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Taça: Sporting-Santa Clara, 2-1 a.p. (crónica)

David Silva , Estádio José de Alvalade, Lisboa
18 dez 2024, 23:35
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Sofrimento sportinguista prolongou-se… até quando?

Para o Sporting, vencer em Alvalade é uma tarefa cada vez mais complicada. E não se preveem melhorias. A verdade é que ganhou, a muito custo, diante do Santa Clara nesta quarta-feira. No primeiro jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal, os leões triunfaram no prolongamento e seguem frente na competição, com um 2-1 arrancado a ferros. O sofrimento estendeu-se mais do que alguns adeptos previam (pois muitos saíram antes do golo do Santa Clara).

Segunda vitória consecutiva do Sporting, após vencer o Boavista por 3-2. Mais uma vez, João Pereira pode respirar pela margem mínima. Mas a principal nota desta partida é a dificuldade do Sporting em controlar o jogo, longe de sentir-se confortável como há pouco mais de um mês. Não fosse uma ‘oferta’ de Venâncio nos descontos e poderíamos falar de um resultado que acarretasse outras consequências.

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João Pereira apostou no mesmo onze inicial que devolveu os triunfos ao Sporting. Depois do 3-2 ao Boavista, ganho com muita persistência, o pressionado treinador dos leões não quis facilitar no onze inicial e até Vladan Kovacevic, guarda-redes suplente, ficou a ver o jogo do banco.

Do outro lado, Vasco Matos fez uma quase revolução no onze. Algo que ele já tinha dado a entender na antevisão, face ao menor tempo de descanso em relação ao Sporting e à competição onde se insere o jogo. Os açorianos alinharam num 5-4-1, quebrando um pouco a tradição do 3-4-3 utilizado até agora.

Apagão de Quenda e golo anulado na primeira parte

E durante o início do jogo, a verdade é que essas duas linhas compactas do Santa Clara iam conseguindo anular a dinâmica atacante dos leões. Era raro a bola entrar entre-linhas e chances nas costas da defesa houve apenas uma – e não foi aproveitada.

Um cruzamento rasteiro do lado direito, de Catamo, chegou até ao pé esquerdo de Quenda, ao segundo poste. Com a baliza à sua mercê, o jovem atirou ao lado, num lance inacreditável. Mesmo assim, as bancadas de Alvalade ampararam-lhe a ‘queda’ com um aplauso.

No meio do marasmo, surgiu um golo para o Sporting. A partir de um canto à esquerda, batido por Geovany Quenda, houve uma primeira falha na interceção pela defesa açoriana e Hjulmand teve uma chance inesperada. Controlou como pôde a bola e rematou para golo, com ajuda do poste e de Neneca. No entanto… o domínio foi feito com o braço direito. Golo anulado (deu jeito o VAR, já que passou a ser utilizado a partir dos oitavos de final).

Chegávamos ao intervalo com assobios para os jogadores do Sporting e uma valente assobiadela para o árbitro Hélder Malheiro, que já tinha criado anticorpos. A segunda parte, pelo menos nesse aspeto, não foi muito diferente.

Verdade seja dita, na falta de imaginação dos sportinguistas também houve continuidade. Sem Gyokeres em jogo, Trincão perdulário na segunda parte e Maxi inexistente, a defesa do Santa Clara ia recolhendo os loutos por controlar o campeão nacional na sua casa. Um pouco à semelhança do jogo de 30 de novembro. Persistia a dúvida – quem vai sair vencedor?

Harder marca no primeiro toque e Ferreira... no último suspiro dos noventa

Perante o marasmo, João Pereira fez trocas perto dos setenta minutos. St Juste entrou por Matheus Reis e Harder no lugar de Catamo. Mais velocidade e pernas frescas, pensaria o jovem treinador. O ‘agente especial’ Conrad Harder entrou em campo e no primeiro toque na bola marcou. Desviou um cruzamento de Geovany Quenda e celebro, cheio de força.

Os últimos minutos, especialmente nos descontos, foram de sufoco para os leões. Seguiram-se as chances para os açorianos, com Gabriel Silva sozinho na cara de Neneca a falhar a baliza. Uma perdida semelhante à de Quenda, em gravidade. Franco Israel ainda negou o golo aos 90+6m com uma grande defesa e, na sequência do canto… a hecatombe.

Um primeiro desvio atraiçoou a defesa leonina, que tentava sair da sua grande área, e o médio Pedro Ferreira esticou-se para fazer o empate aos seis minutos de compensação. Os festejos efusivos dos açorianos contrastavam com o silêncio aterrador de Alvalade. Alguns adeptos que já tinham abandonado o estádio perderam este momento capital.

Mais 30 minutos de prolongamento, em que o coração sobrepôs-se à racionalidade. No final, João Pereira já não se coibia de dar indicações aos jogadores, de pé. Ao intervalo do prolongamento tentou motivar os jogadores com palavras e gestos mas, verdade seja dita, o desânimo não parece ter alterado.

Desânimo esse que levou, numa nota secundária, a duas expulsões na equipa do Sporting. Ricardo Esgaio foi expulso por protestos no banco de suplentes, ainda na segunda parte, e St. Juste viu um segundo amarelo no prolongamento numa entrada com malícia.

Mas Alvalade ainda viria a vibrar. Viktor Gyokeres, que tantas alegrias deu aos adeptos esta temporada, apareceu aos 113 minutos. Uma falha incrível de Frederico Venâncio permitiu que o sueco contornasse o guarda-redes Neneca e marcasse de baliza aberta. Incrível como uma tarefa tão difícil acabou resolvida assim.

 

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