Governo ainda não sabe se vão passar carros na nova ponte. IP vai fazer estudo até ao final do ano

15 mai, 08:00
Ponte 25 de Abril (imagem Getty)

Congestionamento e poluição são duas das desvantagens para acrescentar a componente rodoviária na ponte. Além desta questão, a IP vai também estudar se serão duas ou quatro linhas ferroviárias

O Governo anunciou que a Terceira Travessia de Tejo vai ser construída entre Chelas e o Barreiro, mas pediu às Infraestruturas de Portugal (IP) que até ao final do ano desenvolva estudos para se tomar a decisão sobre a configuração desta nova ponte. 

Os estudos vão ser feitos para decidir se a terceira travessia será apenas ferroviária ou também rodoviária. Outra questão que o Executivo de Luís Montenegro pediu à IP para analisar até dezembro deste ano foi o número de linhas de ferrovia a construir na ponte, estando em cima da mesa a possibilidade de serem duas ou quatro, apurou a CNN Portugal. 

A IP - entidade que faz a gestão da rede rodoviária e ferroviária no país - irá agora atualizar os estudos que já foram feitos anteriormente sobre esta nova ponte. Só depois, a partir de 2025, se poderá avançar para os estudos prévios e estudos de impacto ambiental da nova travessia.

O ponto mais polémico destas decisões será a existência ou não de uma componente rodoviária. Isto porque há desvantagens conhecidas como os elevados níveis de poluição e também o aumento do congestionamento que essa opção pode trazer para Lisboa. Mas por outro lado, e de acordo com os estudos que têm sido elaborados, existem vantagens como a de ser útil para o novo aeroporto e de ser uma alternativa, uma vez que as outras duas pontes que atravessam o Tejo se encontram esgotadas. Um dos fatores que pode pesar na decisão de avançar para a passagem de automóveis é o facto de a zona do Barreiro e do Seixal não disporem de um eficaz serviço rodoviário para Lisboa, como sucede nas outras áreas à volta da capital.  

São questões como estas que serão agora alvo de estudo por parte da IP que tem de rever os dados e avaliações feitas em trabalhos anteriores. É que há várias situações que, entretanto, mudaram, como a existência de cada vez mais carros elétricos, o que pode diminuir o problema da poluição. Aliás, a resolução do Conselho de Ministros aponta para que esta terceira travessia seja “tendencialmente” ferro e rodoviária, o que revela alguma vontade de permitir que a nova ponte seja usada por automóveis, além de comboios. 

No que se refere à quantidade de linhas, sabe a CNN Portugal, os últimos estudos apontavam no sentido de serem necessárias quatro, uma vez que ali vão circular comboios suburbanos, regionais e outros, como em direção a Espanha e ainda de mercadorias. Mas cabe agora à IP avaliar o impacto financeiro e de utilidade da composição da nova ponte.

Outra novidade relacionada com a terceira travessia diz respeito ao modelo de gestão. Em 2030 acaba a concessão à Lusoponte da Ponte Vasco da Gama e da Ponte 25 abril, o que permite ao Governo lançar um concurso para que a entidade que fique com a gestão destas duas travessias fique também encarregada de construir a nova ponte. 

Segundo a informação avançada esta terça-feira pelo Governo, esta nova ponte sobre o Rio Tejo irá permitir o “aumento da competitividade dos serviços ferroviários entre Lisboa e a região sul, Alentejo e Algarve, com redução de cerca de 30 minutos face aos percursos atuais”. Irá ainda reduzir o “tempo de percurso entre Lisboa e Barreiro para 10 min e de Lisboa para Setúbal para 30 minutos. 

Esta nova travessia entre Chelas e o Barreiro será ainda usada para permitir a ligação de Lisboa ao Novo Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete através do TGV. Ou seja, nela passará a linha de alta velocidade que ligará, em 2034, a capital portuguesa à capital espanhola e na qual haverá um ramal que chega ao novo aeroporto de Lisboa. Um ramal que se situa a cerca de 30 quilómetros de Lisboa. 

A IP tem agora pouco mais de seis meses para concluir os estudos sobre a nova ponte. Estudos estes que estavam já previstos no Programa Nacional de Investimentos 2030, mas que Luís Montenegro quer acelerar.

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