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Taiwan diz que manobras militares chinesas são "provocação flagrante" à ordem internacional

Agência Lusa , WL
25 mai, 08:36
Turistas na ilha de Kinmen, em Taiwan, olham para a cidade chinesa de Xiamen do outro lado da água, a 5 de dezembro de 2023 (Sam Yeh/AFP/Getty Images)

A China anunciou hoje o fim dos dois dias de manobras militares de grande escala em torno de Taiwan

As manobras militares realizadas durante dois dias pela China em torno de Taiwan são uma “flagrante provocação à ordem internacional”, disse hoje, num comunicado, a porta-voz da presidência taiwanesa.

“A recente provocação unilateral da China não só mina o ‘status quo’ da paz e da estabilidade através do Estreito de Taiwan. É também uma provocação flagrante da ordem internacional, suscitando sérias preocupações e condenação por parte da comunidade internacional”, disse Karen Kuo.

Em Pequim, a China anunciou hoje o fim dos dois dias de manobras militares de grande escala em torno de Taiwan, descritas como “punição severa para os atos separatistas” do novo Presidente da ilha, William Lai Ching-te.

O exército chinês “concluiu com sucesso” os exercícios denominados ‘Joint Sword - 2024ª’, disse na noite de sexta-feira um apresentador da CCTV-7, a televisão estatal chinesa responsável pelas notícias militares.

O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan disse ter detetado, nas últimas 24 horas, a presença de 62 aviões de guerra chineses e 27 navios chineses nas proximidades da ilha e dos arquipélagos periféricos.

Num relatório, o ministro referiu que 47 destas aeronaves, incluindo caças SU-30 e bombardeiros H-6, cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan, a fronteira de facto entre as duas partes.

Este é o número diário mais elevado de incursões desde 11 de abril de 2023, quando a China lançou uma série de manobras em torno de Taiwan após o encontro entre a então Presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, e o então presidente da câmara baixa do parlamento dos EUA, Kevin McCarthy, nos Estados Unidos.

Alguns dos aviões de guerra chineses passaram a 39 milhas náuticas (72,2 quilómetros) de Keelung, uma cidade do norte de Taiwan que alberga uma base militar, e a 41 milhas náuticas (76 quilómetros) do Cabo Eluanbi, no sul do país, disse o ministério.

As forças armadas de Taiwan “acompanharam a situação e empregaram aviões de combate, navios da Marinha e sistemas de mísseis costeiros em resposta às atividades detetadas”, afirmou o ministério.

Durante os dois dias de manobras chinesas, Taiwan detetou um total de 111 aviões de guerra – 82 dos quais cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan - e 53 navios da Marinha e da Guarda Costeira chinesas.

Na sexta-feira, a Administração da Guarda Costeira de Taiwan disse ter repelido a incursão de quatro navios chineses que entraram em águas próximas das ilhas Wuqiu e Dongyin, situadas junto à China continental.

Taiwan disse que esta é a oitava vez em maio que navios da Guarda Costeira chinesa navegam em "águas restritas" dos arquipélagos periféricos, afetando a "segurança da navegação" e "prejudicando a paz e a estabilidade" da região.

A ação militar da China ocorreu dias depois de tomar posse o novo Presidente de Taiwan, William Lai, que na quinta-feira apelou à população para manter a calma, mobilizou as forças armadas da ilha e garantiu que o seu governo protegeria a democracia de Taiwan com determinação.

O território opera como uma entidade política soberana, com diplomacia e exército próprios, apesar de oficialmente não ser independente. Pequim considera Taiwan uma província sua, que deve ser reunificada, pela força, caso seja necessário.

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