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Se tem crédito à habitação, a decisão do BCE pode custar-lhe caro

15 jun, 12:17
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Para muitos portugueses, a dificuldade em pagar as prestações da casa parecia estar finalmente a dar sinais de alívio. Mas a recente decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir as taxas de juro em 25 pontos-base veio lembrar que a batalha contra as prestações elevadas não terminou. E isso poderá voltar a fazer-se sentir no orçamento das famílias.

A inflação na Zona Euro voltou a acelerar para níveis acima da meta definida pelo BCE e o agravamento dos preços tem alastrado a todos os setores da economia, levando a autoridade monetária a agir, tal como temos vindo a alertar há alguns meses.

Embora a subida das taxas diretoras não tenha um impacto imediato nos contratos de crédito à habitação, é expectável que pressione a Euribor, o principal indexante dos empréstimos à habitação em Portugal. Para quem tem crédito com taxa variável, isso significa prestações potencialmente mais elevadas nas próximas revisões.

O impacto dependerá sempre do valor em dívida, do prazo que falta para o empréstimo terminar e do indexante contratado, mas mesmo pequenas variações podem traduzir-se em dezenas de euros adicionais por mês. Num contexto em que muitas famílias continuam a enfrentar custos elevados com alimentação, energia e outros bens essenciais, qualquer agravamento da prestação representa uma pressão acrescida sobre o orçamento.

Mas os efeitos desta decisão não se limitam a quem já tem crédito. Quem está a pensar comprar casa também poderá enfrentar maiores dificuldades. Juros mais elevados reduzem a capacidade de endividamento e podem levar os bancos a serem mais exigentes na análise dos pedidos de financiamento. O Banco de Portugal já tinha anunciado que iria reavaliar as regras prudenciais aplicáveis ao crédito à habitação. Com a decisão do BCE, mais expectável se torna que avance com a redução da taxa de esforço máxima recomendada.

Perante este cenário, é fundamental que os consumidores acompanhem a evolução do seu empréstimo, simulem diferentes cenários e comparem regularmente as ofertas disponíveis no mercado. A estabilidade do último ano, no que aos créditos à habitação diz respeito, gerou um clima de confiança, mas a decisão do BCE mostra que o atual contexto exige particular prudência.

Quando se trata de crédito à habitação, antecipar os riscos continua a ser a melhor forma de proteger as finanças familiares.

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