Pequim acusa Lai Ching-te de ser um "separatista" e classifica esta visita oficial com paragens em territórios norte-americanos como um "ato provocativo que viola o princípio de uma só China"
A China está a preparar-se para dar início, nos próximos dias, a exercícios militares em Taiwan. Fontes não identificadas contaram à Reuters – tendo por base avaliações de autoridades de segurança de Taiwan e regionais -, que esta vai ser a resposta de Pequim à visita oficial pelo Pacífico de Lai Ching-te, presidente de Taiwan, que na rota tem também passagem por território norte-americano.
A visita oficial de Lai começa já este sábado e tem como propósito visitar três aliados diplomáticos de Taiwan no Pacífico - Ilhas Marshall, Tuvalu e Palau. Contudo, o responsável taiwanês está a planear fazer duas paragens: no Havai e Guam, ambos território norte-americano.
As fontes ouvidas pela Reuters explicam que o gabinete de Lai não confirmou os detalhes da viagem nem as duas paragens, mas garante que deverá fazê-lo pouco antes do início da viagem.
Pequim, que tem vindo a apelidar Lai Ching-te de “separatista" e não esconde a antipatia pelo presidente taiwanês, está a ponderar realizar exercícios militares ou durante a visita oficial ou imediatamente a seguir ao fim da mesma, no dia 6 de dezembro. A Reuters explica que esta informação foi partilhada por “quatro autoridades da região informadas sobre o assunto, que não quiseram ser identificadas devido à sensibilidade do tópico”.
O Ministério da Defesa da China recusou comentar o tema, mas já tinha pedido aos Estados Unidos que não permitam que Lai siga a rota planeada.
A porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan da China, Chen Binhua, disse esta quarta-feira que estas paragens de Lai são "atos provocativos que violam o princípio de uma só China".
Taiwan também já reagiu à polémica e, através de comunicado, diz que a China está a usar a visita oficial de Lai Ching-te para iniciar exercícios militares na região, o que "seria uma provocação flagrante ao status quo de paz e estabilidade na região".
Noutra declaração, o Ministério da Defesa de Taiwan acrescentou que qualquer tentativa deliberada de criar tensão no Estreito de Taiwan prejudicaria a paz e a estabilidade, o que não é "o comportamento adequado de um país moderno responsável".
Até ao momento, a Casa Branca não fez qualquer declaração sobre o tema.
Ainda assim, este não seria o primeiro exercício militar chinês na região. Pequim já coordenou dois grandes exercícios militares em torno de Taiwan numa tentativa de pressionar Taipé, em maio e em outubro, chamando às operações "Joint Sword - 2024A" e “Joint Sword – 2024B”.
A China poderia “readaptar” as atividades militares que regularmente tem em andamento no Mar da China, movendo as unidades de combate para Taiwan, explicam autoridades taiwanesas que anteveem que a operação se chame "Joint Sword – 2024C".
Entre 20 a 30 navios de guerra chineses estão envolvidos em manobras militares regulares no Mar da China Meridional e as autoridades de Taiwan teorizam que Pequim pode expandir o tamanho de sua "patrulha de prontidão de combate conjunta" regular e dar início a um exercício militar "direcionado" no final da viagem de Lai.
