As tempestades supercelulares são fenómenos meteorológicos severos e perigosos, capazes de desencadear granizo destrutivo, ventos violentos e tornados de grande intensidade.
Estes sistemas estão na origem de quase todos os tornados mais violentos registados nos Estados Unidos, bem como das maiores pedras de granizo. Eis o que lhes confere tanta força.
Como nascem as tempestades
Para se formarem, as tempestades necessitam de humidade, energia (o que os meteorologistas designam por instabilidade) e algum tipo de mecanismo de elevação. Geralmente, esta elevação resulta da colisão entre massas de ar frio e quente ao longo de uma linha conhecida como frente.
Assim que ganham vida, estes fenómenos assumem duas formas principais: unicelulares e multicelulares.
As tempestades unicelulares desenvolvem-se de forma isolada e assim permanecem. São o exemplo clássico dos aguaceiros e trovoadas de curta duração que ocorrem nas tardes de primavera e verão. Já as multicelulares ocorrem quando as tempestades individuais se formam e acabam por se fundir em linhas ou aglomerados.
As tempestades supercelulares também são unicelulares, mas a sua duração é bastante superior, estendendo-se por horas em vez de minutos. O prefixo "super" no seu nome refere-se precisamente a esse tempo de vida prolongado.
O que distingue as supercélulas
As supercélulas apresentam uma característica principal que as mantém ativas durante mais tempo do que as restantes tempestades: uma poderosa corrente ascendente em rotação.
Uma corrente ascendente consiste numa coluna de ar que se eleva rapidamente numa tempestade, alimentando-a com o ar húmido e a energia de que necessita para crescer e ganhar intensidade.
Esta rotação consegue organizar as nuvens em extensas faixas sobrepostas que envolvem a corrente ascendente. Este aspeto valeu-lhes a alcunha de "nave-mãe", uma vez que se assemelham a um disco voador ou a uma nave extraterrestre a pairar no céu.
Uma vez que todas as tempestades possuem uma corrente ascendente, é a rotação que confere às supercélulas o seu elevado grau de perigo.
A corrente ascendente entra em rotação quando existe cisalhamento do vento (ou wind shear) suficiente na atmosfera, ou seja, uma alteração na velocidade ou direção do vento à medida que a altitude aumenta. A rotação mantém a corrente ascendente forte e constante durante mais tempo, atraindo uma maior quantidade de humidade e energia.
Quando uma tempestade supercelular se forma, é quase certo que irá originar algum tipo de fenómeno meteorológico severo, sob a forma de queda de granizo ou de rajadas de vento destrutivas.
Os dados do Serviço Nacional de Meteorologia norte-americano indicam que nem todas as tempestades supercelulares originam tornados. Na verdade, apenas 20% a 30% acabam por o fazer. No entanto, os tornados nascidos de uma supercélula têm uma maior probabilidade de atingir os níveis mais altos da Escala Fujita Melhorada (EF).
Nos radares meteorológicos, as supercélulas desenvolvem frequentemente um aspeto visual característico, em especial quando estão prestes a formar um tornado. Este padrão é conhecido como "eco em gancho", sendo exclusivo deste tipo de tempestades. A forma em espiral constitui uma maneira simples de identificar a poderosa corrente ascendente em rotação de uma supercélula.
