Proposta da União Europeia sobre carros e bens industriais "não chega"
A União Europeia terá de fazer chegar aos Estados Unidos uma proposta “fenomenal” para fazer o presidente norte-americano considerar a suspensão das tarifas, cuja última fase entra em vigor já às 00:00 desta quarta-feira.
O “fenomenal” de Donald Trump são nada mais nada menos que 350 mil milhões de dólares (cerca de 320 mil milhões de euros) gastos em energia produzida pelos Estados Unidos.
Isso mesmo foi confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, que recusou a hipótese de isentar bens industriais e o setor automóvel das tarifas de 20%, como tinha proposto Bruxelas.
Comentários que surgem em resposta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que tinha confirmado uma oferta dos 27 para que carros e bens industriais, que concentram grande parte das exportações comunitárias para os Estados Unidos, ficassem isentos das tarifas.
A partir da Casa Branca, e depois de questionado sobre se esta proposta era suficiente para suspender as tarifas, Donald Trump foi claro: “Não, não chega”.
Já esta terça-feira, e em reação à negativa de Donald Trump, um porta-voz da União Europeia referiu, citado pela agência Reuters, que o bloco continua a querer um acordo e não mais tarifas, sendo o objetivo último evitar uma guerra comercial.
“Temos um défice com a União Europeia de 350 mil milhões de dólares e ele vai desaparecer rapidamente”, apontou o presidente norte-americano, justificando a conta feita para a energia que quer ver comprada pelos 27.
“Uma das formas de ver [o défice] desaparecer rápida e facilmente é eles comprarem-nos energia… eles podem comprá-la, podemos abater 350 mil milhões de dólares numa semana. Têm de comprar e comprometer-se a comprar uma grande quantidade de energia”, reiterou.
Esta ideia de Donald Trump é apenas uma renovação de algo que já tinha sido colocado em cima da mesa, inclusive pela própria Ursula von der Leyen, que sugeriu negociações para a compra de gás natural liquefeito norte-americano, mas as conversas nunca chegaram a desenvolver-se.