A Ribeira do Porto foi distinguida: zona histórica é um "tesouro cinematográfico" que "é preciso proteger"

22 set, 22:33

Zona histórica do Porto foi considerada um "tesouro cinematográfico" pela Academia Europeia do Cinema. Integra uma lista com 22 locais espalhados por vários países da Europa

Quando Manoel de Oliveira filmou a Ribeira do Porto, inicialmente sem qualquer experiência e com uma câmara oferecida pelo pai, estaria longe de imaginar que seria por causa dessas imagens que, muitas décadas mais tarde, esta zona histórica da cidade viria a ser considerada um tesouro do cinema. Mas eis que aconteceu - embora o cineasta portuense já não esteja cá para o testemunhar: a Ribeira do Porto foi considerada um “tesouro cinematográfico” pela Academia Europeia do Cinema, sendo o único lugar do país a integrar esta lista que reúne 22 locais espalhados por toda a Europa.

A distinção, divulgada esta semana pela Academia Europeia do Cinema, destaca três filmes emblemáticos do realizador que têm a Ribeira do Porto como pano de fundo. Um deles é a sua primeira obra, "Douro, Faina Fluvial", uma curta-metragem de 1931 que condensa, em pouco mais de 20 minutos, um período de 24 horas nesta zona da cidade, retratando toda a sua envolvente e as atividades ligadas ao rio. Os outros dois filmes são "Aniki Bobó" (1942), a primeira longa-metragem de ficção, e "O Porto da Minha Infância" (2001), no qual o cineasta descreve as memórias da cidade e da sua própria juventude.

São três filmes ligados pela paisagem do Porto e pelo quotidiano da cidade, nos quais a zona da ribeira adquire quase um estatuto de “personagem” - é um elemento central onde as peripécias se desenrolam e pelo qual o espectador é conduzido, ao longo das diferentes cenas. 

Mais de 90 anos separam essas primeiras imagens captadas pelo olhar contemplativo de Manoel de Oliveira e os postais fugazes registados atualmente pelos turistas, num dos locais mais procurados da cidade. E a passagem do tempo ditou profundas transformações: a faina fluvial deu lugar ao fenómeno do turismo, multiplicaram-se os cafés e os restaurantes, muitos espaços que outrora eram habitacionais transformaram-se em alojamentos para hóspedes temporários. 

O que a Academia Europeia de Cinema vem dizer, com esta lista de "tesouros cinematográficos", é que a Ribeira do Porto está entre 22 locais espalhados pela Europa com um valor histórico que “é preciso manter e proteger, agora e para as gerações futuras”.

Para o organismo é preciso preservar, por exemplo, o Studio Babelsberg (Alemanha), onde Fritz Lang fez "Metropolis" (1927) e Wes Anderson filmou "Grand Budapest Hotel" (2014), a Fontana di Trevi, em Roma, cenário de "A doce vida" (1961), de Federico Fellini, ou uma praia em França, onde Agnès Varda fez "As praias de Agnès" (2008).

"Em vez de nos limitarmos a organizar os prémios europeus de cinema, a Academia Europeia de Cinema vai abranger a história e as pessoas que fizeram o que é hoje o cinema europeu", afirmou o diretor da academia, Matthijs Wouter Knol, em comunicado.

O objetivo da academia é anualmente acrescentar novos locais a esta lista de "tesouros cinematográficos" e trabalhar este património junto de novos públicos.

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