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Tailândia alerta que confrontos com Camboja podem "tornar-se uma guerra"

Agência Lusa , AM
25 jul 2025, 07:32
Tailândia Cambodja (AP)
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Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU está marcada para hoje

O primeiro-ministro interino tailandês, Phumtham Wechayachai, alertou hoje para o risco de o conflito em curso na fronteira com o Camboja poder "tornar-se uma guerra".

"Nós tentámos chegar a um compromisso porque somos vizinhos", disse o líder aos jornalistas no segundo dia de confrontos.

"Se a situação piorar, pode tornar-se uma guerra, mesmo que, por enquanto, se limite a confrontos", acrescentou.

O Ministério da Saúde tailandês informou hoje que mais de 138 mil civis foram retirados das regiões fronteiriças afetadas pelos confrontos com o país vizinho, revendo um balanço anterior que apontava para mais de cem mil.

Além destas 138 mil pessoas, 428 pacientes de hospitais foram transferidos para centros de acolhimento, indicou o ministério tailandês, que deu conta, esta manhã (madrugada em Lisboa), de 14 vítimas mortais nos confrontos - 13 civis e um militar.

"Há atualmente confrontos em várias zonas fronteiriças. Pede-se às pessoas que evitem as zonas fronteiriças", declarou, às 08:10 (02:10 em Lisboa), a Segunda Região do exército tailandês - uma divisão destacada no nordeste do país.

No Camboja morreu pelo menos uma pessoa, declarou hoje à agência France-Presse o porta-voz da província fronteiriça cambojana de Oddar Meanchey (noroeste), num primeiro balanço oficial das autoridades do país.

"Até ao momento, um civil foi morto e cinco pessoas ficaram feridas durante os combates" na região, afirmou Meth Meas Pheakdey, acrescentando que a vítima mortal era um homem de 70 anos.

Os confrontos, de uma intensidade rara, eclodiram na quinta-feira, na fronteira entre os dois países, com troca de tiros, granadas e foguetes.

Os combates concentram-se em torno de seis locais, informou o exército tailandês.

Banguecoque enviou, na quinta-feira, seis aviões F-16 para atacar "dois alvos militares cambojanos no solo", disse o porta-voz adjunto das forças armadas do país, Ritcha Suksuwanon.

Mais de 100 mil tailandeses retirados de zona fronteiriça 

Mais de 100 mil civis foram retirados pela Tailândia da área fronteiriça com o Camboja. O Ministério do Interior tailandês informou que 100.672 civis de quatro províncias fronteiriças foram transferidos para cerca de 300 centros de acolhimento.

Na cidade cambojana de Samraong, a 20 quilómetros da fronteira, jornalistas da agência France-Presse (AFP) ouviram esta manhã tiros de artilharia distantes e viram algumas famílias a fugir.

Os jornalistas da AFP também observaram soldados a correrem em direção a lança-foguetes e a partirem em direção à fronteira.

Os confrontos, de uma intensidade rara, eclodiram na quinta-feira, na fronteira entre os dois países, com troca de tiros, granadas e foguetes.

Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU está marcada para hoje às 15:00 (20:00 em Lisboa).

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que ocupa a presidência rotativa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e dialogou com os dois países, pediu moderação.

O Camboja e a Tailândia estão em conflito há muito tempo sobre o traçado da fronteira de mais de 800 quilómetros, definida em grande parte por acordos celebrados durante a ocupação francesa da chamada Indochina, entre final do século XIX e meados do século XX.

Em 2011, confrontos em torno do templo Preah Vihear, classificado como património mundial pela Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e reivindicado por ambos os países, causaram pelo menos 28 mortos e dezenas de milhares de deslocados.

Embora em 2013, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), principal órgão jurisdicional da ONU, tenha atribuído ao Camboja a zona contestada abaixo do templo, o traçado de outras zonas continua a opor Banguecoque e Phnom Penh.

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