Exercícios militares: China parece estar a preparar-se para “lançar uma guerra contra Taiwan”

CNN , Jim Sciutto, Correspondente Chefe de Segurança Nacional
12 abr, 10:56
China iniciou exercícios de simulação de um cerco total à ilha de Taiwan

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan em declarações à CNN: “Vejam os exercícios militares, e também a sua retórica, eles parecem estar a tentar preparar-se para lançar uma guerra contra Taiwan”

Um dia após a China ter simulado “ataques conjuntos de precisão” em Taiwan durante exercícios militares em redor da ilha, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Joseph Wu, condenou as ações de Pequim numa entrevista exclusiva à CNN. E avisou que “eles parecem estar a tentar preparar-se para lançar uma guerra contra Taiwan”.

“Vejam os exercícios militares, e também a sua retórica, eles parecem estar a tentar preparar-se para lançar uma guerra contra Taiwan”, disse Wu.

"O governo de Taiwan olha para a ameaça militar chinesa como algo que não pode ser aceite e nós condenamo-la”.

Questionado sobre se Taiwan tem alguma noção do calendário da potencial ação militar chinesa, dadas as avaliações dos serviços secretos dos EUA de que Xi instruiu os seus militares para estarem preparados até 2027, Wu expressou confiança nos trabalhos de preparação taiwaneses.

“Os líderes chineses vão pensar duas vezes antes de decidirem usar a força contra Taiwan. E não importa se estamos em 2025 ou 2027 ou mesmo mais além, Taiwan precisa simplesmente de se preparar", disse ele.

Os exercícios parecem marcar a primeira vez que a marinha chinesa simulou ataques de aviões de guerra a Taiwan com base em porta-aviões.

Pequim lançou os exercícios no sábado, um dia depois do regresso do Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, de uma visita de 10 dias à América Central e aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente da Câmara dos EUA, Kevin McCarthy, e outros legisladores dos EUA.

Pequim descreveu-os como “um aviso sério contra a conivência das forças separatistas de Taiwan com as forças externas, e um movimento necessário para defender a soberania nacional e a integridade territorial”.

Questionado sobre se os custos de tal visita eram demasiado elevados, Wu disse à CNN, “a China não pode ditar como Taiwan faz amigos. E a China não pode ditar como é que os nossos amigos querem mostrar apoio a Taiwan”.

Pequim conduziu exercícios militares semelhantes em larga escala em torno de Taiwan em agosto passado, após a então presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, ter visitado a ilha.

Esses exercícios incluíram lançamentos de mísseis chineses sobre a ilha, algo que não foi ainda visto nos exercícios atuais.

SAIBA MAIS
Tensões entre a China e Taiwan: enquadramento histórico

Taiwan e a China têm sido governados separadamente desde o fim de uma guerra civil há mais de sete décadas, na qual os nacionalistas derrotados fugiram para Taipé. Taiwan transitou de um regime autoritário para uma democracia nos anos 90 e está agora classificada como uma das jurisdições mais livres da Ásia pela Freedom House, uma organização sem fins lucrativos com sede nos EUA.

No entanto, o Partido Comunista dominante da China reivindica a ilha autónoma como seu território, e nos últimos anos, à medida que o seu poder tem crescido, o líder chinês Xi Jinping tornou claras as suas ambições de “reunificar” com a ilha - pela força, se necessário.

Os exercícios da China coincidiram também com uma visita de Estado do presidente francês, Emmanuel Macron, que foi recebido em Pequim por Xi.

Após o seu encontro, Macron pareceu questionar se a França deveria envolver-se na crise de Taiwan, dizendo aos jornalistas que o “pior seria pensar que nós, europeus, devemos tornar-nos seguidores deste tema e adaptar-nos ao ritmo americano ou a uma reação excessiva chinesa”. Responsáveis oficiais franceses afirmaram mais tarde que os seus comentários foram mal interpretados. Wu disse à CNN que Taipé pediu esclarecimentos à França.

“Ainda estamos a tentar perceber através do governo francês o que ele disse e o que isso significa”, disse Wu, embora tenha reconhecido que “o governo francês tem vindo a mostrar apoio a Taiwan”.

À medida que as tensões entre os EUA e a China se agravaram em relação a Taiwan, o presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou que os EUA defenderão militarmente a ilha se a China atacar, embora responsáveis oficiais da Administração tenham insistido que os EUA continuam comprometida com a sua política de “uma só China”.

Os EUA, através do Taiwan Relations Act, são legalmente obrigados a fornecer a Taiwan armamento defensivo, mas responsáveis oficiais por tradição permanecem deliberadamente vagos sobre se os EUA defenderiam Taiwan no caso de uma tentativa de ataque chinesa.

Embora Wu enfatize repetidamente que “a defesa de Taiwan é da nossa própria responsabilidade”, ele também observa que, com a sua relação com os seus aliados na região, “os Estados Unidos parecem estar mais determinados do que nunca em criar uma situação (para que) a China saiba que um seu ataque militar contra Taiwan será associado a um custo pesado. E agradecemos aos Estados Unidos por terem esta postura”.

 

Brad Lendon, da CNN, contribuiu para este artigo com reportagens.

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