Audi, VW, Peugeot: TAP contrata novos automóveis para administradores e diretores

11 jul 2025, 08:00

Companhia substitui frota de veículos com sete anos por modelos novos. Depois do caso dos BMW há três anos, que foram cancelados por ordem de Pedro Nuno Santos, TAP avança agora depois de ter apresentado os planos ao Governo. Novos modelos saem mais caro, companhia justifica com preços atuais do mercado

A TAP está a substituir a sua frota de automóveis, tendo contratado novas viaturas para os seus administradores e diretores de topo. Ao todo, são cerca de 40 viaturas, que têm vindo a ser entregues ao longo das últimas semanas. A companhia ultrapassa assim o revés de há três anos, quando a CNN Portugal e a TVI revelaram a contratação de cerca de 50 BMW, numa notícia que levou à intervenção do Governo, que cancelou o negócio. Três anos depois, outros contratos avançam. Analisemo-los – até porque, contactada, a TAP respondeu a quase todas as nossas perguntas.

Desta vez, não são BMW. Feita uma consulta ao mercado, “foi decidida a viatura VW Tiguan e Peugeot 3008 para segmento Diretores (gama abaixo do contrato anterior) e Audi A6/Q6 (…) para o segmento Administradores (dentro da mesma gama do contrato anterior)”, respondeu fonte oficial da companhia. Além disso, a “substituição das viaturas atendeu a especiais critérios de sustentabilidade, substituindo viaturas de propulsão diesel/ gasolina por viaturas mais sustentáveis e com sistemas de propulsão amigos do ambiente (híbridos plug-in ou 100% elétricos)”.

Enquanto os modelos Audi A6/Q6 têm preços de venda ao público a rondar os 70 a 80 mil euros (dependendo dos níveis de equipamento), o VW Tiguan e o Peugeot 3008 custam cerca de metade (35 a 40 mil euros, valores que podem ser superiores dependendo do equipamento). A TAP, no entanto - e como acontece em muitas empresas -, não compra as viaturas, contrata-as junto de uma locadora, pagando uma renda.

Audi Q6 e A6. Foto: Audi 

Neste caso, os contratos são “de quatro anos”, sendo que “os valores contratados ficaram em cerca de 650 euros por mês para diretores e cerca de 1000 euros por mês para administradores”, valor que “inclui IVA, viatura de substituição, pneus, assistência e manutenção e seguros”, respondeu a empresa.

Note-se que a empresa manteve a gama dos automóveis para os administradores e baixou a gama para os diretores, mas passou a pagar mais. Os valores são superiores ao contrato que vigorava e superiores também aos BMW que, há três, foram contratados e depois revogados. Nessa altura, os BMX X2 para os diretores custavam cerca de 500 euros por mês. “A substituição da frota foi contratada a preços atuais de mercado que distam sete anos da frota original (Peugeot 508) e dois anos da proposta de 2022 dos BMW X2 (e não X1)”, disse a companhia.

A TAP não confirmou nem desmentiu se se trata, no total, de cerca de 40 novas viaturas, como avançaram as nossas fontes. Nem comentou o cálculo de que os novos contratos somam um total próximo dos 1,5 milhões de euros ao longo dos quatro anos.

Governo foi informado

VW Tiguan. Foto: VW
Peugeot 3008. Foto Peugeot

Há três anos, o então ministro da tutela, Pedro Nuno Santos, esteve contra a decisão da gestão da empresa, o que levou ao cancelamento da encomenda. Diretores e administradores da TAP mantiveram os mesmos veículos (Peugeot 508) e prolongaram o contrato de quatro anos.

Pergunta: depois do cancelamento da renovação de frota anterior, por ordem do Governo, foi pedida aprovação para esta renovação?

Resposta de fonte oficial da TAP: “A substituição da frota foi devidamente considerada no Plano de Atividades e Orçamento (PAO) para 2025 submetido às tutelas governativas.” Fica implícito que o Governo, e o atual ministro da tutela, Miguel Pinto Luz, souberam e não estiveram contra.

Peugeots tinham sete anos

A TAP justifica os novos contratos com a impossibilidade de alargar os anteriores. Tanto que não considera que houve renovação de frota, antes a sua substituição.

“A TAP não procedeu à renovação, mas sim à substituição das viaturas da frota automóvel corporativa, dado que as mesmas atingiram o limite máximo de período de aluguer operacional permitido pelas locadoras: 84 meses (sete anos).” Os contratos iniciais eram de quatro anos. “Simplesmente, não era tecnicamente possível continuar a usar a frota anterior”, acrescentou a empresa.

Ora, “da análise de mercado efetuada pelos serviços, concluiu-se que a substituição por viaturas de igual marca e modelo (Peugeot 508) seria mais dispendiosa que outras soluções existentes no mercado dentro da mesma gama ou gama inferior”.

Frota operacional também mudou

Na resposta enviada à CNN Portugal, a TAP acrescentou que estes não foram os únicos automóveis substituídos na empresa: “Foi também substituída parte da frota operacional (viaturas da Manutenção e Engenharia), tendo-se procedido a igual substituição de viaturas nos últimos dois anos.”

Foram, nomeadamente, “substituídas cerca de 50 viaturas, 30 das quais abatidas por idades superiores a 20 anos, as restantes por extinção do respetivo contrato de aluguer operacional”. A grande maioria das novas viaturas operacionais “são 100% elétricas”, conclui a companhia.

O Governo anunciou esta quinta-feira o arranque da nova privatização da companhia, num processo que terá várias fases negociais e deverá durar um ano. No anúncio, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, justificou a privatização afirmando não querer “deitar dinheiro para um poço que não tem fundo”.

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