As taxas Euribor voltaram a descer na maioria dos casos, mas os contratos indexados à Euribor 6 meses vão ser penalizados. Taxas de juro deverão manter tendência de estabilidade, pelo menos, até ao final do ano. Confira o seu caso
A maioria dos detentores de contratos de crédito à habitação cuja revisão ocorra em março vai sentir uma diminuição das prestações a pagar ao banco. A única exceção serão os detentores dos contratos indexados à Euribor 6 meses que terão mesmo de enfrentar uma subida da prestação. Em ambos os casos, tanto a descida, como a subida, será, no entanto, muito ligeira em resultado do atual cenário de estabilização de taxas de juro.
As revisões a ocorrer no próximo mês resultam da evolução das médias mensais das taxas Euribor e olhando para a evolução que se verificou em fevereiro, não tendo ainda em conta o valor de hoje, o resultado mostra que na Euribor 3 meses e na Euribor 12 meses houve uma diminuição face a janeiro. Já no caso da Euribor 6 meses, houve uma subida.
Para calcular a nova prestação de março, os bancos utilizam a média das taxas Euribor do mês anterior, neste caso as taxas de fevereiro, mas a comparação que fazem não é com o mês anterior, mas com a taxa relevante no momento da última revisão. Por exemplo, no caso dos contratos indexados à Euribor 3 meses, as taxas relevantes a comparar são as de fevereiro de 2026 com as que serviram de base à última revisão, neste caso, as taxas de novembro do ano passado. E neste caso também houve uma descida e, por isso, haverá uma descida da prestação. O mesmo acontece com a Euribor 12 meses, quando se compara a taxa de fevereiro de 2026 com a de 2025, verifica-se uma diminuição.
Já no caso dos contratos indexados à Euribor 6 meses, a taxa relevante a comparar é a de fevereiro de 2026 com a de agosto do ano passado, a que serviu de base à última revisão, e entre esses dois momentos houve uma subida da taxa de juro, decorrendo dessa subida uma maior prestação a pagar ao banco.
Em Portugal, recorde-se, mais de 90% dos contratos de crédito à habitação existentes utilizam taxas variáveis ou mistas e, dentro destas, 25% são contratos indexados à Euribor 3 meses. O indexante mais utilizado em Portugal é, no entanto, a Euribor 6 meses, com uma fatia de 38,5% dos contratos existentes. Já os contratos indexados à Euribor 12 meses representam 31,75% do total.
As pequenas oscilações que se verificam atualmente nas taxas Euribor resultam, em grande parte, da estabilidade da política de taxas de juro seguida pelo Banco Central Europeu (BCE). Depois de um período de subida muito agressiva das principais taxas diretoras da instituição liderada por Christine Lagarde para controlar a inflação, verificou-se uma descida de taxas, mas a um ritmo mais lento. A principal taxa diretora do BCE, a taxa de depósitos, passou de um valor negativo (-0,5%) em meados de 2022 para uma taxa de 4% em setembro de 2023. Já a descida de taxas, começou em junho de 2024, e a última descida, para os atuais 2%, verificou-se em junho de 2025 e, desde então, manteve-se inalterada.
Nos mercados a expectativa é, agora, que a taxa de depósitos do BCE se mantenha inalterada nos 2%, pelo menos até ao final de 2026 e, como tal, também deve ser esse o cenário nas taxas Euribor, mantendo-se em torno dos 2% nos vários prazos, com ligeiras oscilações de subida e de descida. O Banco de Portugal, por exemplo, no seu Boletim Económico de dezembro de 2025, previa que a Euribor a 3 meses, em termos médios anuais, diminuísse de 2,2% em 2025 para 2,0% em 2026 e subisse posteriormente para 2,1% em 2027 e 2,3% em 2028 (tendo por base as expectativas implícitas nos contratos de futuros).
Até lá, em março, a certeza é que haverá uma descida da prestação a pagar ao banco para quem tenha contratos indexados à Euribor a 3 e 12 meses. Já no caso dos contratos indexados à Euribor 6 meses haverá uma subida. Olhando, por exemplo, para um contrato de 200 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor 12 meses e com um spread (margem do banco de 1%), a prestação deverá cair de 894,43 euros para 875,46 euros, uma queda de 18,97 euros. Usando o mesmo exemplo, mas para um contrato indexado à Euribor 3 meses, a queda será de apenas três euros. E ainda seguindo o mesmo exemplo, mas num contrato indexado à Euribor 6 meses, a subida será de 5,72 euros.
Confira o seu caso:
Como vai evoluir a prestação da casa em março
Empréstimo a 30 anos com spread de 1% || Dados de fevereiro até dia 26
EURIBOR 3 MESES
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EURIBOR 6 MESES
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EURIBOR 12 MESES
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NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos
Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.
NOTA 2 | O que são as taxas Euribor
Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).