Como manter privadas as suas conversas privadas

CNN , Clare Duffy
20 abr 2025, 16:00
Signal
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À medida que vivemos mais das nossas vidas online, é importante compreender quem pode ter acesso às nossas conversas e pesquisas na Internet - e compreender como manter a privacidade num mundo cada vez mais ligado.

Desde que o bilionário Elon Musk e os seus associados do Departamento de Eficiência Governamental invadiram várias agências governamentais, os jornalistas encorajaram os funcionários públicos federais a contactá-los através de plataformas encriptadas de ponta a ponta, como a aplicação de mensagens Signal.

A Signal é uma das várias ferramentas relativamente simples que podem ser utilizadas não só para ajudar a manter conversas seguras com os jornalistas, mas também para comunicar com os colegas quando não estão a discutir projetos de trabalho, a pesquisar recursos legais ou mesmo a conversar com amigos.

 

Utilizar dispositivos e redes pessoais

É seguro assumir que tudo o que faz num computador ou telefone do trabalho pode ser visível pelo seu empregador, porque este tem o direito de monitorizar a utilização dos dispositivos que lhe pertencem.

“É preciso pensar em quem tem acesso às comunicações que estamos a fazer se estivermos preocupados com a possibilidade de alguém tentar retaliar-nos por termos estas conversas”, diz Daniel Kahn Gillmor, tecnólogo sénior do Projeto de Discurso, Privacidade e Tecnologia da ACLU.

Tendo isso em mente, é uma boa ideia usar um dispositivo pessoal para conversas pessoais e pesquisas no Google.

O mesmo se aplica ao uso da rede Wi-Fi do empregador, através da qual este pode conseguir ligar os pontos entre as comunicações dos funcionários. Guarde qualquer queixa sobre o trabalho para a rede de sua casa ou para o seu plano de dados pessoal.

Na rede Wi-Fi do trabalho, “eles podem não ver exatamente o que está a dizer, mas verão com quem o está a dizer”, explica Daniel Kahn Gillmor.

 

Signal

Há uma série de plataformas tecnológicas que anunciam serviços de encriptação para privacidade - incluindo o iMessage e o WhatsApp - mas os especialistas em segurança de dados concordam que a Signal é o padrão de ouro.

A Signal parece uma aplicação de mensagens normal para enviar mensagens de texto e fazer chamadas telefónicas. Mas é propriedade de uma organização sem fins lucrativos, não de uma empresa privada, e a aplicação é encriptada de ponta a ponta por defeito. Isso significa que o conteúdo de uma conversa é codificado quando está a viajar entre o remetente e o destinatário, para que ninguém, exceto as partes envolvidas na conversa, o possa ver.

“Se apareceres com um mandado ou uma intimação judicial dirigida ao Signal, eles praticamente não têm nada sobre ti que possam entregar,” garante Eva Galperin, diretora de cibersegurança na Electronic Frontier Foundation.

Em aplicações de mensagens não encriptadas, um empregador ou as autoridades policiais podem, em teoria, forçar a plataforma a entregar as conversas de um utilizador através de uma intimação.

A encriptação de ponta a ponta não é algo exclusivo da Signal, mas, segundo Gillmor, algumas apps que a oferecem, como o WhatsApp, podem ainda aceder a contactos não encriptados e ver com que outras contas interagiste — algo que os programadores da Signal não conseguem fazer.

Além disso, quer uses a Signal ou o WhatsApp, os especialistas recomendam ativar a função de “mensagens que desaparecem”, que apaga automaticamente as conversas ao fim de um período definido — horas ou dias — o que pode impedir que alguém aceda às mensagens mesmo que tenha o teu telemóvel.

 

Tor Browser

Muitas pessoas já ouviram falar de VPNs (redes privadas virtuais), que funcionam como túneis entre o teu dispositivo e a internet, ocultando a origem do teu tráfego.

Embora mais privadas, as empresas de VPN podem ser obrigadas a entregar informações sobre o teu tráfego, caso recebam uma ordem judicial.

“Quando usas uma VPN, a empresa sabe tudo sobre o teu tráfego — sabe de onde vens e para onde vais. Se alguém no outro extremo da transação vir um IP associado à VPN, pode intimar essa empresa,” explica Eva Galperin.

De acordo  com os especialistas, a opção mais segura é usar o navegador Tor. Tal como o Firefox ou o Safari, pode ser descarregado, mas distribui o tráfego através de uma rede global de “nós” (computadores), dificultando que alguém aceda ao tráfego de um único utilizador. O Tor também impede que os sites vejam o teu endereço IP, o que poderia ser usado para te identificar.

“Se usaste o Tor e mais tarde alguém pedir à Google, por mandato, todos os termos pesquisados no teu computador de casa ou numa sessão com a tua conta Google iniciada, não vão ver coisas como ‘jornalistas de confiança para divulgar informação’,” exemplifica Eva Galperin.

Vários meios de comunicação têm também pastas SecureDrop, que permitem enviar documentos e mensagens encriptadas de forma anónima usando o Tor.

Outras boas práticas

Algumas empresas recorrem a medidas agressivas para identificar funcionários que divulgam informações, como marcas de água em emails ou pequenas alterações no conteúdo para cada destinatário.

Por isso, os especialistas recomendam cautela ao partilhar capturas ou fotos de emails/documentos, já que até documentos impressos podem conter “pontos da impressora” — códigos invisíveis que indicam a data, hora e localização da impressão.

Também é importante lembrar que quebrar acordos de confidencialidade ou partilhar informação sensível pode acarretar consequências legais se fores identificado.

Ainda assim, Daniel Kahn Gillmor defende que vale a pena identificar canais de comunicação privados com colegas ou amigos: “Proteger os nossos direitos é um desporto de equipa,” diz. “Investir tempo a perceber como funcionam estas ferramentas — e ajudar os outros a fazer o mesmo — mesmo que nunca venhas a usá-las numa situação extrema, continua a ser algo positivo.”

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