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Taça: FC Porto-Sporting, 0-0 (crónica)

Ricardo Jorge Castro , Estádio do Dragão, Porto
22 abr, 23:19
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Risco mínimo, proveito máximo: leão tira bilhete para o Jamor

O Sporting chegou ao Dragão em vantagem na eliminatória e saiu de lá com o bilhete para a final do Jamor.

Não necessariamente por ter sido a melhor equipa, mas talvez porque foi a equipa que mais soube sofrer. Ser inteligente com a vantagem que tinha, nos 90 e poucos minutos da decisão na casa do FC Porto. Ergueu bem uma muralha para anular o fogo do dragão. E lidou com as perdas de Inácio e, mais tarde, de Hjulmand, num clássico decisivo depois da eliminação ante o Arsenal e da derrota com o Benfica.

E teve, por fim, teve a luva de Rui Silva a evitar o golo de Moffi no último lance, aos 90+9m (seguido do incrível corte de Morita, um pêndulo no meio-campo leonino esta noite). Quando o FC Porto tentava tudo por tudo pelo prolongamento. Mesmo com menos um após a expulsão de Alan Varela por falta sobre Suárez.

Depois de uma primeira parte mais amarrada, o FC Porto, que precisava de marcar, mostrou claramente as suas intenções – sobretudo nos 30 minutos finais – mas lá está: por fim, saiu a ganhar (mesmo com o empate) quem mais soube sofrer. Aquele golo de Luis Suárez em Alvalade, há mês e meio, revelou-se decisivo.

Num clássico de ideias distintas, mas com o mesmo objetivo, saiu a sorrir quem, com o risco mínimo, tirou o proveito máximo. E o bilhete para uma final em que – pelo menos na teoria – o favoritismo saia do vencedor desta noite. O leão espera agora por Torreense ou Fafe.

«Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou de morte (…) mas é muito mais do que isso».

As famosas palavras de Bill Shankly podem bem encaixar no enredo do quarto clássico da época entre FC Porto e Sporting, onde esta noite estava em jogo uma das decisões entre as equipas que mais se foram gladiando na Liga.

Era uma questão de uma final. Com mais provável hipótese de «dobradinha» de um lado. Como o possível único título da época do outro. E foi uma questão de resiliência, sacrifício, trabalho, estratégia e expectativa. Além da natural tensão, dentro e fora do campo, acentuada com várias disputas ao longo do jogo.

Farioli trocou quatro peças no onze, colocando Kiwior à esquerda e apostando em Thiago Silva, Gabri Veiga e William Gomes, perante um Sporting com a troca de Pote por Quenda.

Autoridade de um lado. Gelo do outro.

Foi assim o início do clássico, com o FC Porto, à boleia de um ambiente a seu favor, cedo a tentar ir para cima. Mas o Sporting, aos poucos, soube sobretudo ter bola e tirá-la de um FC Porto que nem sempre conseguiu chegar a tempo de duelos individuais ou de ferir a teia que Rui Borges montou bem na missão defensiva.

O jogo aqueceu quando, numa disputa com Inácio, o FC Porto ficou a pedir cartão e falta sobre William, num lance que custaria pouco depois a saída do português por lesão, para a entrada de Debast, numa primeira parte de maior estratégia do que risco e numa noite nem sempre bem gerida por Miguel Nogueira perante os ânimos e as incidências. Só aos 25 e 41 minutos se viu algum perigo, mas Geny falhou a emenda a um cruzamento de Quenda e, na resposta, um grande lance entre Gabri e Pietuszewski esbarrou na muralha leonina. O intervalo chegou sem golos e também com a expulsão de Lucho no banco portista após protestos.

Na segunda parte, Hjulmand saiu cedo com um toque e Bragança juntou-se a Morita, num jogo em que o FC Porto foi crescendo na última meia-hora e Farioli foi apostando as últimas fichas com Moffi, Rodrigo Mora e Pepê já depois de Alan Varela e, mais tarde, Fofana.

É verdade que o FC Porto não amassou a defensiva leonina, mas foi ameaçando em várias bolas colocadas na área. Até que aquela falta de Varela sobre Suárez passou pelo crivo do VAR, resultou no vermelho ao argentino e serviu de anticlímax para os dragões.

Com dez, o FC Porto expôs-se ao risco total nos nove minutos de compensação, Luís Guilherme viu Diogo Costa negar-lhe um golo certo… e certo também seria o prolongamento, não fossem Rui Silva e Morita atacarem aquela última bola como se fosse uma questão de vida ou de morte.

Foi muito mais do que isso e o Sporting tirou o bilhete para o Jamor. O FC Porto, apesar de mais perto do título, deixa pelo caminho Liga Europa e Taça numa semana.

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