Taiwan acusa a China e Rússia de perturbarem ordem mundial

Agência Lusa , CV
26 ago, 20:08
O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. (Greg Baker/Pool Photo via AP, File)

As declarações foram feitas durante a reunião da presidente do país com a senadora norte-americana Marsha Blackburn

A presidente de Taiwan afirmou esta sexta-feira que a China e a Rússia estão a “perturbar e a ameaçar a ordem mundial” com os recentes exercícios militares chineses de grande escala e a invasão russa na Ucrânia.

As declarações foram feitas durante a reunião da presidente Tsai Ing-wen, em Taipé, com a senadora norte-americana, Marsha Blackburn, – a segunda visita de membros do Congresso dos EUA desde a viagem da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, no início de agosto.

A China, que não só acredita que Taiwan faz parte do seu território e deve ser subjugado pela força, se necessário, mantém ainda relações próximas com a Rússia, mesmo perante o ataque de Moscovo à Ucrânia.

“Estes desenvolvimentos demonstram como é que os países autoritários estão a perturbar e a ameaçar a ordem mundial”, disse Tsai.

A senadora republicana do Tennessee reafirmou os valores partilhados entre os governos norte-americano e taiwanês e disse estar “ansiosa por continuar a apoiar Taiwan no seu avanço como nação independente”.

O presidente da China, Xi Jinping, “não deixará de ameaçar a segurança de Taiwan simplesmente porque seria do interesse de todos fazê-lo”, disse Blackburn. “Ele não é um líder normal e não tem qualquer interesse em reações normais ou relações normais com o resto do mundo”.

A China vê as visitas de estrangeiros de alto nível a Taiwan como uma interferência nos seus assuntos e um reconhecimento de facto da soberania dos taiwaneses.

Por consequência, a China cortou os contactos com os Estados Unidos em questões vitais, como assuntos militares e cooperação climática, suscitando preocupações sobre uma abordagem mais agressiva por parte de Pequim.

Taiwan procura agora estabelecer uma cooperação reforçada em matéria de defesa e de armamento com os EUA, a par de laços económicos mais estreitos.

Blackburn, que chegou a Taipé na quinta-feira, disse que “a região Indo-Pacífico é a próxima fronteira para o novo eixo do mal”, daí ser importante “posicionarmo-nos contra o Partido Comunista Chinês”.

Washington não tem laços diplomáticos oficiais com Taipé, em deferência à China, mas continua a ser a maior garantia de segurança da ilha, com a lei americana a exigir-lhe que Taiwan tenha os meios para se defender e considerar as ameaças à ilha como assuntos de “grande preocupação”.

Desde que foi eleita a presidente Tsai, a China tem aumentado a pressão sobre Taiwan, depois da líder taiwanesa ter recusado apoiar o conceito de uma só nação chinesa

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