Taça: Portimonense-Mafra, 2-4 (crónica)

Pedro Lemos , Estádio Municipal de Portimão, Portimão
13 jan, 22:47
Portimonense-Mafra (Luís Forra/Lusa)

Surpresa? Só para quem não viu

Ainda há histórias bonitas no mundo do futebol.

A mais recente conta-se em poucas linhas: o Mafra chegou ao terreno do Portimonense, da I Liga, foi melhor, dominou a partida e escreveu uma das páginas mais bonitas da sua história.

Pela primeira vez, os mafrenses, que jogam na II Liga, estão nas meias finais da Taça de Portugal e agora, caro leitor, o céu é o limite.

Há vezes em que os jogos começam sem nos cativarem. Na gíria, diz-se que as equipas se «estão a estudar», o que, na prática, significa que a partida está morna: sem grandes motivos de interesse.

Não foi nada disso que aconteceu hoje entre Portimonense e Mafra. Desde cedo, ambas as formações fizeram qualquer espectador ficar colado à partida.

Jogava-se o minuto 4 quando Rodrigo Martins pegou na bola, galgou metros, passou por Pedrão, chegou à entrada da área e rematou para o fundo das redes. O Mafra chegava à vantagem e começava a cheirar a Taça.

A vantagem alcançada não surgiu por acaso. No relvado, a equipa de Ricardo Sousa mostrava ser superior, remetendo para o Portimonense à sua defesa.

É certo que o Portimonense teve, ao minuto 6, uma grande chance por Nakajima, que rematou ao poste, mas esperava-se um melhor início da equipa da I Liga.

O Mafra ia aproveitando e até chegou ao segundo golo. Pedrão voltou a ficar mal na fotografia e derrubou Aparício dentro da grande área.

Rapidamente, o árbitro marcou penálti que Gui Ferreira não desperdiçou. Com 15 minutos jogados, o Mafra vencia por dois.

Só há mesmo um adjetivo para resumir toda a primeira parte: fantástica. É que teve de tudo, a começar pelos (muitos) golos.

A perder, os algarvios partiram em busca de reduzir a já larga desvantagem, que, por certo, surpreendia jogadores e treinador.

Aylton falhou isolado frente ao guarda-redes (24m) e Nakajima, ao minuto 27, até marcou, mas o lance foi anulado por fora de jogo.

Até que o golo apareceu mesmo – e por intermédio de Shoya, num lance estudado. Na cobrança de um livre, Carlinhos passou para a entrada da área, onde o internacional japonês apareceu para rematar sem hipótese para Renan (31m).

Mas a defesa do Portimonense esteve mesmo num dia não.

Aos 36 minutos, Angulo comprometeu, perdeu uma bola para Tomás Domingos e o lateral do Mafra fez um cruzamento perfeito para Pedro Lucas. O cabeceamento só parou no fundo das redes para festa das dezenas de adeptos visitantes que marcaram presença em Portimão.

Para a segunda parte, Paulo Sérgio lançou Ewerton e Relvas, no lugar de Pedrão e Carlinhos.

Tal como seria de esperar, o Portimonense apareceu mais forte, mas sem causar grandes calafrios junto da baliza de Renan.

O Mafra remeteu-se à defesa, mas nunca se pode dizer que tenha perdido o controlo do jogo.

O Portimonense não tinha ideias e sofreu mesmo mais um golo, num novo penálti conquistado por Aparício.

Quem marcou, desta vez, foi o defesa central Bura, apesar de Payam ainda ter adivinhado o lado (76m).

O melhor que o Portimonense conseguiu foi reduzir, ao minuto 90, num remate de Aylton Boa Morte, após cruzamento rasteiro.

O jogo não teve mais história e, em boa verdade, nem era preciso: ela estava feita.

O Mafra está nas meias finais da Taça de Portugal, onde vai defrontar o Tondela. Até ao Jamor, é só mais um passo.

 

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