Cai quase tudo num início de ano difícil motivado pelas ligações à administração Trump
A receita líquida da Tesla no primeiro trimestre de 2025 caiu 71%, num dos muitos sinais de que a presidência de Donald Trump está a fazer tudo menos bem à empresa de Elon Musk.
Na apresentação dos resultados trimestrais da fabricante de automóveis elétricos, a empresa acabou por confirmar o que todos temiam: resultados perto do desastre.
É o resultado do excessivo envolvimento de Elon Musk, presidente da Tesla, no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) da administração Trump. E esse papel tem influência em dois sentidos: não só o homem mais rico do mundo tem menos tempo para dedicar à empresa, como a sua aproximação do governo o deixa mais vulnerável às decisões tomadas pela Casa Branca, muitas das quais em contraciclo com os interesses da fabricante de automóveis elétricos.
Os sinais negativos também se verificam nas ações, altamente atingidas desde a tomada de posse de Donald Trump, depois de subidas em flecha logo a seguir à eleição.
E foi por isso que a empresa anunciou um ajuste de 27 cêntimos por ação, numa estimativa que falha as expectativas dos analistas em 41 cêntimos.
Resultados explicados em grande parte pela quebra na venda de automóveis, nomeadamente mercados como a China ou a Alemanha, mas também na Alemanha.
Veja-se o exemplo da Califórnia, o maior mercado de veículos elétricos do mundo, onde a quota de mercado da Tesla caiu uns impressionantes 44% no registo de veículos elétricos, de acordo com dados da Associação de Negociantes de Novos Carros daquele estado norte-americano, considerado um dos mais progressistas e democratas.
Já para fora do país, a exportação de carros elétricos para a China caiu 22% e para a Alemanha caiu mesmo 62%.
Embora tenha registado 19,3 mil milhões de dólares em receitas no primeiro trimestre de 2025, esse valor significa uma quebra de 9% em relação ao mesmo período do ano passado, o que confirma um retrocesso da Tesla, e não o contrário. Lucros esses provenientes em grande parte pela distribuição de energia, que cresceu 67%, nomeadamente pelo pagamento que outras marcas fazem à empresa de Elon Musk como compensação pela venda de veículos a combustão.
Feitas as contas, a conclusão é simples: o principal negócio da Tesla está sob pressão e as tarifas não vieram ajudar. As entregas globais caíram 13% nos primeiros três meses do ano, com a marca a enfrentar vários protestos e até atos de vandalismo a alguns dos seus stands, com os consumidores irritados pela ligação de Elon Musk à administração Trump.
Espera-se que a Tesla apresente uma versão mais barata do seu veículo mais vendido, o Model Y SUV, este ano. E deve começar um serviço de robotaxi, sem condutor, em Austin, no estado do Texas, em junho.
Por outro lado, a empresa que dominou o mercado dos veículos elétricos enfrenta uma competição forte pela primeira vez.
No início deste ano, o fabricante chinês de carros elétricos BYD anunciou que tinha desenvolvido um sistema de carregamento de baterias elétricas que pode abastecer totalmente um veículo em minutos.
E os rivais europeus da Tesla começaram a oferecer novos modelos com tecnologia avançada que os torna alternativas reais aos carros de Musk, além de a opinião pública na Europa se ter virado contra ele.
Por outro lado, os investidores acreditam que a Tesla será menos afetada pelas taxas alfandegárias de Trump do que os ouros construtores automóveis, porque produz a maior parte das viaturas nos EUA. Mas não totalmente imune, uma vez que alguns materiais são importados, pelo que vão ficar mais caros.
É ainda de considerar a retaliação proveniente da China, uma vez que deixou de aceitar encomendas dos clientes chineses relativas aos modelos S e Model X. Ora, a Tesla produz os modelos Y e 3 para o mercado chinês na fábrica que tem em Xangai.