Nem as versões mais "acessíveis" no mercado podem escapar ao aumento dos preços para compensar as tarifas de Donald Trump
Um dos telemóveis mais populares do mercado pode tornar-se ainda mais caro para os norte-americanos, graças às tarifas anunciadas por Donald Trump.
Segundo a agência Reuters, todos os iPhones da Apple são fabricados na China, um dos países mais atingidos pelas tarifas aplicadas pelo presidente-norte-americano - 54%. Neste caso, a gigante tecnológica vai ter de fazer uma escolha difícil: ou absorve a despesa extra ou transfere os custos para os consumidores - o que implica aumentos de 30% a 40% do valor atual para compensar os custos das tarifas, segundo analistas da Counterpoint Research.
A Apple vende mais de 220 milhões de iPhones por ano e os EUA são precisamente o seu maior mercado, segundo dados da Counterpoint, seguidos da China e da Europa.
“Toda esta questão das tarifas na China está a desenrolar-se de forma completamente contrária às nossas expectativas de que a Apple, ícone americano, seria protegida, tal como aconteceu da última vez”, observa Barton Crockett, analista da agência Rosenblatt Securities, citado pela Reuters.
Esta quinta-feira, as ações da Apple fecharam em queda de 9,25pp, atingindo o seu pior dia desde março de 2020.
A gama mais acessível do iPhone 16, o modelo lançado mais recentemente, tem um custo atual de 799 dólares, mas, segundo as estimativas da Rosenblatt Securities, este iPhone pode passar a custar 1.142 dólares - um aumento de 43% do valor inicial - caso a Apple decida transferir o custo das novas tarifas para os consumidores.
Já a versão mais avançada do mesmo modelo, o iPhone Pro Max, que atualmente é vendido por 1.599 dólares, poderia custar 2.300 dólares. Mesmo a versão mais acessível do Iphone - o Iphone 16e, lançado em fevereiro, por um valor de 599 dólares - pode subir para 856 dólares. Os preços dos restantes modelos também podem aumentar.
A Apple até poderia procurar outras alternativas de fabrico à China, como o Vietname ou a Índia, mas nem estes países foram poupados das tarifas - o Vietname foi atingido com uma tarifa de 46% e a Índia com 26%.
Um potencial aumento dos preços nos Estados Unidos poderia diminuir a procura pelos iPhones naquele que é o seu maior mercado e dar uma vantagem à Samsung - segunda marca preferida do mercado norte-americano para telemóveis -, da Coreia do Sul, país que foi atingido com uma tarifa mais baixa (25%) quando comparado com a China.
“Os nossos cálculos rápidos sobre o Dia da Libertação de Trump sugerem que isto poderia rebentar com a Apple, com um potencial custo de até 40 mil milhões de dólares à empresa”, estima Barton Crockett, que admite que a Apple, a China e a Casa Branca ainda possam vir a negociar estas tarifas.
“É difícil para nós imaginar Trump destruir um ícone americano… mas isto parece muito difícil”.