Taça de Portugal: Casa Pia-Sporting, 1-2 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio Pina Manique
22 dez 2021, 22:43

Reviravolta a soar a «déjà vú»

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O Sporting voltou a sofrer num jogo a eliminar, sob intensa chuva, mas desta vez seguiu para os quartos de final da Taça de Portugal, com uma reviravolta diante de audaz Casa Pia (2-1). A equipa de Pina Manique esteve mesmo a ganhar e obrigou a equipa de Ruben Amorim a aplicar-se para virar o resultado, com mais um golo providencial de Coates e um grande tiro de Pablo Sarabia que foi duas vezes à trave e teve de ser confirmado pelo VAR. Tabata, tal como já tinha acontecido em Penafiel, no jogo anterior, voltou a ser expulso e o leão chegou ao final do jogo com o coração nas mãos.

Começa a ser um hábito, sempre que Ruben Amorim mexe mais de três peças, a máquina encrava e demora a carburar, quase sempre com calafrios pelo meio. Já tinha sido assim na eliminatória anterior, diante do Varzim, e também na Taça da Liga com o Penafiel. Com Ricardo Egaio e Nazinho de volta às alas, os leões, apesar da elevada posse de bola, sentiram tremendas dificuldades para estabelecer a ligação com o tridente da frente. Sarabia, Pote e Tabata jogaram soltos e com liberdade de movimentos, mas demoraram a estabelecer uma ligação à restante equipa, apesar dos intensos esforços de Daniel Bragança.

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As dificuldades dos leões também se explicam pela disposição do Cada Pia, com um esquema parecido com o do Sporting, com três centrais, mas muito mais compacto, sobretudo na zona central, com Afonso Taira e Nuno Borges a jogarem quase como «trincos». A equipa de Pina Manique fechava-se bem a defender, mas depois conseguia desdobrar-se bem para o ataque, quase sempre pela esquerda, de onde arrancava o possante Savior Godwin que provocou constantes dores de cabeça a Ricardo Esgaio, obrigado muitas vezes Inácio a cair sobre a direita para fechar aquela brecha.

A baralhar as contas, o Casa Pia chegou cedo ao golo, aos nove minutos, numa das referidas transições rápidas pela esquerda, neste caso conduzida por Derick Poloni. Jota Silva, sorrateiro, passou despercebido nas costas de Coates e apareceu no momento certo para bater João Virgínia com um desvio de cabeça. Um golo que servia de alerta. O Sporting reagiu com calma, mantendo a posse de bola, mas procurando fixar o jogo no campo adversário, mas a verdade é que só conseguia oportunidades em situações de bola parada.

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Com a chuva a aumentar de intensidade, os leões também subiram a intensidade no relvado. João Palhinha cabeceou ao lado, Daniel Bragança também teve uma boa oportunidade e Tabata pediu uma grande penalidade por um alegado corte com o braço. Os leões apertavam o cerco e o empate acabou por chegar, à passagem da meia-hora, de bola parada, como já se adivinhava. Canto de Tabata sobre a esquerda, desvio de um defesa junto ao primeiro poste, com a bola a sobrar para o segundo, onde surgiu Coates a rematar a meias com Palhinha para o golo do empate. O Sporting ganhava tranquilidade, mas continuava a sentir muitas dificuldades no congestionado relvado de Pina Manique. Até ao intervalo, dois bons remates de meia distância de Daniel Bragança e pouco mais.

Amorim simplifica, Tabata complica

Ruben Amorim não esperou mais e mudou quase tudo na segunda parte apenas com uma substituição. Saiu Nazinho, que até estava a fazer um bom jogo, para entrar Paulinho, com o Sporting a passar a jogar em 4x3x3. Num ápice, os leões alargam o jogo a todo o campo e de repente tinham muito mais espaço para trocar a bola e subir no terreno. O Casa Pia demorou a adaptar-se ao novo dispositivo dos leões e as oportunidades multiplicaram-se junto da baliza de Lucas Paes.

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João Palhinha deu o primeiro sinal, com um remate cruzado, logo a seguir Pedro Gonçalves atirou ao poste, com Lucas Paes já batido, e à terceira Sarabia marcou mesmo. O espanhol furou pela zona central, combinou com Esgaio e Paulinho e desferiu um potente remate, com a bola a ir à trave, ao solo e novamente à trave. Ficou logo a ideia que tinha sido golo, que a bola tinha passado a linha fatal, mas o jogo seguiu e só depois a reviravolta foi confirmada pelo VAR. Nos instantes seguintes, o Sporting teve, pelo menos, três oportunidades flagrantes para matar a eliminatória, mas o jogo voltou a complicar-se.

Com o relvado escorregadio, Tabata acabou por pisar Jota Silva e, tal como já tinha acontecido em Penafiel, viu vermelho direto. Com o Sporting reduzido a dez, Ruben Amorim voltou a mexer, lançando de uma assentada Ugarte, Matheus Nunes e Nuno Santos. O Casa Pia começava, nesta altura, a evidenciar alguns problemas físicos, face à crescente intensidade do jogo, mas Filipe Martins, procurou refrescar a equipa, para um último assalto, face a um adversário em inferioridade numérica.

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A chover ainda com mais intensidade, o jogo, que parecia estar a caminho de estar resolvido, voltou a ficar tenso, com muitas quezílias no relvado e pouco futebol. O Casa Pia ainda chegou a ameaçar o empate, na sequência de várias bolas lançadas em profundidade para a área do Sporting, mas os leões seguraram a vantagem que lhes abre caminho para os quartos de final. Um objetivo falhado na época passada, diante do Marítimo, também em noite de temporal. 

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