Justiça parada no vermelho e sonho do Jamor para decidir em abril
Numa meia-final histórica como já não se via há 49 anos e a garantia de uma equipa de escalão inferior no Jamor, a primeira mão deu empate entre Fafe e Torreense. E fica tudo igualado para a decisão no Estádio Manuel Marques, em abril.
Se o Fafe já provou de tudo de bom nesta Taça, ao afastar Moreirense, Arouca e Sp. Braga, a Taça também provou um lado mais amargo à grande sensação da prova esta época, quando o jogo estava relativamente a correr-lhe bem.
O Fafe foi melhor na primeira parte, colocou-se em vantagem com um golo de João Oliveira de cabeça, após canto de Vasco Braga, perto do intervalo (43m). Estava, no fundo, a fazer justiça ao que se passava. A justiça de Fafe.
João Oliveira colocou o Fafe na frente 🔥#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #TaçadePortugal #fafe #torreense pic.twitter.com/eN4OHu8ujD
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Até que, ao fim de dez minutos da segunda parte… foi como que uma verdadeira partida de Carnaval, frente à formação de Torres Vedras.
O guarda-redes João Gonçalo, habitual titular na Taça, foi expulso por falta sobre Zohi fora da área. O árbitro Miguel Nogueira não teve dúvidas, o Fafe ficou com dez, abdicou de Ká Semedo no ataque para colocar Manu na baliza. E o guarda-redes ex-Cinfães que, com a lesão do habitual titular Tiago Martins e acabado de ser reforço esta semana (fez apenas um treino!), sofreu golo sem um único toque na bola pelo novo clube.
Pozo empatou tudo de livre 🤯#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #TaçadePortugal #fafe #torreense pic.twitter.com/gyie2gQdE8
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Foi batido… por outro Manu, à hora de jogo: Manu Pozo bateu bem o livre pelo lado da barreira e fez o golo de um empate ao qual os fafenses resistiram 30 minutos em inferioridade, condição em que esteve até à expulsão de Costinha (que tinha entrado na segunda parte), em cima do minuto 90.
Um jogo de duas caras: antes e depois das expulsões
O Torreense até entrou a tentar assumir-se no jogo, mas aos poucos o Fafe cresceu, teve três aproximações perigosas nos primeiros 20 minutos. Atacava mais e melhor, quando percebeu como entrar na teia montada por Luís Tralhão, privado de duas armas importantes: Dany Jean e Musa Drammeh.
A verdade é que foi o Torreense a ter a melhor ocasião do jogo, quando Léo Azevedo, de cabeça após canto, viu João Gonçalo defender para o poste antes de agarrar. Um aviso isolado numa primeira parte em que o Fafe justificou o ser melhor com o golo do médio que sonha encontrar Rui Borges no Jamor.
Na segunda parte, com a história do jogo a mudar radicalmente com a expulsão e o golo – embora o Torreense tenha dado, antes disso, sinais de melhoria já com Liberato e sem Pité – a equipa visitante cresceu e teve duas boas ocasiões, por Javi Vázquez e Stopira, mas Manu disse presente.
E o Fafe, que resistiu em inferioridade, ainda acreditou na vitória depois da expulsão de Costinha. Que o diga Théo Fonseca, que falhou com a baliza de cabeça, na área.
Por fim, empate nos golos e nas expulsões. E o sonho do Jamor adiado para daqui a dois meses.
FIGURA: Diogo Castro
Tem sido uma das peças preponderantes da equipa do Fafe e, nesta primeira mão das meias-finais da Taça, fez uso da sua valentia e entrega para, sobretudo na primeira parte, entregar uma exibição superior da equipa minhota frente ao Torreense. Impediu várias ações ofensivas de Javi Vázquez e Ismail Seydi, mas não só defendeu. Atacou e embalou bem a formação fafense para vários ataques perigosos.
MOMENTO: expulsão de João Gonçalo, seguida do empate de Pozo (55m)
Com o Fafe a vencer por 1-0 aos 55 minutos e já a ver o Torreense esboçar uma reação mais vincada à procura do empate, João Gonçalo viu o cartão vermelho por falta sobre Zohi e, no livre que nasceu do lance, Manu Pozo fez o empate. Um dois em um que trouxe uma mudança repentina e significativa ao filme do jogo.
POSITIVO/NEGATIVO: do grande ambiente ao relvado não tão bom
Se já de si é positivo ver esta Taça com duas equipas de escalão inferior a baterem-se nas meias-finais, também o é ver mais de três mil pessoas a encherem o estádio. Fafenses e torrienses responderam à chamada de sonho do Jamor e foram 3112 os espetadores no Municipal de Fafe esta noite. Não tão bom esteve o relvado, muito carregado pelo mau tempo da última semana… mesmo sem ter sido utilizado desde o último jogo dos fafenses em casa, há semana e meia.