João Oliveira marcou os dois golos da reviravolta ante o Arouca. Fafenses eliminaram nova equipa da Liga depois do Moreirense. Médio de 33 anos gostava de encontrar o Sporting (onde foi campeão nos juniores em 2010), por causa do ex-treinador no Ac. Viseu, onde ambos chegaram às meias-finais da prova rainha. Se possível… na final
«Chegámos a este dia e somos uma verdadeira equipa. Conseguimos conquistar o respeito de muita gente, inclusive do Arouca, uma equipa da Liga. Este respeito foi devido à nossa qualidade e ao nosso trabalho. Esta época vamos fazer coisas históricas e vamos passar. Acreditem até ao último segundo, independentemente do que aconteça durante o jogo.»
Estas foram as palavras de João Oliveira no discurso de balneário antes do Fafe-Arouca.
Se até podia imaginar tal cenário, mal sabia - ele e o resto da equipa - que, duas horas depois, o que disse faria sentido e ainda mais. Afinal, o médio de 33 anos foi o autor dos dois golos - ambos de cabeça, o último já para lá do minuto 90 - da vitória dos fafenses, protagonistas da prova rainha em 2025/26. Já tinham eliminado o Moreirense e tombaram nova equipa da Liga.
O discurso de João Oliveira antes do jogo:
«É sempre bom ser o herói, mas é injusto individualizar uma vitória destas. Foi uma exibição muito boa da equipa. Não me sinto como herói, mas sim como uma peça preponderante. Foi uma grande vitória coletiva, mostrámos a nossa união e qualidade», disse o autor dos golos ao minuto 50 e aos 90+2, em conferência de imprensa. O 1-1 foi mais trabalho. O 2-1, intuição.
«Principalmente no primeiro golo, acho que é trabalho, foram bolas paradas trabalhadas durante a semana e foi o reflexo do treino. O segundo golo foi um pouco mais de intuição, acreditar que podia cair ali a bola e, felizmente, consegui fazer golo», atirou o médio, que voltou a Portugal a meio da época passada, para jogar na Liga 3, após a curta passagem pelo FK Zhenys (Cazaquistão), que se seguiu a alguns anos entre II Liga, Campeonato de Portugal e o Sosnowiec, da Polónia (2020 a 2022).
O golo da vitória ante o Arouca, aos 90+2m):
A carreira de João Oliveira, de «altos e baixos» como diz, foi feita entre Vilaverdense, Salgueiros, Olhanense, Vizela e Académico de Viseu, depois da formação que começou e acabou no Sp. Braga, pelo meio com Moreirense, Amares, Vizela… e o Sporting, em 2009/10. Nos juniores dos leões, fez parte do elenco tricampeão nacional com nomes como William Carvalho, Cédric Soares, Renato Santos, Amido Baldé, Nuno Reis ou Renato Neto.
«Gostava de apanhar o Sporting, Rui Borges foi meu treinador»
E depois de afastar Oriental, Moreirense e Arouca, quem se segue?
A propósito do Sporting e por Rui Borges, João Oliveira gostava de apanhar os leões na Taça. Ambos trabalharam juntos no Ac. Viseu em 2019/20, época em que os viseenses chegaram às meias-finais. Só o FC Porto de Sérgio Conceição - mais tarde vencedor ante o Benfica com dois golos de Mbemba em Coimbra - travou o sonho da final. Estávamos em fevereiro de 2020 e João Oliveira foi titular no Fontelo (empate 1-1) e no Dragão (derrota por 3-0).
«Gostava de passar mais uma eliminatória. De eliminar os três grandes (risos), apesar de que gostava de apanhar o Sporting, porque o Rui Borges foi meu treinador no Ac. Viseu. Gostava de apanhá-lo, mas talvez numa fase mais tardia. Joguei nos juniores do Sporting, mas a minha ligação ao Sporting neste momento é mais pelo Rui Borges. Tenho carinho especial por ele e pela equipa técnica. São pessoas que me dizem muito e desejo-lhes o melhor. Gostava de estar com ele. Gostava, como é óbvio, de ir ao Jamor com ele, era engraçado, mas é difícil. Neste momento só queremos apanhar uma equipa que tenhamos hipóteses. Não digo que não tenhamos hipóteses com o Sporting, mas a dificuldade é muito maior», afirmou.
Fosse ou não no Jamor, em Fafe ou em Alvalade, João Oliveira gostava era do reencontro. «Seria um prazer vê-lo novamente e defrontá-lo, gostava de ser eu a passar a eliminatória, mas o mais importante seria revê-lo e falar um pouco com ele e com a equipa técnica», completou.
Um «bom momento» na carreira
Apesar de ser um dos protagonistas deste domingo de Taça, João Oliveira mostra pés assentes na terra. Afinal, como o próprio frisa, «isto é tudo muito momentâneo. Mas coloca este jogo no topo dos momentos da carreira. «Sem dúvida que foi um dos melhores», assume.
«Isto é uma caminhada de altos e baixos. É um bom momento, já tive grandes momentos na carreira e não é por estar num nível acima ou abaixo. Sinto-me, se calhar, tão feliz como quando fui à final da Taça no Cazaquistão ou às meias-finais com o Ac. Viseu», compara João, um dos capitães de equipa no Fafe.
«Sinto a equipa forte e humilde»
Talvez nem o mais otimista esperaria que, dois meses após um início de época sem vitórias nas quatro primeiras jornadas e com troca de treinador, o Fafe recuperaria na Liga 3 para se afirmar na luta pelo acesso à fase de subida. Mais do que isso, a campanha na Taça. João é um dos nove jogadores que transitou da época passada e lembra o passado recente e o presente.
«O início foi difícil. Apesar de termos qualidade, foi difícil surgir a primeira vitória. Mesmo com o Joel Sampaio [antigo treinador] a equipa estava bem. Faltava qualquer coisa para a vitória e depois, com o mister Mário, tivemos a felicidade de começar a ganhar e a equipa deixou um pouco as desconfianças de lado, algo normal de surgir numa equipa com ambições altas no campeonato em que estamos. Agora, sinto que estamos uma equipa forte e humilde e a encarar cada jogo como muito difícil e só estando na máxima força é que conseguimos ganhar, tanto no campeonato, como na Taça», considera.
Depois de mais um domingo triunfal de Taça, é preciso «descer à terra» para receber o Paredes na Liga 3. A corrida ao top-4 da série A está equilibradíssima. «Independentemente do que acontecer na Taça, o campeonato é diferente. Claro que é sempre bom ganhar, dá-nos motivação, é mais uma prova da qualidade do grupo e da nossa união, mas são jogos diferentes. Cada jogo é uma história, cada equipa traz diferentes dificuldades.»
Certa é, para já, a história de «tomba-gigantes» a dobrar na Fafe nesta Taça. Com João Oliveira em destaque. A resposta ao seu desejo será dada no sorteio de terça-feira.