O ritmo de subida das taxas Euribor deu alguns sinais de abrandamento em junho. Mas não será suficiente para impedir uma nova subida da prestação a pagar ao banco para quem tenha o seu contrato de crédito à habitação a ser revisto em julho. Confira o seu caso
Com a informação atual, teremos de aumentar ainda mais as taxas de juro para trazer a inflação de volta à nossa meta de 2 % a médio prazo", Isabel Schnabel, membro do Conselho de Governadores do BCE
Os titulares de contratos de crédito à habitação que sejam revistos em julho vão voltar a ver a prestação a pagar ao banco aumentar devido à subida das taxas de juro. Apesar deste aumento nem tudo são, no entanto, más notícias uma vez que o ritmo de subida das taxas está a dar sinais de algum abrandamento.
A subida da Euribor 3 meses continuou a acelerar em junho, mas no caso da Euribor 6 meses o ritmo da subida mensal foi menor e no caso da Euribor 12 meses houve mesmo uma diminuição face a maio. Ainda assim, mesmo neste caso, haverá um aumento da prestação a pagar ao banco uma vez que os meses relevantes para determinar o valor da prestação resulta da comparação entre junho deste ano e junho do ano passado, data em que foi calculada a última revisão dos contratos indexados à Euribor 12 meses.
A subida das taxas juros decorre em grande parte do facto de o Banco Central Europeu (BCE) ter voltado a subir as suas principais taxas diretoras, com uma subida da taxa de depósitos em 0,25 pontos, para 2,25%. Esta foi a primeira subida desde 2023 e foi a forma encontrada pela instituição liderada por Christine Lagarde para combater as pressões inflacionistas originadas pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel sobre o Irão no final de fevereiro. Com estes ataques e o consequente fecho do Estreito de Ormuz, registou-se uma subida muito acentuada dos preços do petróleo que acabou por se espalhar pela economia o que, por sua vez, levou a taxa de inflação na zona euro a subir para 3,2% em maio, bem acima da meta de 2% defendida pelo BCE como o valor que garante a estabilidade dos preços. Em virtude destas subidas, o BCE acabaria também por rever as suas projeções para a inflação na zona euro em termos anuais, apontando, agora, para um valor de 3% em 2026.
Depois da subida de taxas diretoras realizada pelo BCE em junho, as perspetivas são de que haverá pelo menos mais uma subida de taxas de juro até ao final do ano, mesmo tendo em conta as tréguas entretanto negociadas entre EUA e Irão que permitiram reabrir o Estreito de Ormuz fazendo descer o preço do barril para valores anterior ao início da guerra. Prova disso são as recentes declarações de Isabel Schnabel, influente membro do Conselho de Governadores do BCE que não deixou margem para dúvidas e garantiu que com a informação atual, o BCE terá de aumentar as taxas de juro para recolocar a taxa de inflação perto da meta de 2%.
Independentemente do que vier a acontecer na próxima reunião do BCE, a 23 de julho, certo é que quem tiver o seu contrato de crédito à habitação a ser revisto em julho irá sentir um aumento significativo da prestação a pagar ao banco.
Usando como exemplo um contrato a 30 anos de 200 mil euros, indexado à Euribor 6 meses e com um spread (margem do banco) de 1%, a prestação a pagar ao banco deverá aumentar um pouco mais de 46 euros, passando de uma prestação de 865,80 euros para 911,83 euros. Para o mesmo exemplo, mas usando com indexante a Euribor 12 meses, a subida da prestação deverá atingir os 74 euros, passando de uma prestação de 861 euros para 935 euros.
Confira o seu caso:
Como vai evoluir a prestação da casa em julho
Empréstimo a 30 anos com spread de 1% || Dados de junho até dia 29
EURIBOR 3 MESES
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EURIBOR 6 MESES
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EURIBOR 12 MESES
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NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos
Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread (margem do banco) de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.
NOTA 2 | O que são as taxas Euribor
Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).
