Taiwan quer colocar no espaço uma constelação de satélites para se defender da China

CNN Portugal , JGR
6 jan, 21:16
Taiwan (Getty Images)

Inspirado pelo sucesso da rede Starlink, na guerra da Ucrânia, as autoridades taiwanesas querem aumentar a resiliência das suas infraestruturas de comunicação, numa altura em que aumenta a tensão com a vizinha China

Taiwan está a tentar persuadir investidores privados a estabelecer um sistema de comunicações por satélite, idêntico ao Starlink, criado pelo empresário Elon Musk, e que tem visto muito sucesso na Ucrânia. O objetivo é fortalecer as suas capacidades de comunicação perante um possível ataque chinês, que nos últimos anos tem endurecido a retórica de conquista à ilha.

De acordo com o jornal Financial Times, Taipé encontra-se em conversas bastante avançadas com diversos investidores, domésticos e internacionais, para angariar fundos para arrancar com o projeto já existente da agência espacial nacional, a TASA.

“Vamos transformar o nosso projeto de comunicação por satélite de órbita baixa numa empresa”, disse ao Financial Times fonte oficial da TASA. O governo pretende, no entanto, manter uma percentagem das ações da empresa.

Este é apenas mais um dos recentes esforços de Taiwan para proteger-se contra uma invasão da China. Para o governo taiwanês, a invasão da Ucrânia está a ser um exemplo de resistência militar a uma superpotência e o governo está agora a olhar com particular atenção para a importância de uma rede satélite robusta.

O Starlink é uma rede de satélites operada pela SpaceX, empresa de Elon Musk, que tem ajudado a Ucrânia a manter comunicações seguras e encriptadas, apesar dos sucessivos ataques russos às infraestruturas críticas.

“Observamos a invasão russa da Ucrânia e como o Starlink foi usado com muito sucesso. A nossa principal preocupação é facilitar a resiliência social, para garantir, por exemplo, que os jornalistas possam enviar vídeos para telespectadores internacionais, mesmo durante um desastre de grande escala”, disse Audrey Tang, ministra digital de Taiwan.

Mesmo que Taiwan garanta o investimento necessário, a ministra admite que poderá demorar “alguns anos” até que o sistema esteja 100% operacional. Até lá, o ministério afirma que o país está a fazer experiências com recetores de satélite não geoestacionários em 700 localizações em Taiwan, para garantir acesso a internet de banda larga em caso de guerra ou de situações de emergência.

Pequim tem vindo a intensificar a sua postura em relação à pequena ilha, que diz ser parte integral do seu território. Durante o ano de 2022, existiram vários momentos de tensão naquele território, com a China a levar a cabo alguns dos maiores exercícios militares da região de que há memória.

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