Funcionários da Tesla começaram a receber e-mails indicando o número de dias em que não trabalharam presencialmente

CNN Portugal , FMC
30 jun, 17:11
Abertura da primeira fábrica da Tesla na Europa (Patrick Pleul/Pool via AP)

Um funcionário da Tesla relatou num fórum da empresa para uso profissional que recebeu um comunicado automático da empresa a pedir que justificasse a quantidade de dias em que não tinha estado pessoalmente nas instalações da empresa no último mês

A situação foi relatada, na terça-feira, por um funcionário da Tesla, empresa detida por Elon Musk, que publicou na plataforma "Blind" uma captura de ecrã de um e-mail que tinha recebido. A mensagem identificava o número de dias em que o funcionário não tinha estado nas instalações da empresa no último mês e solicitava uma justificação para a ausência. As faltas tinham sido calculadas automaticamente através das entradas registadas no cartão pessoal do funcionário.

A plataforma onde estas informações foram divulgadas é um fórum onde os funcionários podem discutir anonimamente questões relacionadas com a empresa. 

Captura de ecrã da Plataforma Blind

"Esta é uma notificação automática", lê-se na mensagem divulgada pelo funcionário. "Está a receber este e-mail porque não há registo de ter utilizado o seu cartão para entrar numa instalação Tesla em pelo menos 16 dias de um período de 30 dias que termina a 28 de Junho. Como lembrete, espera-se que todos os funcionários estejam de volta ao escritório, a tempo inteiro. Compreendemos que existem várias razões pelas quais poderá não ter entrado com o seu cartão, incluindo doença, férias ou viagens de negócios. Seja qual for o caso, por favor, esclareça a razão da sua ausência com o seu gerente por e-mail, enviando também uma cópia para absence@tesla.com". 

A notícia foi avançada pelo jornal Insider que procurou comentários por parte da Tesla, mas que não obteve qualquer resposta.

Outro funcionário da firma de automóveis declarou também no site "Blind" que esta nova política seria desencorajadora para os empregados.

"Isto parece errado", escreveu. "Não consigo expressar em palavras porque é que me incomoda, parece que é excessivo. É controlador. É desrespeitoso".

Esta política poderá ser contraproducente e levar à saída dos trabalhadores. Segundo o The Insider foi o que aconteceu na corporação JPMorgan que implementou medidas de controlo de assiduidade, levando muitos trabalhadores a procurar outros empregos. 

Aliada a esta nova medida estão outras que têm gerado controvérsia e amplo descontentamento, o que motivou empresas como a Microsoft e a Amazon a tentar recrutar funcionários da Tesla no LinkedIn.

Uma das razões foi o ultimato que Musk fez, no final de maio, à equipa executiva de carros elétricos: "qualquer pessoa que deseje fazer trabalho remoto deve estar no escritório por um mínimo (e quero dizer *mínimo*) de 40 horas por semana ou deixar a Tesla. Isso é menos do que pedimos aos trabalhadores da fábrica.”

Como resultado, na segunda-feira, o site The Information - que se foca em artigos relacionados com a indústria tecnológica - noticiou que os trabalhadores na fábrica de Fremont estavam a ter dificuldades em encontrar lugares tanto de estacionamento como nas secretárias, ficando impedidos de cumprir as suas funções. Os gestores da instalação tiveram de desconsiderar o pedido do magnata e apelar a que os funcionários ficassem em teletrabalho alguns dias da semana.

Passado pouco tempo dessa exigência, Elon comunicou que queria despedir 10% dos funcionários da Tesla por ter "um péssimo pressentimento sobre a economia" norte-americana. Mais uma vez, escolheu o e-mail para divulgação desta decisão. Contudo, dias mais tarde, escolheu o Twitter para afirmar que o número de funcionários da empresa iria aumentar durante os próximos 12 meses, embora a quantidade de efetivos assalariados se mantivesse quase inalterada.

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