Taiwan deteta drone do exército da China a 72 quilómetros da ilha

Agência Lusa , AM
13 jun, 07:54
Taiwan Flag (Getty Images/ Jose Lopes Amaral)

Ministério da Defesa detetou ainda 23 aviões de guerra chineses ao redor da ilha

Um drone do exército da China sobrevoou as águas a sul e leste de Taiwan, passando a 72 quilómetros do condado de Hualien, na costa leste da ilha, informou o Ministério da Defesa taiwanês.

O aparelho não tripulado iniciou o trajeto às 02:27 (18:27 de terça-feira em Lisboa) e terminou às 11:05 (03:05 de hoje em Lisboa), informou o ministério no mais recente relatório diário, sem revelar mais detalhes sobre o drone.

De acordo com o mesmo relatório, o ministério detetou 23 aviões de guerra chineses ao redor da ilha, dos quais 15 cruzaram a linha média do estreito de Taiwan e outros três entraram na região sudoeste da autodeclarada Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan.

O ministério acrescentou que as forças armadas de Taiwan “acompanharam a situação e empregaram aviões de combate, navios da Marinha e sistemas de mísseis costeiros em resposta às atividades detetadas”.

Na semana passada, o ministro da Defesa, Wellington Koo Li-hsiung, alertou que, se as forças chinesas entrarem no espaço aéreo ou nas águas territoriais de Taiwan, que se estendem por 22 quilómetros das costas, o exército da ilha poderá exercer o direito à autodefesa.

Na quarta-feira, a China negou qualquer envolvimento na viagem de um antigo militar que pilotou um barco até Taiwan e disse que o homem agiu por conta própria e que seria punido após regressar ao país.

A guarda costeira de Taiwan disse na segunda-feira que o homem de 60 anos, de apelido Ruan, foi detido no domingo, no rio Tamsui, que passa pela capital, Taipé, e desagua no estreito de 160 quilómetros que separa a ilha da China.

Os antecedentes militares do homem, identificado como um antigo oficial da marinha chinesa, levantaram suspeitas de que a viagem poderia ter sido uma tentativa da China de testar as capacidades de deteção e defesa de Taiwan.

“Este foi um comportamento puramente pessoal”, disse na quarta-feira Chen Binhua, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, o executivo da China.

As autoridades do Partido Democrático Progressista, no poder em Taiwan, “não precisam de ser paranoicas, fazer barulho e envolver-se em manipulação política”, disse Chen, em resposta a uma pergunta numa conferência de imprensa.

Taiwan - para onde o exército nacionalista chinês se retirou depois de ter sido derrotado pelas tropas comunistas na guerra civil (1927-1949) - é governada autonomamente desde o fim da guerra, embora a China reivindique a soberania sobre a ilha, que considera uma província rebelde para cuja "reunificação" não exclui o recurso à força.

A questão de Taiwan é um dos principais pontos de fricção entre Pequim e Washington, uma vez que os EUA são o principal fornecedor de armas a Taipé e podiam defender a ilha em caso de conflito.

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