Pequim acusa Washington de estar a tentar “enganar” a comunidade internacional e fala em “exagero público”
O exército chinês destacou forças navais e aéreas para monitorizar o Estreito de Taiwan após ter detetado uma aeronave de patrulha, pertencente à Marinha dos Estados Unidos, a sobrevoar a região, avança a Reuters.
A China acusa os EUA de tentarem “enganar” a comunidade internacional e lembra que, cerca de uma vez por mês, navios ou aviões norte-americanos passam pela hidrovia ou pelo espaço aéreo da região que separa Taiwan da China.
Estas são missões que irritam Pequim, que reivindica jurisdição sobre Taiwan e sobre o próprio estreito, enquanto os EUA argumentam que o estreito é uma hidrovia internacional.
Washington também já reagiu ao incidente, assegurando que o avião em causa é uma aeronave de patrulha marítima P-8A Poseidon e que o equipamento da 7.ª frota da Marinha norte-americana apenas sobrevoou “espaço aéreo internacional”. O voo demonstrou o comprometimento dos Estados Unidos com um Indo-Pacífico livre e aberto, garantem os EUA.
"Ao operar dentro do Estreito de Taiwan de acordo com o direito internacional, os Estados Unidos defendem os direitos e liberdades de navegação de todas as nações", afirma Washington em comunicado.
A China garante que a manobra norte-americana nada mais foi do que um “exagero público”, que foi monitorizado e ao qual o exército chinês respondeu “eficazmente”.
"Os comentários dos EUA distorcem princípios legais, confundem a opinião pública e enganam as perceções internacionais", disse o Comando do Teatro Oriental das Forças Armadas em comunicado, acrescentando: "Pedimos ao lado norte-americano que pare de distorcer e exagerar e que, em conjunto, salvaguardem a paz e a estabilidade regionais."
Taiwan também não se escusou a comentar o sucedido, com o Ministério da Defesa a dizer que o P-8A voou em direção ao norte através do estreito e que os militares taiwaneses acompanharam a movimentação, considerando-a "normal".
Já em abril, o exército chinês anunciou que tinha enviado caças para o Estreito de Taiwan para monitorizar uma aeronave Poseidon da Marinha norte-americana, poucas horas antes do telefonema entre Joe Biden e Xi Jinping.