Tondela apura-se com perfume do suor
O Tondela, de Ivo Vieira, viajou até Trás-os-Montes para defrontar o Vila Real, clube que é quinto classificado na Série B do Campeonato de Portugal. Os “lobos do marão”, como são conhecidos, para chegar aqui afastaram duas equipas da Madeira, Camacha e Machico, curiosamente da ilha, de onde Ivo Vieira, treinador do Tondela, é natural.
Começou mal a partida para os da casa, ainda muita gente se tentava acomodar e a procurar abrigo, face à chuva que começou a cair ainda antes do apito inicial, já o marcador sofria alterações. Yefrei Rodríguez, lançado a partir da direita, apareceu na cara de José Monteiro e colocou os da beira na frente do marcador.
O Vila Real não se abalou com o golo sofrido, apesar das dificuldades, e tentou contrariar os argumentos dos homens da primeira divisão. Subiram a pressão e estavam a conseguir recuperar bolas em zonas adiantadas no terreno, claro está, que isso abria alguns espaços nas costas da defesa e que muitas vezes eram aproveitados por Pedro Maranhão e Yarlen.
Os anfitriões estavam melhor na partida, com 20 minutos de jogo, já Cañizares tinha solicitado assistência 3 vezes. Chiquinho, por duas vezes, e Neto tiveram ocasião de materializar em golo o ímpeto ofensivo da sua equipa, mas a “mira desviada” e uma enorme defesa do espanhol ao serviço do Tondela, iam mantendo o resultado favorável aos visitantes.
Se antes tinha brilhado, a seguir, depois de uma má abordagem à bola, sem necessidade nenhuma, rasteirou o avançado do Vila Real. O árbitro, Márcio Torres, em cima do lance, não teve dúvidas e apontou para a marca de grande penalidade, que Chiquinho se encarregou de converter e estabelecer a igualdade.
O golo caseiro, alterou um pouco a toada do jogo, não que o Tondela se estivesse muito por cima, mas finalmente vestiam a pele de equipa favorita, que estavam a ser apenas na teoria. Foram ganhando duelos no centro do terreno e lançando bolas de novo nas costas dos homens de Vila Real e isso permitiu-lhes, mesmo que numa bola bombeada para a área, fazer o golo que daria vantagem à sua equipa ao intervalo, através de João Afonso.
O resultado não espelhava, de todo, o que se teria passado durante os primeiros 45 minutos, mas premiou a equipa mais eficaz.
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Na segunda metade, um golo de Yarlen mudou por completo a história do jogo.
Se o Vila Real já tinha dado conta que poderia reverter o resultado quando estava em desvantagem, Yarlen não deixou que os alvi-negros sonhassem e apontou o 3-1 ainda numa fase inicial da segunda parte. O golo mexeu com os da casa e, desatentos, permitiram que logo a seguir os tondelenses apontassem o quarto, matando por completo as aspirações do Vila Real.
Não desistindo da partida, mas com um campo mais pesado a dificultar a tarefa de quem queria chegar ao golo, os comandados de Nuno Gonçalves, que, entretanto, viu o seu adjunto ser expulso, não conseguiram dar mais uma alegria aos muitos adeptos presentes no Monte da Forca.
A fechar, o Tondela ainda conseguiu fazer mais um golo, por Sithole, fixando assim o placar em 5-1.
O Tondela segue em frente, mas teve muitas dificuldades principalmente na primeira parte do jogo em que por alguns momentos a equipa do Campeonato de Portugal foi superior. Na próxima fase vão encontrar o Caldas, da Liga 3.
Figura: João Afonso, o líder do Tondela
O capitão dos beirões marcou o passo dos seus pares e foi exímio na tarefa defensiva. Foi imperial no jogo aéreo e anulou a possibilidade do Vila Real fazer golo, quando em cima da linha ofereceu a cara à bola impedindo o golo de Neto. Antes do intervalo, fez o golo que daria outro alento à sua equipa, que na altura passava por enormes dificuldades.
Momento: Golo de Yarlen que apaga as esperanças do Vila Real
O golo do brasileiro Yarlen ditou o desfecho da partida. Quando se perspetivava uma resposta do Vila Real, que já na primeira metade se mostrou capaz, o terceiro golo do Tondela foi uma machadada forte nas aspirações da equipa da casa. Não que os anfitriões desistissem do jogo, mas animicamente, foi um rude golpe.
Positivo: Chiquinho, quase que era herói
O avançado do Vila Real não só apontou o tento de honra da sua equipa, como foi uma autêntica dor de cabeça para a defensiva beirã. Apontou com frieza, o pontapé de penálti, e teve ainda possibilidade, por duas vezes de voltar a fazer mexer a rede adversária, uma delas numa jogada de iniciativa individual.