TAP disponível para reduzir cortes salariais para 20%

ECO - Parceiro CNN Portugal , André Veríssimo
11 jan, 09:32
TAP (imagem Getty)

A administração da TAP deu indicação aos sindicatos de que pretende reduzir o corte salarial em cinco pontos percentuais este ano. Salário isento de cortes deverá subir para 1.520 euros

A administração da TAP está disponível para diminuir os cortes salariais aplicados aos trabalhadores de 25% para 20%, apurou o ECO junto de fontes ligadas ao processo. O salário que fica isento de cortes deverá subir para os 1.520 euros.

A indicação da diminuição do corte salarial foi já transmitida aos sindicatos da companhia, com quem a gestão tem mantido reuniões. Uma cedência possível devido à melhoria dos resultados da empresa, que estão acima da meta traçada no plano de reestruturação para este ano. O ECO contactou a TAP, mas não teve resposta até à publicação do artigo.

A aplicação de um corte de 20% tem significados diferentes para as várias classes profissionais. Para os pilotos e os tripulantes de cabine implica passarem a ter uma redução menor, uma vez que este ano têm um corte de 35% e 25%, respetivamente. Já o pessoal de terra e os técnicos de manutenção de aeronaves evitam um agravamento do corte, uma vez que sem a alteração veriam a redução subir de 20% para 25% este ano.

A gestão da TAP tem afirmado que o plano de reestruturação acordado com Bruxelas é “uma linha vermelha”, mas a recuperação do tráfego aéreo e dos resultados da empresa abrem espaço à redução dos cortes. A Comissão Europeia tem feito uma avaliação regular do cumprimento do plano, a última no final de 2022, tendo a avaliação sido positiva.

A TAP fechou os primeiros nove meses com um prejuízo de 91 milhões de euros, mas conseguiu lucros de 111 milhões entre julho e setembro, devendo fechar o exercício com um resultado positivo, o que não acontece desde 2017. As perspetivas para este ano também são positivas, com a companhia a anunciar novas rotas para o verão IATA, reforçando a capacidade para os mesmos níveis de 2019.

Os sindicatos querem ver este bom desempenho traduzido na melhoria das condições salariais. Num comunicado a justificar o pré-aviso de greve de 7 dias, de 25 a 31 de janeiro, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) afirma que a TAP tem de partilhar os resultados com os trabalhadores: “Para quem possa acusar a Direção do SNPVAC de irresponsável — ou os seus associados de radicais — recordamos que a empresa não pode vangloriar-se de alcançar lucros em 2022, sem que haja um verdadeiro e significativo reconhecimento dos esforços dos tripulantes de cabine“.

Os cortes salariais constam dos acordos temporários de emergência assinados pelos sindicatos em 2021, no âmbito da reestruturação da companhia. Não é a primeira vez que a TAP mexe nas condições acordadas. Os pilotos entraram em 2022 com um corte salarial de 45%, que em junho baixou para 35% por decisão unilateral da TAP. Em setembro, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil aprovou um acordo com a transportadora para baixar a redução para os 25% em 2023. Os técnicos de manutenção de aeronaves chegaram a ter um período de part-time de 15%, que a administração cessou em agosto devido à retoma do tráfego.

Tal como em 2022, a TAP deverá ainda aumentar de 1.410 para 1.520 euros o salário isento de cortes, para refletir a subida do salário mínimo nacional. Em junho do ano passado, num comunicado aos trabalhadores, a administração justificou o aumento do patamar de 1.330 euros para 1.410 euros com a necessidade de assegurar “o princípio de manter a proteção de um nível de remuneração sem cortes equivalente a dois salários mínimos nacionais”.

A administração da companhia aérea teve ontem uma primeira reunião com o ministro das Infraestruturas, João Galamba, no ministério. A disponibilidade para reduzir o corte salarial terá sido transmitida ao governante.

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