Nova temporada do Teatro D. Maria II arranca com espetáculo de Pedro Penim: "Casa Portuguesa"

CNN Portugal , MJC
23 jun, 22:16
Pedro Penim, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II (José Sena Goulão/ Lusa)

O teatro reabre, após as férias, com um espetáculo do novo diretor artístico. A programação até dezembro inclui quatro espetáculos internacionais e uma homenagem a Ruy de Carvalho

Será com "Casa Portuguesa", a primeira criação de Pedro Penim enquanto diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, que arranca a próxima temporada daquele teatro no Rossio, em Lisboa. Neste espetáculo, com referências à canção de Amália, claro, reflete sobre a sua posição enquanto diretor daquela que é considerada a casa do teatro português, mas também na própria ideia de casa, que “é uma ideia que tem evoluído muito ao longo da história, não só a casa mas quem ocupa a casa, a família, o chefe da casa, como ele se vai modificando na sua índole e na sua forma de ação”. Será por isso também sobre a família e a sua organização social em Portugal, olhando o passado e questionando o presente. E em que Penim traz para o palco algumas memórias da sua família, concretamente do seu pai, "que fez a guerra em África, obrigado como muitos" outros.

Teatro Nacional D. Maria II apresentou esta quinta-feira a programação para os primeiros meses da sua nova temporada, que se inicia a 22 de setembro e que marca as últimas apresentações no Rossio, antes do início das obras que decorrerão durante todo o ano de 2023. Até lá, serão apresentados oito espetáculos - quatro produzidos ou coproduzidos pelo D. Maria II e quatro espetáculos internacionais - e ainda várias atividades, de diferentes naturezas, incluindo concertos, leituras encenadas e debates. Será a primeira temporada já com programação de Penim mas que terá ainda projetos programados pelo seu antecessor, Tiago Rodrigues.

Se na Sala Garrett se vê "Casa Portuguesa", a Sala Estúdio reabre depois das férias com o Ciclo "Antecipar o Futuro", um programa de cultura contemporânea, dedicado ao pensamento, à política, à tecnologia e à arte que há de vir, composto por dois projetos: "Cosmic Phase/Stage", da autoria de Ana Libório, Bruno José Silva, Carlos Cardoso e João Estevens; e "Atlântida" (título provisório), de Odete. 

Da lista de espetáculos programados até ao final do ano, fazem ainda parte: "Zoo Story", um espetáculo de Marco Paiva, a partir de Edward Albee; "Cadernos de", uma criação de Raquel S.; e "Espelhos e Monstros", de Paula Diogo. O último quadrimestre do ano traz também aos palcos do D. Maria II duas produções internacionais: "Ça Ira (1) Fin de Louis", um espetáculo do criador francês Joël Pommerat; e "Dobra", uma criação de Romain Beltrão Teule.

Ruy de Carvalho também é um dos nomes de destaque da nova temporada. "Teremos uma homenagem a Ruy de Carvalho, que faz 80 anos de carreira - um número redondo e quase impossível de pensar -, e que tem aqui a sua casa, fez aqui muitos espetáculos. Não se estreou aqui, mas quase. E então teremos, no dia 26 de novembro, um dia de grande homenagem a esse enorme ator”, explicou Penim.

Em janeiro, o D. Maria II encerra as portas do Rossio para fazer obras profundas de remodelação e a programação inicia um périplo por todo o território, com o projeto Odisseia Nacional. Será, explica o diretor artístico, uma operação inédita, histórica e de larga escala que, nas palavras de Pedro Penim "atende à missão do Teatro Nacional D. Maria II, consagrada na lei, onde está expressa a necessidade de potenciar a relação do teatro com todo o território português. Mais do que descentralizar, o D. Maria II quer procurar novos centros, envolvendo populações, agentes culturais e a administração autárquica, de mais de 90 municípios. Um momento em que toda comunidade é convocada a pensar o território português, através da arte teatral".

Com a Odisseia Nacional, o teatro estará presente em todo o país com espetáculos, coproduções com agentes locais, projetos de comunidade, ações pedagógicas com instituições de ensino, eventos de pensamento, ciclos de formação e uma grande exposição dedicada aos últimos 100 anos do teatro português. 

A apresentação da temporada completa será feita no dia 18 de novembro, mas já se sabe que o espetáculo de arranque oficial da digressão será “Casa Portuguesa", no Teatro Nacional São João, no Porto.

“É uma programação que pensa de uma forma muito crítica o que é a identidade portuguesa, o que é o território português, é uma programação que tenta repensar a história, não só a história contemporânea, mas também a história mais recuada, de alguma forma transformá-la também à sensibilidade dos dias de hoje, e há muito humor, é uma marca que para mim é bastante relevante. É nessa combustão de todas estas ideias que, se calhar, se encontra, sem ser a minha marca, a minha personalidade”, explicou Pedro Penim.

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