União Europeia promete contra-atacar tarifas de Trump: "Se atacam um de nós, atacam todos nós"

3 abr 2025, 05:10

Ursula von der Leyen anunciou que estão já a ser preparadas contramedidas para responder ao anúncio de tarifas no valor de 20%

“Um grande golpe” na economia e em todos os consumidores mundiais. É desta forma que a União Europeia vê o anúncio do presidente dos Estados Unidos, feito quando a presidente da Comissão Europeia estava, provavelmente, a dormir, na longínqua cidade de Samarkand, Uzbequistão, onde está com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para uma cimeira.

Foi por isso que não houve reação imediata de Bruxelas, mas Ursula von der Leyen não quis deixar Donald Trump esperar muito tempo.

Ainda nas primeiras horas da madrugada europeia, mais precisamente por volta das 04:30 portuguesas, a conta oficial da presidente da Comissão Europeia nas redes sociais colocou uma curta mensagem com pouco mais de cinco minutos.

É lá que se garante que “a Europa está preparada para responder” ao anúncio de tarifas no valor de 20%, uma percentagem que até fica bem abaixo dos 34% aplicados à China ou dos 49% que vão atingir o Camboja.

Ursula von der Leyen lamenta “profundamente” aquilo que deixou claro ser uma “escolha” de Donald Trump, uma escolha que vai ter “consequências imensas” sobre a economia global, que vai “sofrer maciçamente”.

“A incerteza vai entrar em espiral e desencadear o protecionismo. As consequências vão ser terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo, também para os países mais vulneráveis”, referiu, lembrando as tarifas aplicadas a países como o Bangladesh, por exemplo.

É o contrário do que a União Europeia queria, continuou Ursula von der Leyen, que alerta para os efeitos “imediatos” em milhões de consumidores, nomeadamente nos supermercados, farmácias e até transportes.

Mas não é só: “A inflação vai subir e isso vai prejudicar particularmente os cidadãos mais vulneráveis”, referiu, antecipando que todos comecem a sofrer já, sejam as pessoas, sejam as empresas, com a disrupção das cadeias de fornecimento.

“O custo de fazer negócios com os Estados Unidos vai subir drasticamente e parece não haver ordem na desordem”, acrescentou, falando num “caos” instalado por Donald Trump que coloca em causa 80 anos de parceria entre o bloco da União Europeia e os Estados Unidos.

Uma parceria que, disse a presidente da Comissão Europeia, levou à criação de milhões de postos de trabalho e ao desenvolvimento das sociedades ocidentais.

Embora concorde com Donald Trump no ponto que se refere ao aproveitamento feito por países terceiros, ainda que sem se referir a quais, Ursula von der Leyen mostrou-se disponível para trabalhar com a Casa Branca para melhorar o sistema comercial.

“Mas também quero ser clara: utilizar as tarifas como a primeira e última ferramente não vai resultar”, sublinhou, garantindo, como já o tinha feito, que a União Europeia “está sempre pronta para responder”.

“Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em relação ao aço e agora estamos a preparar mais contramedidas para proteger os nossos interesses e os nossos negócios se as negociações falharem”, reiterou.

Para Ursula von der Leyen há “um caminho alternativo”: são as negociações com os Estados Unidos, para as quais está já destacado o comissário do Comércio, Maroš Šefčovič, atualmente em contacto permanente com o lado norte-americano. O objetivo é remover barreiras, e não levantá-las.

Falando depois diretamente para os europeus, a presidente da Comissão Europeia entende que os cidadãos dos 27 Estados-membros estão “desiludidos com o nosso aliado mais antigo”, mas garantiu que “a Europa tem tudo o que é preciso para enfrentar a tempestade”.

“Estamos nisto juntos. Se atacam um de nós, atacam todos nós”, concluiu, referindo que é a unidade europeia que vai prevalecer como a grande força em “tempos tumultuosos”.

“Vamos sempre proteger os nossos interesses e valores. Estamos também prontos para empenhar”, terminou Ursula von der Leyen na mensagem partilhada nas redes sociais.

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