Galamba desmente Christine: foi a TAP quem demonstrou “interesse” em participar na reunião na véspera da audição no Parlamento

6 abr 2023, 14:31
João Galamba (Manuel de Almeida/Lusa)

Christine Ourmières-Widener revelou aos deputados que a reunião com socialistas na véspera da sua audição no Parlamento foi "iniciativa" das Infraestruturas. Mas o ministério de João Galamba tem outra versão. Ainda assim, estão de acordo num ponto: o encontro não serviu para "combinar respostas"

O ministério das Infraestruturas veio esta quinta-feira, 6 de abril, clarificar que foi a TAP quem transmitiu o seu “interesse em participar na reunião com o Grupo Parlamentar do PS”, que teve lugar no dia 17 de janeiro, na véspera da audição no Parlamento da CEO Christine Ourmières-Widener. Desta forma, João Galamba desmente a versão apresentada no Parlamento pela gestora francesa.

"O Ministro das Infraestruturas foi informado de que a TAP, na tarde do dia 16 de janeiro, tinha transmitido o seu interesse em participar na reunião com o Grupo Parlamentar do PS", informou em comunicado o ministério de João Galamba.

Em causa está uma reunião com “socialistas” no passado dia 17 de janeiro revelada esta semana por Christine Ourmières-Widener durante a audição na comissão parlamentar de inquérito à gestão da TAP. A presidente executiva revelou que o encontro partiu da “iniciativa” do ministério das Infraestruturas, tendo nele participado “membros júnior” do Governo, como assessores e chefes, de gabinete, mas nenhum governante.

Nesse encontro, confirmou, esteve também o deputado socialista Carlos Pereira, a escolha do PS como coordenador do partido para a comissão parlamentar de inquérito à gestão da TAP.

A 18 de janeiro, a ainda presidente executiva da TAP foi ao Parlamento, à Comissão de Economia, para falar do caso da polémica indemnização de 500 mil euros a Alexandra Reis.

“Nos termos do Regimento da Assembleia da República e em conformidade com a prática parlamentar e de todos os Grupos Parlamentares, as reuniões entre Deputados, membros do Governo, dirigentes da Administração Pública ou de empresas públicas são comuns e destinam-se à partilha de informação”, insiste o ministério de João Galamba em comunicado.

Nesse sentido seguiu também Christine Ourmières-Widener, informando que o encontro seguiu para colocar os diferentes intervenientes a par da situação da empresa, rejeitando que tenha servido para “combinar perguntas” para as explicações a dar no dia seguinte aos deputados.

É precisamente numa das frases da gestora francesa que o ministério das Infraestruturas utiliza para se justificar neste ponto: “As pessoas queriam perceber o que se passou, foi mais um briefing do que uma reunião de estratégia (…). Não me lembro de qualquer combinação de perguntas”.

“O Ministro das Infraestruturas não se opôs à participação da TAP na reunião, agendada pela Área Governativa dos Assuntos Parlamentares para o dia 17 de janeiro, tendo o seu Gabinete procedido em conformidade”, refere a tutela.

A reunião teve lugar “pelas 12 horas, sem a presença do ministro das Infraestruturas”. E a representar esta pasta estiveram presentes “o adjunto Dr. Frederico Pinheiro e a técnica especialista Eng.ª Cátia Rosas”.

A descoberta deste encontro, apelidado como “reunião secreta”, criou desconforto de imediato nos deputados que levavam a cabo a audição de Christine Ourmières-Widener. PSD e Chega tentaram mesmo que o deputado Carlos Pereira fosse substituído nessa inquirição, mas o presidente da comissão, o socialista Jorge Seguro Sanches, lembrou que todos os parlamentares tinham assumido o compromisso de que não haveria incompatibilidades nesta função.

No dia seguinte, também a antiga administradora da TAP Alexandra Reis, que recebeu a indemnização de 500 mil euros na origem desta polémica, foi diretamente confrontada se tinha tido alguma reunião com algum dos deputados que se encontravam na sala.

Economia

Mais Economia

Mais Lidas

Patrocinados