Banco Central Europeu volta a descer as taxas de juro

Agência Lusa , com TFR
17 abr 2025, 13:21
Banco Central Europeu (Lusa)
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O BCE avança ainda que "o processo de desinflação está no bom caminho"

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira baixar as taxas de juro em 25 pontos base, como já era antecipado pelos mercados, a sétima redução desde que iniciou este ciclo de cortes em junho de 2024.

As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão reduzidas para, respetivamente, 2,25%, 2,40% e 2,65%.

"O processo de desinflação está no bom caminho. A inflação continuou a evoluir como esperado pelos especialistas, tendo a inflação global e a inflação subjacente diminuído em março", afirmou o BCE em comunicado.

"A economia da área do euro tem vindo a ganhar alguma resistência aos choques mundiais, mas as perspectivas de crescimento deterioraram-se devido ao aumento das tensões comerciais. O aumento da incerteza é suscetível de reduzir a confiança das famílias e das empresas, e a reação adversa e volátil do mercado às tensões comerciais é suscetível de ter um impacto restritivo sobre as condições de financiamento", acrescentou ainda.

Tarifas são "choque negativo"

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que já há tarifas que estão em vigor e que são um "choque negativo na procura", que se pode agravar com taxas adicionais.

Na conferência de imprensa após ter sido anunciado mais um corte nas taxas de juro em 25 pontos base, a presidente do BCE apontou que se vive um ambiente de incerteza e que os efeitos das tarifas ainda não são completamente claros.

"Sabemos que é um choque negativo na procura e podemos antecipar que vai ter algum impacto no crescimento, mas o impacto líquido na inflação ficará mais claro com o tempo", salientou a responsável, admitindo que há possíveis efeitos das tarifas, como a fragmentação de cadeias de fornecimento, que podem levar a pressões inflacionárias mas também no sentido contrário.

No que diz respeito à atividade económica, a "escalada nas tensões de comércio global vai provavelmente baixar o crescimento da área do euro e pode arrastar o investimento e o consumo".

Lagarde destacou que algumas das tarifas já estão em vigor, que subiram de aproximadamente 3% até 13% em termos de taxas em bens exportados para os EUA, mas também há a "perspetiva de algo que pode ser muito mais impactante e há uma série de respostas potenciais do lado da Comissão Europeia".

Assim, existe ainda muita incerteza e "haverá muitas decisões das próximas semanas e meses que serão decisivos", notou, recordando que a pausa de 90 dias determinada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, para as tarifas adicionais vai acabar.

Neste cenário, a responsável garantiu que a decisão de cortar as taxas diretoras em 25 pontos base foi unânime entre os governadores: "opções foram debatidas, mas ninguém defendeu um corte de 50 pontos", disse.

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