida" e "aborto forçado". 

A notícia da gravidez terá surgido num momento conturbado do casamento de 11 anos, em que Herring já teria saído de casa e expressado a intenção de se divorciar. Concordou, porém, em comparecer a sessões de terapia de casal - e foi numa destas sessões, em março, que a esposa revelou estar grávida do terceiro filho. A reação de Herring, conta agora a mulher, foi imediatamente "negativa". 

Uma declaração redigida pelo departamento policial de Houston explica que a mulher terá estranhado o comportamento do parceiro logo em março, na fase inicial da gravidez, quando este começou a insistir na "importância de beber água durante a gravidez" e lhe oferecia repetidamente copos de água não solicitados. 

Numa destas ocasiões, a mulher reparou que a água não parecia límpida, o que o marido justificou com um possível problema de canalização. Uma hora depois, porém, começou a experienciar dores abdominais e hemorragias severas que a levaram de urgência ao hospital. Os sintomas viriam a reaparecer na semana seguinte, depois de lhe terem sido administradas mais quatro bebidas - três delas pareciam incluir uma "substância desconhecida" e a quarta era uma garrafa de sumo de laranja já aberta. 

A mulher relacionou os sintomas com as bebidas oferidas pelo marido e tornou-se mais atenta a possíveis sinais suspeitos. Numa ocasião, viu Herring despejar o conteúdo de um pequeno saco de plástico numa bebida; noutra, encontrava-se acompanhada por mais duas pessoas quando o marido lhe ofereceu um copo com uma "substância desconhecida" no interior, facto que as testemunhas confirmaram. Ao inspecionar o conteúdo de sacos de lixo, encontrou as provas definitivas de que o marido tentava provocar a interrupção da sua gravidez: diversas caixas abertas (e usadas) de Cyrux, um medicamento que inclui o agente abortivo misoprostol na sua composição.

O relatório policial adianta que as autoridades tiveram acesso a diversas provas do testemunho da mulher, incluindo caixas de medicamentos e vídeos em que o marido parecia contaminar os copos de água. 

O procurador responsável pelo caso, Anthony Osso, declarou à estação televisiva KTRK que as alegadas ações de Mason Herring foram "premeditadas" e "manipuladoras". "O que estamos a alegar que o Sr. Herring fez, e que acreditamos ser sustentado pelas provas, é um acto hediondo. Fazer isto a alguém que confia em nós significa aproveitarmo-nos dessa confiança", afirmou.

Os advogados de Herring recusam-se a comentar, mas dizem estar confiantes de que "[prevalecerão] em tribunal quando chegar o momento de refutar estas alegações".

O Texas é um dos estados norte-americanos em que a interrupção da gravidez foi totalmente banida em todas as situações, incluindo violação ou incesto, após o Supremo Tribunal ter revertido a lei que assegurava o direito constitucional ao aborto em junho. Ajudar uma mulher a abortar é também considerado crime por esta lei - e, neste caso particular, agravado por desrespeitar o conhecimento e consentimento da gestante. 

E.U.A.

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