Alexandra Reis terá sido afastada da TAP por bloquear negócios com marido de Christine Ourmières-Widener

Wilson Ledo , Notícia atualizada às 18:30 com reação da CEO da TAP
4 abr 2023, 18:01
Christine Ourmières-Widener

Chega vai utilizar estes dados, apurados pelo partido, para confrontar Christine Ourmières-Widener na comissão parlamentar de inquérito à gestão da TAP. Informações que o Chega manteve em sigilo até ao momento, para tentar apanhar de surpresa a gestora francesa

Alexandra Reis terá sido afastada da TAP por bloquear negócios ligados ao marido da presidente executiva Christine Ourmières-Widener.

É com este cenário que o Chega vai iniciar o confronto com a gestora francesa, esta tarde, na audição da comissão parlamentar de inquérito à gestão da TAP.

“Foi Alexandra Reis quem vetou a assinatura dos contratos com o marido de Christine Ourmières-Widener”, avançou Filipe Melo à CNN Portugal, citando fontes próximas do processo.

O deputado do Chega concretiza mesmo que terá sido esta questão a começar as “desavenças”, que são públicas, entre ambas.

Segundo a versão apurada pelo parlamentar, terá sido também Alexandra Reis quem comunicou à tutela que “os motoristas da empresa”, a TAP, estariam a ser usados para transportar familiares da presidente executiva, como a “irmã e o marido”.

Christine Ourmières-Widener é casada com Floyd Murray Widener. Segundo escreveu o Correio da Manhã, no início de março, a empresa onde trabalha o marido da (ainda) líder da TAP propôs à companhia aérea comprar uma solução tecnológica criada pela Zamma Tecnhnologies, que permitia a validação de dados dos passageiros.

O negócio terá sido proposto numa reunião na TAP em dezembro de 2021, mas acabou por não avançar.

Na altura, a TAP explicou que a empresa “fez uma demonstração de uma nova tecnologia”, mas que “não houve seguimento”. “A CEO não participou, nem costuma participar neste tipo de reuniões”, respondeu fonte oficial. Ficou por concretizar se Christine Ourmières-Widener sabia desta proposta de negócio.

Floyd Murray Windemer é consultor na área da tecnologia de viagens. A empresa onde está integrado, a Zamna Technologies, foi fundada em 2016. Segundo o LinkedIn, está nela desde setembro de 2021.

O clima de mal-estar entre Christine Ourmières-Widener e Alexandra Reis era bem conhecido na TAP. Isso mesmo destacou, por exemplo, o administrador financeiro Gonçalo Pires, ao afirmar no Parlamento que “não foi uma surpresa” a saída.

O mal-estar havia de culminar num acordo para a saída de Alexandra Reis, então administradora, com uma indemnização de 500 mil euros. Depois de o caso ter sido público, a Inspeção-Geral de Finanças (IGF) havia de concluir que o valor não era válido, obrigando Alexandra Reis a devolver praticamente todo o valor.

O relatório da IGF havia também de ditar a demissão de Christine Ourmières-Widener e de Manuel Beja, presidente do conselho de administração, num anúncio conjunto dos ministros das Finanças e das Infraestruturas, Fernando Medina e João Galamba, respetivamente.

Christine Ourmières-Widener está a contestar esta decisão, com versões que desmentem as assumidas por colegas da TAP, incluindo o administrador financeiro. A gestora insiste que tanto os colegas do conselho de administração como o Governo estavam a par de todos os passos para o acordo de rescisão com Alexandra Reis. Sobre o executivo, diz, houve "pressa política" para a demitir. 

É esta fita do tempo que a francesa irá também recuperar e reconstituir na audição desta terça-feira.

"Não tenho nenhum contacto com a empresa"

Entretanto, já na audição, confrontada com a questão do Chega, a CEO da TAP considerou o potencial negócio com o marido "irrelevante", mesmo depois de confrontada com uma tentativa de contratação de serviços.

“Essa empresa [Zamma Tecnhnolgies] não tem nada a ver comigo. O meu marido tem um contrato com essa empresa. Mas eu não tenho nenhum contacto com a mesma”, reagiu.

Filipe Melo questionou se a empresa do marido contactou a TAP para fazer um contrato. A CEO descartou a existência de um contrato. O Chega mostrou uma apresentação. E Christine insistiu que houve uma apresentação mas que não foi feito nenhum contrato.

Filipe Melo explicou que Alexandra Reis “declinou” a assinatura desse potencial contrato, com a empresa do marido de Christine Ourmières-Widener.

“Não sei de nada. A única coisa que sei é que houve uma apresentação. E não temos qualquer contrato com essa organização”, reagiu a gestora.

O deputado do Chega disse ter indicação de que foi aí que começaram as “hostilidades” com Alexandra Reis.

“Não compreendo porque é que as pessoas possam fazer isso. Porque essa solução não foi contratada. Não era do mandato de divisão de compras, mas das operações. Não percebo bem qual a vantagem de estar a falar disso agora, qual o objetivo. Já expliquei porque esse processo teve início”, argumentou a CEO.

Filipe Melo insistiu depois na necessidade de clarificar se a hipótese de um contrato com a empresa do marido de Christine Ourmières-Widener esteve em cima da mesa, sendo bloqueada por Alexandra Reis, apelando mesmo a uma intervenção do presidente da comissão de inquérito.

“Em primeiro lugar, não há contrato. Foi uma apresentação. Não há relação contratual, não há valores. Parece-me que isto, que inclui como uma grande questão, não faz sentido. É irrelevante. Alexandra Reis e o seu desalinhamento com o plano nada tem a ver com isto”, respondeu a CEO.

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