Um iPhone a 2.300 dólares? As tarifas de Trump podem "rebentar com a Apple"

3 abr 2025, 20:45
iPhone (AP)

Nem as versões mais "acessíveis" no mercado podem escapar ao aumento dos preços para compensar as tarifas de Donald Trump

Um dos telemóveis mais populares do mercado pode tornar-se ainda mais caro para os norte-americanos, graças às tarifas anunciadas por Donald Trump.

Segundo a agência Reuters, todos os iPhones da Apple são fabricados na China, um dos países mais atingidos pelas tarifas aplicadas pelo presidente-norte-americano - 54%. Neste caso, a gigante tecnológica vai ter de fazer uma escolha difícil: ou absorve a despesa extra ou transfere os custos para os consumidores - o que implica aumentos de 30% a 40% do valor atual para compensar os custos das tarifas, segundo analistas da Counterpoint Research.

A Apple vende mais de 220 milhões de iPhones por ano e os EUA são precisamente o seu maior mercado, segundo dados da Counterpoint, seguidos da China e da Europa.

“Toda esta questão das tarifas na China está a desenrolar-se de forma completamente contrária às nossas expectativas de que a Apple, ícone americano, seria protegida, tal como aconteceu da última vez”, observa Barton Crockett, analista da agência Rosenblatt Securities, citado pela Reuters.

Esta quinta-feira, as ações da Apple fecharam em queda de 9,25pp, atingindo o seu pior dia desde março de 2020.

A gama mais acessível do iPhone 16, o modelo lançado mais recentemente, tem um custo atual de 799 dólares, mas, segundo as estimativas da Rosenblatt Securities, este iPhone pode passar a custar 1.142 dólares - um aumento de 43% do valor inicial - caso a Apple decida transferir o custo das novas tarifas para os consumidores.

Já a versão mais avançada do mesmo modelo, o iPhone Pro Max, que atualmente é vendido por 1.599 dólares, poderia custar 2.300 dólares. Mesmo a versão mais acessível do Iphone - o Iphone 16e, lançado em fevereiro, por um valor de 599 dólares - pode subir para 856 dólares. Os preços dos restantes modelos também podem aumentar.

A Apple até poderia procurar outras alternativas de fabrico à China, como o Vietname ou a Índia, mas nem estes países foram poupados das tarifas - o Vietname foi atingido com uma tarifa de 46% e a Índia com 26%.

Um potencial aumento dos preços nos Estados Unidos poderia diminuir a procura pelos iPhones naquele que é o seu maior mercado e dar uma vantagem à Samsung - segunda marca preferida do mercado norte-americano para telemóveis -, da Coreia do Sul, país que foi atingido com uma tarifa mais baixa (25%) quando comparado com a China.

“Os nossos cálculos rápidos sobre o Dia da Libertação de Trump sugerem que isto poderia rebentar com a Apple, com um potencial custo de até 40 mil milhões de dólares à empresa”, estima Barton Crockett, que admite que a Apple, a China e a Casa Branca ainda possam vir a negociar estas tarifas.

“É difícil para nós imaginar Trump destruir um ícone americano… mas isto parece muito difícil”.

Relacionados

E.U.A.

Mais E.U.A.